{"componentChunkName":"component---src-templates-single-md-js","path":"/blog/apontamentos-políticos-do-secretariado-nacional-do-mes/","result":{"data":{"markdownRemark":{"html":"<section class=\"single-wrap\">\n<blockquote>\n<h5><strong>Secretariado Nacional do MES (Movimento Esquerda Socialista) - Conclu&iacute;mos o ano de 2016 apontando algumas perspectivas e tarefas, a luz das nossas &uacute;ltimas elabora&ccedil;&otilde;es.</strong></h5>\n</blockquote>\n<p>O ano pol&iacute;tico demorou para se encerrar mas finalmente a burguesia conseguiu estabelecer uma pauta de unidade burguesa como centro da conjuntura, afastando a possibilidade de queda do governo e &ldquo;normalizando&rdquo; a situa&ccedil;&atilde;o no sentido de manter o calend&aacute;rio eleitoral. O elemento de liga dos interesses burgueses obviamente foi o plano econ&ocirc;mico.</p>\n<p>A ess&ecirc;ncia deste plano tem sido a aprova&ccedil;&atilde;o da PEC dos gastos, como parte do ajuste fiscal, a proposta de reforma da previd&ecirc;ncia como mecanismo de garantia deste ajuste, al&eacute;m do aumento da produtividade, nem que seja via a redu&ccedil;&atilde;o da massa salarial que nos &uacute;ltimos dois anos perdeu 10%.</p>\n<p>O governo Temer encarnou esta pauta, conseguindo aprovar a PEC 55 &ndash; Teto de gastos, apresentando a reforma da previd&ecirc;ncia e de quebra apresentando projetos de reforma trabalhista que s&atilde;o ataques contra os direitos dos trabalhadores muito apoiados pela patronal na sua linha de aumento da produtividade via redu&ccedil;&atilde;o da renda, precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho e facilitando contrata&ccedil;&otilde;es pela via da redu&ccedil;&atilde;o dos entraves para demiss&atilde;o.</p>\n<p>A estabilidade relativa ou &ldquo;prec&aacute;ria&rdquo; foi poss&iacute;vel porque Temer se mostra o &uacute;nico vi&aacute;vel para aplicar o ajuste at&eacute; aqui. Isso explica a aparente contradi&ccedil;&atilde;o entre sua baixa popularidade e a manuten&ccedil;&atilde;o da coes&atilde;o da base governista no Senado e na C&acirc;mara, amalgamada pelo bloco pol&iacute;tico formado pela alian&ccedil;a entre o PMDB, o chamado &ldquo;centr&atilde;o&rdquo; e os tucanos. Por isso tamb&eacute;m a grande m&iacute;dia faz coro com as medidas &ldquo;necess&aacute;rias&rdquo; para o ajuste, num grande esfor&ccedil;o para fazer da &ldquo;pinguela&rdquo; de Temer se manter e at&eacute; se fortalecer.</p>\n<h3>II</h3>\n<p>Mas a crise social est&aacute; longe de terminar. O crescimento do desemprego e o arrocho com o funcionalismo p&uacute;blico produzem situa&ccedil;&otilde;es dram&aacute;ticas para o povo trabalhador. O descaso do governador do Rio de Janeiro com o funcionalismo levou ao n&atilde;o pagamento do sal&aacute;rio ainda do m&ecirc;s de novembro; no Rio Grande do Sul, 1200 funcion&aacute;rios p&uacute;blicos ser&atilde;o demitidos ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o da extin&ccedil;&atilde;o das funda&ccedil;&otilde;es estaduais; a crise da ind&uacute;stria desemprega em larga escala: apenas quanto a ind&uacute;stria naval, foram mais de 3200 demitidos da Engevix em Rio Grande. Sem contar a queda no com&eacute;rcio, onde o natal magro diminuiu em quase 10% o n&uacute;mero de vendas em lojas e shoppings centers. O desemprego, que hoje atinge 11,8% da popula&ccedil;&atilde;o ocupada e aflige 12 milh&otilde;es de brasileiros, cifra que sobe para 22, 7 milh&otilde;es se contarmos os sub-ocupados e inativos em idade produtiva.</p>\n<p>As medidas econ&ocirc;micas do ajuste se completam com medidas de for&ccedil;a nos estados, sempre retirando direitos e aprofundando os ataques.</p>\n<h3>III</h3>\n<p>A defesa destas medidas econ&ocirc;micas, aprovadas por sua maioria parlamentar, foi a via pela qual Temer enfrentou as repercuss&otilde;es da Lava Jato. Como denunciamos desde o in&iacute;cio, abafar a Lava Jato e derrot&aacute;-la foi o interesse que fez o PMDB oscilar entre o impeachment e o apoio Lula e Dilma e finalmente a se decidir a adotar o impeachment, decidindo a situa&ccedil;&atilde;o nesta dire&ccedil;&atilde;o. Assim, o interesse de terminar a Lava Jato do sistema pol&iacute;tico se uniu com o interesse da grande patronal em aplicar e aprofundar o ajuste. A queda de Dilma foi o resultado.</p>\n<p>Dilma e o governo do PT n&atilde;o lograram aplicar o plano iniciado em seu segundo mandato por contradi&ccedil;&otilde;es em sua base social e sua fraqueza em dobrar esta base. Assim e por isso estava encerrado o per&iacute;odo de utilidade dos governos petistas como gerente dos interesses patronais. Este per&iacute;odo de encerramento da capacidade do PT de governar para a burguesia controlando o movimento de massas j&aacute; havia sido anunciado em junho de 2013, mas a incapacidade de aplicar o plano representou um salto para que a burguesia tirasse o respaldo do governo petista. De toda a forma nunca se pode esquecer que Dilma e o PT haviam come&ccedil;ado este ajuste, como deixou claro a redu&ccedil;&atilde;o salarial de 2015, seu ensaio de reforma da previd&ecirc;ncia (j&aacute; havia come&ccedil;ado o ataque &agrave;s pens&otilde;es e anunciado o aumento da idade), e pela ado&ccedil;&atilde;o por um per&iacute;odo da ideia do predom&iacute;nio do negociado sobre o legislado, que, ali&aacute;s, &eacute; uma bandeira antiga dos sindicatos da Articula&ccedil;&atilde;o na CUT, notadamente em banc&aacute;rios de SP e metal&uacute;rgicos do ABC. Tamb&eacute;m foram os respons&aacute;veis pelas lei antiterroristas, sendo Dilma quem sancionou a famigerada Lei Cunha contra o PSOL.</p>\n<p>Com Temer a aposta no ajuste foi ainda muito superior ao que pretendia Dilma. Temer sustenta-se com esse par&acirc;metro : oferece ao &ldquo;mundo empresarial&rdquo; a dureza para passar o ajuste, utilizando-se como sugeriu Nizan Guanaes de sua &ldquo;impopularidade&rdquo; como um fus&iacute;vel a ser queimado, exigindo em troca relativa paz no caso da Opera&ccedil;&atilde;o Lava-Jato.</p>\n<h3>III</h3>\n<p>Contudo, a Lava Jato n&atilde;o foi detida e seguiu sendo o fator de desestabiliza&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio governo Temer. A continuidade da Lava jato primeiro atingiu Romero Juc&aacute;, um dos chefes do esquema de Temer, levou a pris&atilde;o de Cunha, principal algoz de Dilma, ao desmonte do PMDB do Rio de Janeiro e a pris&atilde;o de S&eacute;rgio Cabral. E agora finalmente atinge o cora&ccedil;&atilde;o do governo e ao pr&oacute;prio Temer.</p>\n<p>A chegada de um aparente &aacute;pice da Lava Jato contra o governo de turno foi precedida de uma crise pesada, considerada pelos analistas e por muitos dos seus protagonistas como uma crise institucional. Ainda que tenhamos elementos de uma crise institucional, seria um erro definir que se estabeleceu de fato uma crise desta natureza. Mais do que uma crise, foram elementos em choque, em crise, mas em vias de se acomodar para dar lugar a um concerto, um acerto entre as institui&ccedil;&otilde;es. A continuidade de Renan foi o sinal deste acordo. Seu objetivo profundo, contudo, foi salvar Temer e seu governo, sempre que o plano de ajuste seja levado adiante com for&ccedil;a, sempre tratando de evitar, por&eacute;m, uma convuls&atilde;o social e uma depress&atilde;o econ&ocirc;mica que contraia por mais tempo n&atilde;o os sal&aacute;rios &ndash; que devem continuar baixos &ndash; mas os lucros e os neg&oacute;cios.</p>\n<p>O governo Temer e sua base no congresso conseguiu terminar o ano com a pauta combinada, respondendo aos interesses da burguesia que, em troca, via a grande m&iacute;dia, com a colabora&ccedil;&atilde;o do Supremo, trata de abafar o m&aacute;ximo que pode a opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato.</p>\n<h3>IV</h3>\n<p>Para este objetivo a burguesia e o governo contam ainda com uma grande vantagem: a principal oposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica parlamentar ao ajuste &eacute; o PT, que perdeu o cr&eacute;dito, e a esquerda do PT ou n&atilde;o tem for&ccedil;a ou est&aacute; contra defender a OLJ , o &uacute;nico fator que tem sido fundamental at&eacute; aqui para desestabilizar o dom&iacute;nio burgu&ecirc;s em geral e do governo Temer em particular.</p>\n<p>As negociadas pela sucess&atilde;o do Senado revelaram os acordos que o PT fez para votar em Eun&iacute;cio em troca da absolvi&ccedil;&atilde;o dos direitos pol&iacute;ticos de Dilma, bem como o papel que Jorge Vianna cumpriu durante a recente crise para dar sustenta&ccedil;&atilde;o a Renan.</p>\n<p>O eixo desse setor da oposi&ccedil;&atilde;o &eacute; lan&ccedil;ar Lula como candidato em 2018, por um lado lutando para manter a luta pol&iacute;tica dentro dos marcos eleitorais por outro abra&ccedil;ando a tese contr&aacute;ria a pris&atilde;o de Lula.</p>\n<h3>V</h3>\n<p>O movimento de massas resiste de forma fragmentada. Apesar de lutas parciais, conflitos explosivos e m&uacute;ltiplos, o movimento dos trabalhadores e da juventude ainda n&atilde;o conseguiu responder de forma unit&aacute;ria que fosse capaz de torcer o bra&ccedil;o da frente &uacute;nica entre o governo, o patronato, a grande m&iacute;dia e at&eacute; setores da burocracia sindical. O que existem s&atilde;o lutas no setor do funcionalismo p&uacute;blico contra o atraso nos sal&aacute;rios e as mudan&ccedil;as que os governos querem impor para &ldquo;reestruturar o estado&rdquo;.</p>\n<p>A classe trabalhadora, com eixo no setor industrial, tem dificuldades de responder sob o tac&atilde;o do desemprego, a falta de organiza&ccedil;&atilde;o por local de trabalho e as travas que as burocracias sindicais imp&otilde;e &agrave; din&acirc;mica de conflito.</p>\n<p>O cora&ccedil;&atilde;o da resist&ecirc;ncia aos planos de ajuste no segundo semestre foi a juventude, entre secundaristas e universit&aacute;rios, que radicalizou a luta contra as reformas e a PEC 55, sustentando o maior movimento de ocupa&ccedil;&otilde;es de escolas e universidade da nossa hist&oacute;ria. O movimento que seguiu os passos de SP, ecoou no Paran&aacute;, em boa parte das universidades federais, conseguiu ganhar terreno na opini&atilde;o p&uacute;blica pautando a PEC, ainda que os senadores uma vez mais votaram de costas para o povo.</p>\n<p>A juventude foi quem respondeu como setor de forma unit&aacute;ria aos ataques de Temer. O ato do dia 29, uma iniciativa da qual nos orgulhos de ser parte via Juntos, juntou mais de 10 mil manifestantes do setor da educa&ccedil;&atilde;o, sendo o primeiro ato nacional em Bras&iacute;lia contra o governo ileg&iacute;timo de Temer.</p>\n<p>Depois disso a heroica resist&ecirc;ncia do funcionalismo p&uacute;blico, com setores das for&ccedil;as policiais e de seguran&ccedil;a a frente em v&aacute;rios estados, especialmente no Rio de Janeiro, onde se conseguiu evitar a vota&ccedil;&atilde;o das medidas mais antipopulares de Pez&atilde;o.</p>\n<p>H&aacute; que acompanhar o estado de &acirc;nimo e a consci&ecirc;ncia do movimento de massas ao longo do primeiro semestre de 2017. O que prima &eacute; a bronca e o descontentamento da popula&ccedil;&atilde;o contra toda a casta pol&iacute;tica, que segue jogando mais lenha na fogueira com a manobra para anistiar o caixa dois e a divulga&ccedil;&atilde;o de seus luxuosos gastos. O grande n&uacute;mero de votos nulos/brancos e absten&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m responde a isso. Uma parte expressiva pega raiva contra &ldquo;todos&rdquo;, sendo o PSOL ainda um partido que escapa dessa bronca, em partes.</p>\n<p>Como j&aacute; dissemos outras vezes, para o movimento de massas &eacute; chave tomar o tema da resist&ecirc;ncia contra o ajuste como parte de uma luta geral contra o sistema corrupto, onde a ampla massa rejeita os pol&iacute;ticos.</p>\n<p>A crise social coloca uma dial&eacute;tica muito direta, muito conectada entre o defensivo e ofensivo. As lutas s&atilde;o defensivas, por&eacute;m os m&eacute;todos mais radicalizados e ofensivos. A ocupa&ccedil;&atilde;o das escolas, as mobiliza&ccedil;&otilde;es do Rio e de Porto Alegre marcaram essa tend&ecirc;ncia.</p>\n<p>Isso nos exige muito aud&aacute;cia para intervir no movimento de massas.</p>\n<h3>VI</h3>\n<p>O governo federal tem o trunfo de ter controlado a infla&ccedil;&atilde;o via a depress&atilde;o, o que permite agora a redu&ccedil;&atilde;o gradual dos juros. Isso pode ir levando a recupera&ccedil;&atilde;o da economia, n&atilde;o para n&iacute;veis de crescimento que o pa&iacute;s viveu antes de 2011, mas que permitam depois de 2017 que a burguesia possa vender a ideia de que seu dom&iacute;nio &eacute; capaz de trazer crescimento econ&ocirc;mico. Esta &eacute; a aposta do PMDB e do PSDB para 2018.</p>\n<p>Mas as medidas de ajuste constitucional ter&atilde;o que ser votadas, particularmente as reformas na previd&ecirc;ncia, o que pode canalizar uma oposi&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica contra o governo Temer, contra o congresso e at&eacute; contra a m&iacute;dia que defender&aacute; as reformas. Combinado com isso vamos ver at&eacute; onde se desenvolve a opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato. O que tem garantido que ela n&atilde;o tenha sido controlada &eacute; a determina&ccedil;&atilde;o de uma parte do judici&aacute;rio, notadamente os procuradores e o pr&oacute;prio Juiz S&eacute;rgio Moro, al&eacute;m do apoio gen&eacute;rico de uma classe m&eacute;dia ampla que foi &agrave;s ruas para tirar Dilma e que n&atilde;o deu nenhum cheque em branco para Temer, como se viu na &uacute;ltima manifesta&ccedil;&atilde;o que embora n&atilde;o t&atilde;o massiva como as que derrubaram Dilma, foi forte contra Renan e por pouco n&atilde;o se voltou tamb&eacute;m contra Temer. A grande m&iacute;dia n&atilde;o quis se arriscar e manteve seus v&iacute;nculos com esta classe m&eacute;dia, base social fundamental de seu respaldo pol&iacute;tico, e manteve o apoio a Lava Jato. A d&uacute;vida &eacute; at&eacute; onde esta classe m&eacute;dia manter&aacute; seu apoio a continuidade da opera&ccedil;&atilde;o ou se aceitar&aacute; o compromisso de um processo judicial mais lento, dando espa&ccedil;o para a normalidade econ&ocirc;mica e a promessa de crescimento. Esta possibilidade cresce na medida em que n&atilde;o h&aacute; uma esquerda disposta a assumir a pauta da luta contra a corrup&ccedil;&atilde;o e canalizar uma parte desses setores m&eacute;dios.</p>\n<h3>VII</h3>\n<p>Por tudo o que temos dito seria um erro acreditar que a situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; sob controle do ponto de vista pol&iacute;tico-jur&iacute;dico e policial. E menos ainda socialmente. Por isso qualquer defini&ccedil;&atilde;o de estabiliza&ccedil;&atilde;o deve ser relativizada e levar em conta que estamos falando de um novo normal que n&atilde;o retorna a situa&ccedil;&atilde;o anterior a de 2013.</p>\n<p>Ademais, a LavaJato n&atilde;o foi derrotada, apesar dos esfor&ccedil;os do governo do PT e agora do governo do PMDB. As dela&ccedil;&otilde;es ainda podem alimentar o &oacute;dio popular, combinado com a crise social, produzindo a&ccedil;&otilde;es correspondentes a esta indigna&ccedil;&atilde;o, at&eacute; mesmo na forma de saques. N&atilde;o &eacute; o mais prov&aacute;vel mas n&atilde;o se pode descartar que grandes cidades vivam este fen&ocirc;meno, o que poderia provocar uma mudan&ccedil;a na situa&ccedil;&atilde;o e a&iacute; sim alterar o calend&aacute;rio pol&iacute;tico</p>\n<p>N&atilde;o s&atilde;o nada previs&iacute;veis tamb&eacute;m as formas que os efeitos de junho de 2013 se manifestar&atilde;o. Tivemos no final de 2015 o ascenso secundarista em SP e as mobiliza&ccedil;&otilde;es do Paran&aacute; no in&iacute;cio do mesmo ano. Tivemos as lutas dos servidores p&uacute;blicos no Rio de Janeiro e as ocupa&ccedil;&otilde;es da educa&ccedil;&atilde;o contra a PEC dos gastos este ano. Tivemos a primavera feminista como express&atilde;o eleitoral dos efeitos de junho. E ainda temos em in&uacute;meros bairros das periferias das nossas cidades protestos espont&acirc;neos de gente do povo que aprendeu com aquelas jornadas que a mobiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; importante e um caminho para a vit&oacute;ria. Ent&atilde;o &eacute; preciso ter presente que junho de 2013 n&atilde;o &eacute; uma p&aacute;gina virada, embora as for&ccedil;as reacion&aacute;rias tenham ganho um pouco mais de terreno de 2015 para c&aacute;.</p>\n<p>Junho abriu um novo per&iacute;odo hist&oacute;rico, o que &eacute; fundamental para que saibamos que n&atilde;o teremos mais um regime est&aacute;vel, com capacidade de pacificar os conflitos ou canalizar todo o descontentamento para o terreno eleitoral e institucional burgu&ecirc;s .</p>\n<h3>VIII</h3>\n<p>A burguesia adotou um plano que trate de evitar que o novo ciclo p&oacute;s queda do PT tenha como desdobramento o crescimento do PSOL e sua postula&ccedil;&atilde;o como alternativa de esquerda diante da crise. O PSOL conseguiu sair do pleito municipal de 2016 como alternativa poss&iacute;vel, ainda que n&atilde;o tenha quebrado o plano burgu&ecirc;s e nem adquirido a for&ccedil;a para arrastar atr&aacute;s de si os setores que est&atilde;o rompendo com o PT. Mas em in&uacute;meras capitais j&aacute; &eacute; a principal for&ccedil;a da esquerda e com uma din&acirc;mica de expans&atilde;o. O desafio ser&aacute; fazer uma oposi&ccedil;&atilde;o forte ao governo Temer, ser parte das lutas sociais e por direito, incorporar setores que queiram aderir ao partido e se preparar para 2018 tratando de derrotar a cl&aacute;usula de barreira e afirmar um p&oacute;lo nacional com um programa em defesa do povo e contra a oligarquia financeira. Nas articula&ccedil;&otilde;es para que o PSOL se desenvolva nesta dire&ccedil;&atilde;o buscaremos trabalhar, n&oacute;s do MES, com nossas figuras p&uacute;blicas, em particular com Luciana Genro, em unidade com nossos amigos de SP, os deputados Raul e Gianazzi e com os camaradas do Rio de Janeiro, com Marcelo Freixo e Chico Alencar, como principais expoentes do partido no Rio de Janeiro, a principal regional do PSOL.</p>\n<h3>IX</h3>\n<p>Nossa tarefas centrais para o come&ccedil;o do ano passam por organizar a resist&ecirc;ncia ao governo e construir um projeto alternativo de esquerda:</p>\n<p>Resist&ecirc;ncia ao ajuste/ Fora Temer- Uma ampla campanha contra a reforma da previd&ecirc;ncia, unificando todos os setores para fazer um contraponto &agrave; grande m&iacute;dia, unindo as for&ccedil;as da primavera feminista dentro das categorias. Partindo dessa campanha, outras campanhas em defesa dos direitos dos trabalhadores, direitos do funcionalismo p&uacute;blico estadual, etc</p>\n<p>Preparar a oposi&ccedil;&atilde;o aos planos dos munic&iacute;pios- a partir dos postos avan&ccedil;ados que o PSOL tem, vereadores, militantes, preparar para duros embates juntos &agrave; luta do povo nas grandes cidades</p>\n<p>Por um programa econ&ocirc;mico de emerg&ecirc;ncia e medidas democr&aacute;ticas revolucion&aacute;rias</p>\n<ol>\n<li>1 Apoio &agrave; OLJ at&eacute; o final. Pris&atilde;o para os corruptos/ Confisco de Bens de corruptos e corruptores</li>\n<li>2: Apoio &agrave;s medidas contra a corrup&ccedil;&atilde;o! Elei&ccedil;&otilde;es gerais com novas regras. Fora Temer e Fora Renan</li>\n<li>Por um plano econ&ocirc;mico de emerg&ecirc;ncia: Auditoria da d&iacute;vida p&uacute;blica/ Dividendos/ Revolu&ccedil;&atilde;o Fiscal com taxa&ccedil;&atilde;o das grandes fortunas/ Novo pacto federativo que alivie os estados/ Redu&ccedil;&atilde;o dos juros</li>\n<li>Por uma assembleia popular constituinte( no terreno da propaganda com discutimos na &uacute;ltima reuni&atilde;o)- Revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para reorganizar o pa&iacute;s por abaixo/ defesa da auto-organiza&ccedil;&atilde;o</li>\n<li>Recuperar os sindicatos de forma democr&aacute;tica para os trabalhadores</li>\n<li>Em defesa dos direitos das mulheres, LGTBs, Negras e negros</li>\n</ol>\n<h3>X</h3>\n<p>Avan&ccedil;amos com a posse dos novos vereadores do PSOL em 1 de janeiro para ser parte da resist&ecirc;ncia ativa da luta do povo, utilizando os mandatos como caixa de resson&acirc;ncia das graves contradi&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o crescer nos polos urbanos e nas maiores cidades. Com isso, o PSOL assumir&aacute; um papel destacado nas grandes capitais; nosso desafio &eacute; nos inserirmos sobretudo nos bairros populares, onde o enraizamento &eacute; o centro de a&ccedil;&atilde;o militante do M&Ecirc;S. Queremos utilizar nossos mandatos para que o PSOL se expanda na Restinga, no Jacarezinho, no Graja&uacute;.</p>\n<p>Tamb&eacute;m no &acirc;mbito sindical &eacute; decisivo a presen&ccedil;a militante, como estamos fazendo, retomando a organiza&ccedil;&atilde;o de base e por local de trabalho. O exemplo do sindicato da sa&uacute;de e da ASERGCH no Rio Grande do Sul &eacute; um desafio para unir essas lutas. Se preparam grandes atividades para o dia 8 de mar&ccedil;o, como parte da luta das mulheres tamb&eacute;m na classe trabalhadora. Seguimos avan&ccedil;ando tamb&eacute;m em S&atilde;o Paulo, com nossa localiza&ccedil;&atilde;o no sindicato dos metrovi&aacute;rios e dos servidores federais em Natal. Ser&aacute; um desafio organizar e construiu um polo sindical, a partir de aliados dentro da Conlutas mas tamb&eacute;m com capacidade de unir com outras for&ccedil;as pol&iacute;ticas e sindicais.</p>\n<p>Como dimens&atilde;o geral tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio tomar o exemplo do trabalho do Emancipa, que se nacionaliza e tem atuado para expandir a luta pol&iacute;tica pela educa&ccedil;&atilde;o popular nos bairros com maior concentra&ccedil;&atilde;o dessas cidades.</p>\n<p>Uma tarefa decisiva &eacute; a luta pela amplia&ccedil;&atilde;o do PSOL e para evitar cair na marginalidade. Parte desta pol&iacute;tica &eacute; combate pelo ingresso de correntes marxistas revolucion&aacute;rias como os companheiros da Esquerda Marxistas, que por medidas burocr&aacute;ticas de uma parte da US, ainda n&atilde;o tem seu direito de milit&acirc;ncia no PSOL.</p>\n<p>Vamos fortalecer nossas atividades na juventude, construindo o acampamento internacional das Juventudes em Luta, na p&aacute;scoa no Rio de Janeiro.</p>\n</section>","fields":{"slug":"blog/apontamentos-políticos-do-secretariado-nacional-do-mes/"},"frontmatter":{"categories":["MES"],"publish_date":"2016-12-28T08:00:00.000Z","title":"Apontamentos políticos do Secretariado Nacional do MES","description":"\r\n\r\nSecretariado Nacional do MES (Movimento Esquerda Socialista) - Conclu&iacute;mos o ano de 2016 apontando algumas perspectivas e tarefas, a luz das nossas &uacute;ltimas elabora&ccedil;&otilde;es.\r\n\r\nO ano pol&iacute;tico demorou para se encerrar mas finalmente a burguesia conseguiu estabelecer uma pauta de unidade burguesa como centro da conjuntura, afastando a possibilidade de queda do governo e &ldquo;normalizando&rdquo; a situa&ccedil;&atilde;o no sentido de manter o calend&aacute;rio eleitoral. 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