{"componentChunkName":"component---src-templates-single-md-js","path":"/blog/elementos-da-conjuntura-pós-greve-geral/","result":{"data":{"markdownRemark":{"html":"<blockquote>\n<p><strong>Minuta do Movimento Esquerda Socialista publicada no primeiro de maio de 2017.</strong></p>\n</blockquote>\n<div class=\"entry\">\n<p>A greve geral convocada para o dia 28/04 foi uma a&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da classe trabalhadora brasileira. Nosso balan&ccedil;o &eacute; inicial, uma primeira leitura, mas que evid&ecirc;ncia o &ecirc;xito dessa medida de for&ccedil;a contra o governo Temer e seu plano de ajuste. Foi um pronunciamento contundente da classe trabalhadora brasileira, em dimens&atilde;o nacional, onde as centrais sindicais falam em 40 milh&otilde;es de trabalhadores cruzando os bra&ccedil;os. O governo optou pela polariza&ccedil;&atilde;o para aprovar as reformas e a greve coloca a amplia&ccedil;&atilde;o da resist&ecirc;ncia como uma realidade. Ap&oacute;s cem anos da primeira greve geral da hist&oacute;ria do pa&iacute;s, os trabalhadores novamente mostram sua for&ccedil;a. Uma greve geral no quinto maior pa&iacute;s do mundo, um gigante que est&aacute; entre as dez economias mais importantes do planeta, tendo impactos para o conjunto do continente. A luta vai seguir. Apresentamos aqui as primeiras conclus&otilde;es sobre o processo.</p>\n<h3><strong>1) O 28 de Abril se configurou como uma jornada hist&oacute;rica</strong></h3>\n<p>Com um alcance nacional, manifesta&ccedil;&otilde;es ocorreram em centenas de cidades, todas as capitais, distrito federal, e em praticamente todas as cidades com mais de cem mil habitantes. A Globo citou atos em 241 cidades. &Eacute; poss&iacute;vel comparar com a grande greve geral de 48 horas de 14/15 de mar&ccedil;o de 1989. A especificidade desta greve geral &eacute; que n&atilde;o houve uma dire&ccedil;&atilde;o centralizada, nem a CUT nem o PT foram a referencia sindical e pol&iacute;tica como em 89. Sem uma lideran&ccedil;a clara nem um programa alternativo, sua marca foi a rejei&ccedil;&atilde;o &agrave;s medidas neoliberais. Outra especificidade &eacute; que foi uma a&ccedil;&atilde;o centralizada, apesar de n&atilde;o ter uma &uacute;nica dire&ccedil;&atilde;o, cujo impacto grande foi produto tamb&eacute;m de um momento onde as m&iacute;dias instant&acirc;neas conseguem conectar a&ccedil;&otilde;es e informa&ccedil;&otilde;es em todo pa&iacute;s, multiplicando o n&uacute;mero de not&iacute;cias sobre a a&ccedil;&atilde;o grevista. A greve foi uma vit&oacute;ria dos setores populares. A narrativa das reformas como retirada de direitos popularizou-se, especialmente a reforma da previd&ecirc;ncia. Ficou mais dif&iacute;cil avan&ccedil;ar a&iacute;, o que n&atilde;o significa que o governo n&atilde;o logre uma vit&oacute;ria atrav&eacute;s de um Congresso Nacional bastante refrat&aacute;rio ao clamor popular. Embora tenha dificultado, a greve n&atilde;o impede que seja levada adiante o ajuste e que se consolide um grande ataque, tanto com a aprova&ccedil;&atilde;o das reformas trabalhista ( e a lei da terceiriza&ccedil;&atilde;o que j&aacute; foi sancionada) quanto da previd&ecirc;ncia, na qual s&oacute; a mudan&ccedil;a da idade m&iacute;nima j&aacute; ser&aacute; um grande ataque. A mudan&ccedil;a da correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as ainda &eacute; incipiente e a palavra-de-ordem da burguesia &eacute; &ldquo;prosseguir&rdquo;, mesmo com a bronca e a demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as da classe.</p>\n<h3><strong>2) Uma greve de car&aacute;ter nacional</strong></h3>\n<p>O maior protagonismo foi dos setores de transporte (rodovi&aacute;rios, metrovi&aacute;rios, ferrovi&aacute;rios e portu&aacute;rios); grande for&ccedil;a tamb&eacute;m em professores, banc&aacute;rios, correios, metal&uacute;rgicos e qu&iacute;micos (incluindo petr&oacute;leo), e ocorreu em todo o Brasil. Ocorreram interrup&ccedil;&otilde;es de vias e rodovias dos setores populares (MTST e MST) e juventude. Protagonismo em diversas cidades de setores perif&eacute;ricos e organiza&ccedil;&otilde;es nos bairros.</p>\n<h3><strong>3) A m&iacute;dia teve que mostrar a for&ccedil;a da greve</strong></h3>\n<p>Foi uma greve de massas, embora a ampla maioria do povo n&atilde;o foi &agrave;s ruas protestar. Mas o apoio foi real. O desemprego, os trabalhadores informais, o baixo n&iacute;vel de sindicaliza&ccedil;&atilde;o (na verdade a fraqueza dos sindicatos), tudo isso atrapalha uma a&ccedil;&atilde;o mais massiva e combinada nas ruas. Mas foi claro o apoio majorit&aacute;rio &agrave; greve.<br /> A m&iacute;dia internacional mostrou a import&acirc;ncia da greve e at&eacute; a cobertura da Rede Globo teve que ceder &agrave; for&ccedil;a da manifesta&ccedil;&atilde;o, em especial na edi&ccedil;&atilde;o do Jornal Nacional. Apesar de sua natural tend&ecirc;ncia &agrave; desqualificar a a&ccedil;&atilde;o de trabalhadores, tiveram que reconhecer a paralisa&ccedil;&atilde;o como um fato. O discurso de esconder a greve geral mudou para afirmar que os piquetes de sindicatos no transporte foram o motor e n&atilde;o a indigna&ccedil;&atilde;o de milh&otilde;es. Folha de S&atilde;o Paulo, Estad&atilde;o e O Globo afirmaram que foi uma &ldquo;greve das corpora&ccedil;&otilde;es&rdquo; e pediram ao governo medidas mais &ldquo;a la Thatcher&rdquo; pelo fato de n&atilde;o existir um &ldquo;plano B&rdquo;.</p>\n<p>Nas redes sociais, tamb&eacute;m sinais claros de que o 28A foi vitorioso. Ainda na v&eacute;spera, uma enquete da Veja deu 96% de apoio &agrave; greve com quase 800 mil votos. An&aacute;lise do F&aacute;bio Malini mostra uma derrota devastadora de Temer no Twitter. Das 0h &agrave;s 16h ele coletou termos como &ldquo;greve&rdquo;, &ldquo;brasilemgreve&rdquo;, &ldquo;grevegeral&rdquo;, &ldquo;agrevefracassou&rdquo; e &ldquo;euvoutrabalhar&rdquo;. Foram 685 mil tu&iacute;tes e a esmagadora maioria pr&oacute;-greve.</p>\n<h3><strong>4) No plano da repress&atilde;o, a a&ccedil;&atilde;o foi desigual</strong></h3>\n<p>Nas cidades onde a paralisa&ccedil;&atilde;o foi mais contundente, se derrotou a repress&atilde;o da pol&iacute;cia e da patronal. Foi o caso de SP, onde a marca foi a paralisa&ccedil;&atilde;o da cidade, com metro e &ocirc;nibus parados, assim como em Porto Alegre, em BH, em Recife. Onde a ades&atilde;o dos trabalhadores dos transportes n&atilde;o ocorreu, ou ocorreu muito parcialmente, houve maior radicaliza&ccedil;&atilde;o e a repress&atilde;o teve maior impacto, como no caso dos atos do Rio de Janeiro, &agrave; tarde, onde houve abusos policiais e repress&atilde;o desmedida contra o conjunto dos manifestantes. Mas a repress&atilde;o n&atilde;o ocorreu apenas nestes casos. Em algumas cidades a repress&atilde;o foi demonstrativa do car&aacute;ter de classe do estado e da pol&iacute;tica do regime de conter o movimento. O mais grave foi contra os portu&aacute;rios de Santos. Tamb&eacute;m em Goi&acirc;nia, onde jovens foram covardemente agredidos, sendo que um estudante est&aacute; internado na UTI, ainda correndo risco de vida. Um militante do MES e do Juntos teve seu bra&ccedil;o quebrado pela a&ccedil;&atilde;o da violenta pol&iacute;cia de S&atilde;o Paulo, durante o bloqueio de vias na Zona Oeste da cidade, organizado pela milit&acirc;ncia da USP. O deputado Glauber Braga do PSOL recebeu um tiro de bala de borracha quando participava do ato do Rio. Tamb&eacute;m ocorreram pris&otilde;es que precisam ser denunciadas.</p>\n<h3><strong>5) Unidade contra as reformas e contra Temer foi uma vit&oacute;ria importante em meio a uma dura queda de bra&ccedil;o</strong></h3>\n<p>Esta a&ccedil;&atilde;o vitoriosa foi fruto de uma combina&ccedil;&atilde;o de fatores. O mais importante foi a unidade de diferentes setores sociais, com uma amplitude maior do que em manifesta&ccedil;&otilde;es recentes. A unidade constru&iacute;da no 8 de mar&ccedil;o, 15 de mar&ccedil;o e manifesta&ccedil;&otilde;es parciais, ganhou novas e decisivas ades&otilde;es. Conforme nos referimos no balan&ccedil;o do dia 15:&ldquo;A jornada de 15 de mar&ccedil;o demarcou que a pauta da luta contra a reforma da previd&ecirc;ncia tem atra&ccedil;&atilde;o para ser motor de uma verdadeira greve geral.&rdquo;<br /> A amplia&ccedil;&atilde;o pode ser medida com a entrada de todo um setor do poder judici&aacute;rio, com o peso que as igrejas colocaram, com a ades&atilde;o de figuras diversas. A luta contra a reforma se popularizou e o governo ficou com seu discurso na defensiva.<br /> Isso pressionou as c&uacute;pulas sindicais, que ficaram espremidas entre a press&atilde;o de base e sua pr&oacute;pria luta corporativa. As medidas antissindicais do governo &ndash; inclusive sua ofensiva contra o imposto sindical &ndash; obrigaram as c&uacute;pulas a marcar uma a&ccedil;&atilde;o comum. O dia 28 contou com convocat&oacute;ria, em intensidades desiguais, de centrais como a CUT, FS, UGT, CTB, Nova Central, CSP Conlutas, Intersindical, bem como movimentos populares como MTST, MST e outros.</p>\n<p>Isso auxiliou a constru&ccedil;&atilde;o de uma frente &uacute;nica real, por cima e por baixo, entre setores da esquerda e as burocracias, misturando interesses gerais e particulares. Uma verdadeira frente &uacute;nica que possibilitou uma a&ccedil;&atilde;o mais contundente, e que se deu entre centrais, sindicatos, esquerda gen&eacute;rica, ala progressista das igrejas e toda a Justi&ccedil;a do Trabalho. Cresceu a confian&ccedil;a da classe em suas pr&oacute;prias for&ccedil;as.<br /> O fato de haver uma pauta concreta de ataques aos direitos sensibilizou a classe trabalhadora e tamb&eacute;m setores da classe m&eacute;dia, tamb&eacute;m enfurecida pela corrup&ccedil;&atilde;o. A paralisa&ccedil;&atilde;o de in&uacute;meros col&eacute;gios particulares tamb&eacute;m demonstra essa ades&atilde;o. Isso prova que &eacute; poss&iacute;vel disputar estes setores m&eacute;dios, que a classe m&eacute;dia n&atilde;o est&aacute; toda perdida para a direita como dizem muitos. Ela oscila e, portanto, disputa-la &eacute; fundamental.</p>\n<p>A greve geral tamb&eacute;m ajudou a expressar a luta contra a &ldquo;casta&rdquo;, o esc&aacute;rnio que os pol&iacute;ticos fazem contra o povo, pela via da corrup&ccedil;&atilde;o e ajuste. Embora ausente da convoca&ccedil;&atilde;o oficial da greve geral ( exceto por panfletos nossos, por exemplo no RS) a bronca com a corrup&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m contribuiu para fortalecer a greve e dar for&ccedil;a ao &ldquo;Fora Temer&rdquo;.</p>\n<h3><strong>6) Foi a primeira a&ccedil;&atilde;o coordenada da classe depois das Jornadas de Junho de 2013</strong></h3>\n<p>O 28A mostrou n&iacute;veis de radicalidade, apelo democr&aacute;tico e espontane&iacute;smo grande. A &ldquo;greve geral&rdquo;, convocada para 11 de Julho de 2013, teve um papel de descomprimir e, portanto, desativar o efeito da a&ccedil;&atilde;o de massas, e n&atilde;o foi um plano de a&ccedil;&atilde;o coerente para seguir lutando nas ruas e locais de trabalho.<br /> No caso da presente greve geral, os elementos de Junho se apresentam nas manifesta&ccedil;&otilde;es de rua, na dificuldade de controle por parte das dire&ccedil;&otilde;es do movimento de massas. Foram milhares de ativistas que se somaram, como os jovens que ingressaram na luta pol&iacute;tica depois de Junho, ampliando a resist&ecirc;ncia ao plano de austeridade.</p>\n<p>Um movimento de massas que se movimenta, sem uma dire&ccedil;&atilde;o clara, com uma disputa complexa sobre os pr&oacute;ximos passos. Um gigante sem dire&ccedil;&atilde;o. Apesar de n&atilde;o estar no chamado da convocat&oacute;ria oficial das centrais &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es, o tema de revolta contra os &ldquo;pol&iacute;ticos&rdquo;, a impunidade e a corrup&ccedil;&atilde;o estava latente na simpatia popular &agrave; greve. Esses elementos s&atilde;o a continuidade de Junho, agora com m&eacute;todos pr&oacute;prios da classe, mas ainda longe de ter uma alternativa pol&iacute;tica centralizada que possa interferir e afirmar quais passos seguir. H&aacute; claramente dire&ccedil;&otilde;es fragmentadas que atuam, mas nenhuma que se imp&otilde;e nem que tenha capacidade de resolver esta lacuna. Assim, os velhos aparatos em crise seguem tendo peso, embora j&aacute; tamb&eacute;m n&atilde;o comandem. E do ponto de vista pol&iacute;tico, como veremos, ainda Lula &eacute; a principal refer&ecirc;ncia do povo pobre e trabalhador, mas ele n&atilde;o tem mais capacidade de liderar amplas camadas da classe m&eacute;dia nem os setores mais combativos da classe trabalhadora. Sua refer&ecirc;ncia para parcelas mais pobres da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; na l&oacute;gica do mal menor. E segue como esperan&ccedil;a para parcelas da ampla burocracia sindical que est&aacute; sendo atacada pelas medidas neoliberais. A fraqueza do PSOL (e a pol&iacute;tica passiva de uma parte de sua dire&ccedil;&atilde;o), que abordaremos logo em seguida, tamb&eacute;m &eacute; um limite da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.</p>\n<p>A disputa pela dire&ccedil;&atilde;o &eacute; muito contradit&oacute;ria. As principais dire&ccedil;&otilde;es animadoras do movimento que apoiaram junho de 2013 t&ecirc;m dificuldades de construir uma narrativa comum e menos ainda uma pol&iacute;tica comum para forjar uma alternativa. Felizmente, jogando a favor, temos a lat&ecirc;ncia de Junho que tamb&eacute;m atua para um apelo &agrave; democracia para discutir e decidir as a&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o se explicaria a paralisa&ccedil;&atilde;o nos transportes em Porto Alegre, por exemplo, n&atilde;o fosse o processo aberto em Junho que culminou com a grande greve rodovi&aacute;ria do ano de 2014. Em outras cidades devemos ter muitos exemplos do mesmo tipo.</p>\n<h3><strong>7) Governo com mais dificuldades</strong></h3>\n<p>A declara&ccedil;&atilde;o do ministro Serraglio de minimizar a manifesta&ccedil;&atilde;o, classificando-a como p&iacute;fia caiu no rid&iacute;culo. Temer foi mais cuidadoso em sua nota. O governo tem dificuldades em apresentar uma linha mais clara para enfrentar o movimento de massas.<br /> A vit&oacute;ria na aprova&ccedil;&atilde;o da reforma trabalhista na C&acirc;mara dos Deputados garanti ao governo um f&ocirc;lego relativo, por&eacute;m com uma margem cada vez menor. Como era uma vota&ccedil;&atilde;o que lhe exigia maioria simples, 296 votos conta 177, acendeu um sinal amarelo com rela&ccedil;&atilde;o aos 308 votos necess&aacute;rios para aprova&ccedil;&atilde;o da reforma da previd&ecirc;ncia. Mesmo a aprova&ccedil;&atilde;o da reforma trabalhista no senado ser&aacute; uma opera&ccedil;&atilde;o complicada para Temer.</p>\n<p>No plano econ&ocirc;mico, o desemprego superou a barreira dos 14 milh&otilde;es e no plano pol&iacute;tico, ap&oacute;s a dela&ccedil;&atilde;o da Odebrecht, o parlamento se desmoraliza cada vez mais e o pr&oacute;prio Temer atinge o fundo do po&ccedil;o em termos estat&iacute;sticos, com p&iacute;fios 4 % de aprova&ccedil;&atilde;o popular. Mas a burguesia segue com sua santa alian&ccedil;a, ainda que com a amea&ccedil;a de fissuras, para levar o ajuste adiante.</p>\n<h3><strong>8) PSOL e seus dirigentes cumpriram um papel importante onde atuam em sindicatos e impulsionaram a&ccedil;&otilde;es coordenadas</strong></h3>\n<p>Apesar do protagonismo da burocracia das centrais, n&atilde;o pode minimizar o peso da esquerda em alguns piquetes e paralisa&ccedil;&otilde;es. O caso de Porto Alegre e dos metrovi&aacute;rios de SP foi o mais emblem&aacute;tico.<br /> O MES teve uma participa&ccedil;&atilde;o importante nos piquetes, junto com outros setores de esquerda, que bancaram esse m&eacute;todo e o sustentaram.</p>\n<p>No Rio Grande do Sul, o PSOL atuou como partido. Nossos quadros estiveram garantindo a a&ccedil;&atilde;o nas garagens, n&atilde;o apenas de fora para dentro, mas disputando e intervindo sobre a vanguarda da categoria. Uma parte importante dos l&iacute;deres rodovi&aacute;rios da cidade s&atilde;o militantes ou amigos do partido e de nossa corrente. O Partido atua tamb&eacute;m no sindicato dos metrovi&aacute;rios e garantiu a participa&ccedil;&atilde;o de sua milit&acirc;ncia nos piquetes da regi&atilde;o metropolitana e Pelotas. O sindicato da sa&uacute;de jogou suas for&ccedil;as para convocar na cidade, com carro-som e na m&iacute;dia local. Sindicatos como o da Justi&ccedil;a Federal cumpriram papel decisivo na articula&ccedil;&atilde;o com os setores m&eacute;dio da Justi&ccedil;a do Trabalho. Distribuiu quase 200 mil panfletos e suas figuras p&uacute;blicas, Luciana Genro, Pedro Ruas, os vereadores da cidade estiveram nas manifesta&ccedil;&otilde;es e nos piquetes. Roberto Robaina na linha de frente dos piquetes rodovi&aacute;rios e Fernanda Melchionna, al&eacute;m da garagens, construindo a greve entre os municip&aacute;rios, Alex esteve no piquete da Zona Sul da cidade. Fernanda Miranda e Guto Lopes, vereadores, atuaram em Pelotas e Viam&atilde;o, respectivamente. O Juntos levou mais de 60 ativistas para participar das atividades junto aos trabalhadores. Aqui logramos unidade com a CTB e a dire&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica do sindicato dos rodovi&aacute;rios (FS), sem perder a independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica, tanto que s&atilde;o os militantes psolistas que estar&atilde;o a frente das elei&ccedil;&otilde;es da pr&oacute;xima semana, onde se elegem novas dire&ccedil;&otilde;es para o DCE da UFRGS e os sindicato dos metal&uacute;rgicos de Caxias, ambas disputas entre PCdoB e PSOL. Como s&iacute;ntese, podemos dizer que no Rio Grande do Sul, o PSOL atuou como operador que unificou as diversas a&ccedil;&otilde;es de sua milit&acirc;ncia e que esta milit&acirc;ncia esteve na vanguarda da greve. Podemos dizer sem sombra de d&uacute;vida que sem o PSOL a greve geral n&atilde;o teria sido garantida em Porto Alegre porque os nossos militantes foram determinantes na paralisa&ccedil;&atilde;o dos trens e dos &ocirc;nibus. N&atilde;o atuamos isolados (no caso dos &ocirc;nibus a burocracia do sindicato atuou tamb&eacute;m nas garagens que dirigem e dando aval oficial para a greve). Mas fomos decisivos e a bandeira do partido apareceu abertamente.<br /> Disputamos esse perfil tamb&eacute;m em S&atilde;o Paulo, onde jogamos todas as for&ccedil;as para que a greve triunfasse, com colagens de massas, panfletos do mandato, presen&ccedil;a permanente de S&acirc;mia e uma for&ccedil;a-tarefa para apoiar o sindicato dos metrovi&aacute;rios na sua dif&iacute;cil tarefa.</p>\n<p>Em SP nossa milit&acirc;ncia fez uma intensa agita&ccedil;&atilde;o. Mas o MES n&atilde;o comanda o partido em SP. A marca do PSOL, portanto, n&atilde;o foi de ser operador da greve unificando sua milit&acirc;ncia e iniciativas neste sentido. Foi uma a&ccedil;&atilde;o de cada corrente individual, e a corrente que ainda tem peso majorit&aacute;rio no PSOL de SP n&atilde;o teve esta linha como centro. No caso de SP podemos dizer que mais importante foi nossa a&ccedil;&atilde;o unificada com o PSTU e outras correntes que atuam no metr&ocirc; de SP, o que foi determinante para a for&ccedil;a da paralisa&ccedil;&atilde;o. Aqui tamb&eacute;m n&atilde;o foi nem o PT nem a CUT que garantiu nada. Neste sentido foi uma continuidade do 15 de mar&ccedil;o e uma marca clara de constru&ccedil;&atilde;o de uma nova dire&ccedil;&atilde;o.</p>\n<p>Do ponto de vista de nossa corrente, estivemos nos piquetes da sa&iacute;da da Ponte Rio-Niter&oacute;i, da Zona Oeste em S&atilde;o Paulo, em v&aacute;rias cidades pelo pa&iacute;s, onde esse m&eacute;todo radicalizado serviu para apoiar a enorme maioria dos trabalhadores que n&atilde;o podem aderir &agrave; greve por ass&eacute;dio patronal. Como um m&eacute;todo coletivo, os piquetes abrem uma importante discuss&atilde;o, pela via do r&aacute;dio, das redes sociais, e de outras formas de comunica&ccedil;&atilde;o sobre os rumos do movimento.</p>\n<p>Em todo pa&iacute;s a milit&acirc;ncia do MES se jogou com toda for&ccedil;a pela greve. Nossos parlamentares, nossas lideran&ccedil;as sindicais e pol&iacute;ticas, a milit&acirc;ncia do Juntos, do Emancipa, dos sindicatos, das Juntas e de todas as nossas frentes. Fizemos um duro enfrentamento em todo pa&iacute;s e nos orgulhamos de ser parte ativa em todas as cidades onde o MES atua.</p>\n<p>Nesse exemplo, queremos afirmar a necessidade de disputar a dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do movimento e mesmo dentro do PSOL, disputar o perfil do Partido como um partido dirigente, de combate. A realidade do PSOL &eacute; desigual em todo pa&iacute;s. Reivindicamos o papel do PSOL no Rio Grande do Sul onde atuamos de forma unificada enquanto partido. Onde o PSOL atuou com for&ccedil;a ganhou protagonismo. Al&eacute;m do Rio Grande do Sul, isto ficou claro em regi&otilde;es como Natal, onde o Sintest e o mandato de Sandro foram parte dirigente do processo; em Recife onde atrav&eacute;s do SINPOL- sindicato dos policiais- o Partido esteve dirigindo os comandos de greve com a lideran&ccedil;a de Leandro Recife e militantes policiais, e com as bandeiras do Partido em Santa Catarina nas atividades de greve.</p>\n<p>No Rio de Janeiro, vale destacar a a&ccedil;&atilde;o de nossos militantes e de David Miranda que estava no piquete da ponte, e o fato de Glauber e Fl&aacute;vio terem sido atingidos durante o ato, o que tamb&eacute;m foi um fato pol&iacute;tico. Por&eacute;m diante da magnitude do movimento, no Rio de Janeiro falta ao Partido ter uma postura de intervir diretamente para disputar os rumos do movimento de massas e discutir essas tarefas com a vanguarda. Muitos setores do Partido como j&aacute; citado fazem isso, &agrave; frente de suas organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos, por&eacute;m o que estamos afirmando diz respeito &agrave;s dire&ccedil;&otilde;es do PSOL enquanto tal. Em n&iacute;vel nacional, a insufici&ecirc;ncia do partido por n&atilde;o ter uma orienta&ccedil;&atilde;o geral fica n&iacute;tida nos momentos onde a polariza&ccedil;&atilde;o transcende a luta parlamentar e ganha peso nas ruas. O partido n&atilde;o fez sequer um panfleto nacional chamando a greve. Nas redes sociais perdemos para o PSTU na divulga&ccedil;&atilde;o do movimento. A presid&ecirc;ncia do partido n&atilde;o articulou uma a&ccedil;&atilde;o unificada do partido nem animou a greve em qualquer cidade ou setor. A Funda&ccedil;&atilde;o Lauro Campos n&atilde;o deu suporte para tamanho fato hist&oacute;rico. Para n&atilde;o dar muitos exemplos do que n&atilde;o foi feito basta citar que as inser&ccedil;&otilde;es nacionais do partido na TV nos dias pr&eacute;vios &agrave; greve geral (dia 27 o partido teve inser&ccedil;&atilde;o), a greve geral n&atilde;o foi convocada. Esta passividade foi uma marca de parte da dire&ccedil;&atilde;o do PSOL.</p>\n<h3><strong>9) O lulismo ainda &eacute; a principal refer&ecirc;ncia do que genericamente identificado como &ldquo;esquerda&rdquo;</strong></h3>\n<p>A Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato desnudou o desastre da pol&iacute;tica de concilia&ccedil;&atilde;o de classes, mas diante da falta de alternativas e dos ataques brutais de Temer, Lula segue com for&ccedil;a, como mostra a pesquisa DataFolha de 30/4. Seu peso eleitoral se mant&eacute;m, como grande limite da conjuntura atual. Isso mostra os limites de uma situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o consegue colocar na pauta uma ideia nova que supere o reformismo e a l&oacute;gica do mal menor. Onde o PSOL &eacute; mais passivo pior fica. Mas a mobiliza&ccedil;&atilde;o ajuda as categorias a se animarem para dar passos na luta de resist&ecirc;ncia. Isso vai gerar novas e maiores contradi&ccedil;&otilde;es. Est&aacute; claro que haver&aacute; uma disputa renhida de dire&ccedil;&atilde;o. A falta de uma pol&iacute;tica do PSOL para mostrar sua cara pr&oacute;pria para al&eacute;m das elei&ccedil;&otilde;es e ainda fraca inser&ccedil;&atilde;o do partido &eacute; uma das dificuldades maiores da conjuntura.</p>\n<p>A CUT e o PT com Lula a frente v&atilde;o buscar uma estrat&eacute;gia de negocia&ccedil;&atilde;o para um grande acordo nacional, com sinais de Jobim e Mendes nessa dire&ccedil;&atilde;o. A For&ccedil;a Sindical tamb&eacute;m negocia numa linha de &ldquo;media&ccedil;&atilde;o sindical&rdquo; para uma reforma da previd&ecirc;ncia mais amena. Nunca foi t&atilde;o verdadeira a ideia de que o velho est&aacute; morrendo, mas o novo ainda n&atilde;o nasceu. Isso faz com que a morte do velho seja mais lenta.</p>\n<h3><strong>10) O PSOL deve lutar para ter cara pr&oacute;pria na conjuntura</strong></h3>\n<p>Essa &eacute; a tarefa da reuni&atilde;o do DN dos dias 6 e 7. O Partido precisa atual como tal, colocando sua for&ccedil;a, suas lideran&ccedil;as e o prest&iacute;gio de seus parlamentares n&atilde;o s&oacute; na den&uacute;ncia da repress&atilde;o ou das vota&ccedil;&otilde;es em Bras&iacute;lia, mas tamb&eacute;m &agrave; servi&ccedil;o da mobiliza&ccedil;&atilde;o para derrotar o ajuste de conjunto, e ao mesmo tempo discutir um plano alternativo de emerg&ecirc;ncia. &Eacute; preciso intensificar a demarca&ccedil;&atilde;o com o lulismo, que utilizar&aacute; o capital pol&iacute;tico que ainda tem para salvar sua pele. O partido deve estar nas lutas, apoi&aacute;-las, articula-las, levar suas bandeiras, colocar seus parlamentares &agrave; servi&ccedil;o.</p>\n<p>E o partido deve ter uma pol&iacute;tica global alternativa.<br /> Neste pol&iacute;tica, al&eacute;m de medidas econ&ocirc;micas como a defesa da taxa&ccedil;&atilde;o sobre as grandes fortunas, o PSOL n&atilde;o pode vacilar no apoio &agrave; Lava Jato, nos termos que tem escrito Luciana Genro insistentemente. A for&ccedil;a que mant&eacute;m seu nome na pesquisa &eacute; um indicativo da luta por uma nova pol&iacute;tica, que o PSOL deve desenvolver.</p>\n<h3><strong>11) &Eacute; preciso refor&ccedil;ar os la&ccedil;os associativos, a presen&ccedil;a nos locais de trabalho e a democracia para decidir os rumos do movimento</strong></h3>\n<p>Devemos aproveitar a &ldquo;brecha&rdquo; que a unidade entre os sindicatos nos possibilita para exercer a necess&aacute;ria extens&atilde;o do movimento: juntando categorias, associa&ccedil;&otilde;es de bairro para discutir o balan&ccedil;o do &ecirc;xito do dia 28 e as novas medidas. Exigir democracia nos locais de trabalho e um plano de luta para seguir. Est&aacute; posta a necessidade de uma nova greve geral, maior, mais profunda e contundente, para seguir o embate contra as reformas.</p>\n<p>Devemos lutar por unir a pauta da reforma &ndash; seguir e ampliar a frente &uacute;nica &ndash; com as pautas reivindicativas &ndash; contra o atraso nos sal&aacute;rios, em defesa do emprego e dar voz &agrave; luta contra a corrup&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; qualitativo, na juventude e no meio popular. Apoiar a luta dos bairros pobres e favelas, cada vez mais explosivas.</p>\n<h3><strong>12) Agitar o Fora Temer e o Congresso Nacional</strong></h3>\n<p>Devemos avan&ccedil;ar na agita&ccedil;&atilde;o da derrubada do governo como uma necessidade estrat&eacute;gica e a supera&ccedil;&atilde;o do regime da Lava-Jato por uma assembleia popular constituinte que discuta os rumos do Brasil. Um programa de emerg&ecirc;ncia que tenha medidas de car&aacute;ter econ&ocirc;mico como o imposto sobre as grandes fortunas, impostos sobre dividendos, auditoria da d&iacute;vida p&uacute;blica, a defesa dos postos de trabalho, a defesa dos sal&aacute;rios e valoriza&ccedil;&atilde;o dos servidores p&uacute;blicos, assim como a luta contra o genoc&iacute;dio da juventude negra na periferia. As mulheres tamb&eacute;m ganharam peso na luta, unindo as demandas de g&ecirc;nero &agrave;s lutas gerais da classe trabalhadora. Nossas porta-vozes tem sido destaque neste embate, e ele tende a ganhar cada vez mais peso, assim como a luta contra o racismo, a LGBTfobia e as demandas da juventude em geral.</p>\n<p>No sentido hist&oacute;rico, a greve geral foi uma grande escola para a luta. Os militantes v&atilde;o se forjando, no calor dos piquetes, avan&ccedil;ando nas estruturas da classe; nossas figuras p&uacute;blicas v&atilde;o se postulando como &ldquo;tribunos do povo&rdquo;. Precisamos seguir pois grandes batalhas est&atilde;o por vir.</p>\n</div>","fields":{"slug":"blog/elementos-da-conjuntura-pós-greve-geral/"},"frontmatter":{"categories":["MES"],"publish_date":"2017-05-01T20:35:47.000Z","title":"Elementos da conjuntura pós-greve geral","description":"Minuta do Movimento Esquerda Socialista publicada no primeiro de maio de 2017","featured_image":{"childImageSharp":{"fluid":{"base64":"data:image/jpeg;base64,/9j/2wBDABALDA4MChAODQ4SERATGCgaGBYWGDEjJR0oOjM9PDkzODdASFxOQERXRTc4UG1RV19iZ2hnPk1xeXBkeFxlZ2P/2wBDARESEhgVGC8aGi9jQjhCY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2P/wgARCAANABQDASIAAhEBAxEB/8QAGAAAAwEBAAAAAAAAAAAAAAAAAAIEAwX/xAAWAQEBAQAAAAAAAAAAAAAAAAADAAH/2gAMAwEAAhADEAAAAeY2NZpKObf/xAAZEAEBAQEBAQAAAAAAAAAAAAABAgASESH/2gAIAQEAAQUC86zKTzhdYzD9f//EABYRAQEBAAAAAAAAAAAAAAAAAAARIf/aAAgBAwEBPwHEf//EABURAQEAAAAAAAAAAAAAAAAAABAh/9oACAECAQE/Aaf/xAAZEAACAwEAAAAAAAAAAAAAAAABEAARMSH/2gAIAQEABj8C4JjBvV//xAAaEAADAQEBAQAAAAAAAAAAAAAAAREhMUFR/9oACAEBAAE/IVSeO703DJX6QibHDVcJpen/2gAMAwEAAgADAAAAEOj/AP/EABgRAAIDAAAAAAAAAAAAAAAAAAABEUFR/9oACAEDAQE/EE2ohh//xAAXEQEBAQEAAAAAAAAAAAAAAAABEQAx/9oACAECAQE/EGWHNXf/xAAcEAEAAgIDAQAAAAAAAAAAAAABABExQSFRYeH/2gAIAQEAAT8QS83TfbuGdTD21C4fZQChdS6dm6THmY6cWVBwT//Z","aspectRatio":1.5,"src":"/static/731e7155e7d18766f564bbbdaa039849/a6352/foratemer-2016.jpg","srcSet":"/static/731e7155e7d18766f564bbbdaa039849/40426/foratemer-2016.jpg 240w,\n/static/731e7155e7d18766f564bbbdaa039849/9104c/foratemer-2016.jpg 480w,\n/static/731e7155e7d18766f564bbbdaa039849/a6352/foratemer-2016.jpg 960w","sizes":"(max-width: 960px) 100vw, 960px"},"og":{"src":"/static/foratemer-2016-731e7155e7d18766f564bbbdaa039849.jpg","width":960,"height":639}}},"keywords_string":"MES movimento esquerda socialista PSOL fora temer direitos conjuntura crise greve geral"}}},"pageContext":{"slug":"blog/elementos-da-conjuntura-pós-greve-geral/"}},"staticQueryHashes":["1507539293","2242502613"]}