{"componentChunkName":"component---src-templates-single-md-js","path":"/blog/o-ambiguo-saldo-ambiental-do-brasil-dw/","result":{"data":{"markdownRemark":{"html":"<p><a href=\"http://www.dw.com/pt-br/o-amb%C3%ADguo-saldo-ambiental-do-brasil/a-44079507\" target=\"_blank\">Por Nadia Pontes. Texto originalmente publicado em DW Brasil em 05/06/2018</a></p>\n<hr />\n<p>Do ac&uacute;mulo de pl&aacute;sticos no oceano &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o das florestas e &agrave; resposta ao desastre de Mariana: neste Dia Mundia do Meio Ambiente, a DW Brasil fez um balan&ccedil;o mostrando como pa&iacute;s trata seu patrim&ocirc;nio ambiental.</p>\n<p><strong>Mares de pl&aacute;stico</strong></p>\n<p>O lixo pl&aacute;stico nos oceanos se transformou numa campanha global liderada pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas em 2018. Estima-se que, se nada for feito para reverter a tend&ecirc;ncia, haver&aacute; mais pl&aacute;stico do que peixes nos mares at&eacute; 2050.&nbsp;</p>\n<p>Ainda n&atilde;o se sabe exatamente de onde vem o lixo que polui o Atl&acirc;ntico Sul, que banha a costa do Brasil. \"Boa parte do lixo que chega ao mar vem de fontes terrestres\", afirma Alexander Turra, pesquisador do Instituto Oceanogr&aacute;fico da USP (Universidade de S&atilde;o Paulo).&nbsp;</p>\n<p>\"Nas praias, a polui&ccedil;&atilde;o ocorre de acordo com as atividades que s&atilde;o realizadas nos seus arredores\", adiciona Turra. Na regi&atilde;o de Santos, litoral sul de S&atilde;o Paulo, por exemplo, cotonetes s&atilde;o encontrados com facilidade. \"Isso se deve ao fato de a principal fonte de polui&ccedil;&atilde;o ser o esgoto. As pessoas jogam o cotonete na privada, d&atilde;o descarga, e tudo vai parar no mar\", explica.&nbsp;</p>\n<p>No Brasil, o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente acaba de criar uma comiss&atilde;o para lan&ccedil;ar, em 2019, o Plano Nacional de Combate ao Lixo do Mar. Segundo Turra, que integra a comiss&atilde;o, as fontes de lixo que poluem o mar ser&atilde;o mapeadas como parte do Plano.&nbsp;</p>\n<p><strong>Mais ou menos verde?</strong></p>\n<p>No &uacute;ltimo ano, o mapa de &aacute;reas protegidas no pa&iacute;s ganhou novos pontos. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que abriga um cerrado conservado, foi ampliado. A maior extens&atilde;o de caatinga preservada, regi&atilde;o conhecida como Boqueir&atilde;o da On&ccedil;a, virou &aacute;rea protegida depois de mais de dez anos de espera. No mar, dois mosaicos de conserva&ccedil;&atilde;o foram criados. &nbsp;</p>\n<p>Por outro lado, organiza&ccedil;&otilde;es apontam ofensivas que enfraquecem a Floresta Amaz&ocirc;nica. No estado de Rond&ocirc;nia, 11 unidades de conserva&ccedil;&atilde;o criadas em mar&ccedil;o &uacute;ltimo tiveram uma vida curta: apenas oito dias. A Assembleia Legislativa anulou os decretos que protegeriam 537 mil hectares, o equivalente a 3,5 cidades de S&atilde;o Paulo. As unidades haviam recebido 657&nbsp;mil reais do Programa&nbsp;&Aacute;reas Protegidas&nbsp;da&nbsp;Amaz&ocirc;nia (ARPA).</p>\n<p>\"Estamos enfrentando o mais preocupante ataque ao Sistema Nacional de Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o dos &uacute;ltimos anos\", alerta Jaime Gesisky, do WWF. \"O debate sobre manter ou mesmo ampliar unidades de conserva&ccedil;&atilde;o deve ser central nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de meio ambiente, permear todos os setores nos governos federal, estaduais e municipais.&nbsp;Mas essa agenda acaba sendo capturada por interesses ligados a setores produtivos, como o agroneg&oacute;cio e a minera&ccedil;&atilde;o, com forte representa&ccedil;&atilde;o nos tr&ecirc;s poderes\", critica.</p>\n<p><strong>Situa&ccedil;&atilde;o das florestas</strong></p>\n<p>A redu&ccedil;&atilde;o da taxa de destrui&ccedil;&atilde;o da Mata Atl&acirc;ntica &eacute; um dos motivos que o Brasil tem para comemorar neste Dia Mundial do meio Ambiente. Entre 2016 e 2017, a queda foi de 56,8% em rela&ccedil;&atilde;o ao per&iacute;odo anterior. Ainda assim, foram desmatados&nbsp;125 km2, o menor valor total de desmatamento da s&eacute;rie hist&oacute;rica do monitoramento, feito pela Funda&ccedil;&atilde;o SOS Mata Atl&acirc;ntica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).</p>\n<p>Ao mesmo tempo, outra s&eacute;rie de observa&ccedil;&otilde;es &eacute; fonte de preocupa&ccedil;&atilde;o. \"De janeiro a abril, verificamos uma taxa de desmatamento maior da Floresta Amaz&ocirc;nica em rela&ccedil;&atilde;o ao mesmo per&iacute;odo do ano anterior\", comenta Paulo Barreto, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz&ocirc;nia (Imazon), que faz o monitoramento independente do Inpe. Em abril, o aumento foi de 87%. Em mar&ccedil;o, de 249%.&nbsp;</p>\n<p>\"Normalmente, a taxa vem de uma combina&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica e da parte econ&ocirc;mica. Na pol&iacute;tica vemos essa instabilidade, o governo tentou muito no ano passado reduzir a prote&ccedil;&atilde;o\", justifica Barreto. Por outro lado, o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente conseguiu recuperar parte do or&ccedil;amento perdido que era usado na fiscaliza&ccedil;&atilde;o, adiciona Barreto.&nbsp;</p>\n<p>O dado de desmatamento anual deve ser apresentado em agosto pelo INPE. Um relat&oacute;rio lan&ccedil;ado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz&ocirc;nia (IPAM)&nbsp;sobre medidas para zerar o desmatamento revelou que 20% da floresta original j&aacute; foi destru&iacute;da. Seriam 780 mil km2 de mata nativa perdidos &ndash; uma &aacute;rea mais do que duas vezes maior que a Alemanha.</p>\n<p><strong>Batalhas no Congresso</strong></p>\n<p>As atividades no Congresso no &uacute;ltimo ano provocaram pol&ecirc;micas. \"O&nbsp;pior deste &uacute;ltimo ano para o meio ambiente foi a consolida&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o absolutamente indecente entre a presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e a bancada ruralista\", critica Carlos Ritll, do Observat&oacute;rio do Clima.&nbsp;</p>\n<p>Rittl afirma que votos de deputados foram trocados por desmonte da Funai, retirada de direitos de povos ind&iacute;genas, aprova&ccedil;&atilde;o da \"lei da grilagem\" (lei 13.465/17), anistia a multa e d&iacute;vidas de deputados da bancada ruralista, tentativas de enfraquecimento do licenciamento ambiental e redu&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas protegidas.&nbsp;</p>\n<p>Para M&aacute;rcio Astrini, do Greenpeace, o Congresso e o Pal&aacute;cio do Planalto representam a maior amea&ccedil;a ao meio ambiente. \"Como exemplo temos medidas provis&oacute;rias como a que estende benef&iacute;cios de at&eacute; 1 trilh&atilde;o de reais petroleiras, al&eacute;m da prorroga&ccedil;&atilde;o do prazo do Cadastro Ambiental Rural, que s&atilde;o algumas das medidas que diminuem a capacidade do Estado de intervir no combate ao crime ambiental\", cita Astrini.&nbsp;</p>\n<p>Uma ressalva &eacute; feita sobre a atua&ccedil;&atilde;o do Ibama. \"Por combater o crime ambiental, o Ibama teve carros queimados\", menciona Astrini a onda de viol&ecirc;ncia contra a organiza&ccedil;&atilde;o registrada recentemente. Segundo a institui&ccedil;&atilde;o, foram incendiados nos &uacute;ltimos meses oito caminhonetes num caminh&atilde;o-cegonha, uma caminhonete e a sede do Ibama em Humait&aacute;, estado do Amazonas.&nbsp;</p>\n<p><strong>Movimento de resist&ecirc;ncia</strong>&nbsp;</p>\n<p>Ainda na &aacute;rea ambiental, algumas decis&otilde;es de governo provocaram fortes rea&ccedil;&otilde;es &ndash; inclusive de servidores. O caso mais recente &eacute; a indica&ccedil;&atilde;o do pol&iacute;tico Caio Tavares para comandar o Instituto Chico Mendes para a Conserva&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade (ICMBio).&nbsp;</p>\n<p>Segundo o corpo t&eacute;cnico do ICMBio, que gerencia parques, reservas, esta&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas e outras &aacute;reas protegidas federais do pa&iacute;s, Tavares, de 31 anos, n&atilde;o teria qualquer experi&ecirc;ncia na &aacute;rea ambiental. A indica&ccedil;&atilde;o gerou protestos inclusive de ex-ministros do Meio Ambiente, que escreveram uma carta ao presidente Michel Temer manifestando \"extrema preocupa&ccedil;&atilde;o\".</p>\n<p>Uma resist&ecirc;ncia da mesma natureza fez o governo voltar atr&aacute;s depois de liberar a&nbsp;Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), na Floresta Amaz&ocirc;nica, para a explora&ccedil;&atilde;o das mineradoras. Nesse caso, a atua&ccedil;&atilde;o da modelo e ativista ambiental Gisele B&uuml;ndchen pesou.&nbsp;</p>\n<p>Propostas aguardando vota&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara dos Deputados e Senado Federal despertam movimenta&ccedil;&atilde;o semelhante: uma lei que libera uso de mais agrot&oacute;xicos, retirada da informa&ccedil;&atilde;o do r&oacute;tulo de produtos transg&ecirc;nicos e libera&ccedil;&atilde;o de cana-de-a&ccedil;&uacute;car na Amaz&ocirc;nia. &nbsp;</p>\n<p><strong>Mariana sem repara&ccedil;&atilde;o&nbsp;</strong></p>\n<p>A maior trag&eacute;dia ambiental do pa&iacute;s segue sem acordo final. Dois anos e meio depois do rompimento da barragem de rejeitos de Fund&atilde;o, em Mariana (MG), o acordo final sobre a repara&ccedil;&atilde;o dos danos ainda n&atilde;o foi fechado. Naquele 5 de novembro de 2015, 19 pessoas morreram, vilarejos, casas e mem&oacute;rias foram destru&iacute;dos pela enxurrada.&nbsp;</p>\n<p>Pela quinta vez, as empresas Samarco, Vale e BHP, donas da mineradora de onde a lama de rejeitos partiu, conseguiram estender junto &agrave; 12&ordf; Vara da Justi&ccedil;a Federal em Belo Horizonte&nbsp;o prazo para apresentar os termos do acordo. A a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica pede 155 bilh&otilde;es de reais para repara&ccedil;&atilde;o dos danos sociais, ambientais e econ&ocirc;micos causados pela trag&eacute;dia.</p>\n<p>Os mais de 39&nbsp;milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos de res&iacute;duos de minera&ccedil;&atilde;o que escoaram pelo rio Doce at&eacute; o mar continuam no ambiente. A remo&ccedil;&atilde;o deve ser feita sob a responsabilidade da Funda&ccedil;&atilde;o Renova, criada para cuidar de todo o processo de repara&ccedil;&atilde;o e restaura&ccedil;&atilde;o ambiental.</p>","fields":{"slug":"blog/o-ambiguo-saldo-ambiental-do-brasil-dw/"},"frontmatter":{"categories":[],"publish_date":"2018-06-05T16:59:41.000Z","title":"O ambíguo saldo ambiental do Brasil","description":"Do acúmulo de plásticos no oceano à preservação das florestas e à resposta ao desastre de Mariana: neste Dia Mundia do Meio Ambiente, a DW Brasil fez um balanço mostrando como país trata seu patrimônio ambiental.","featured_image":{"childImageSharp":{"fluid":{"base64":"data:image/jpeg;base64,/9j/2wBDABALDA4MChAODQ4SERATGCgaGBYWGDEjJR0oOjM9PDkzODdASFxOQERXRTc4UG1RV19iZ2hnPk1xeXBkeFxlZ2P/2wBDARESEhgVGC8aGi9jQjhCY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2P/wgARCAALABQDASIAAhEBAxEB/8QAGQAAAgMBAAAAAAAAAAAAAAAAAAMBAgQF/8QAFgEBAQEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAEC/9oADAMBAAIQAxAAAAFtERmbDmB//8QAGhAAAgIDAAAAAAAAAAAAAAAAAAIBEwMSMf/aAAgBAQABBQK4jJqXKLA3T//EABURAQEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR/9oACAEDAQE/AYj/xAAXEQEBAQEAAAAAAAAAAAAAAAABAAIT/9oACAECAQE/AXTdG//EABgQAAMBAQAAAAAAAAAAAAAAAAEQEQAx/9oACAEBAAY/Auamllf/xAAaEAEBAQADAQAAAAAAAAAAAAABEQAhMVFh/9oACAEBAAE/IZnGVWtvk4lL5nAOsrd//9oADAMBAAIAAwAAABAv7//EABYRAQEBAAAAAAAAAAAAAAAAAAARMf/aAAgBAwEBPxDCH//EABYRAAMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAEQIf/aAAgBAgEBPxAKo//EABkQAQEBAQEBAAAAAAAAAAAAAAERACExQf/aAAgBAQABPxBsHHy2zcwPo+Zv0HFgo09zMJXhvuO//9k=","aspectRatio":1.7777777777777777,"src":"/static/e78075005d0a833ac5f6220693befcbc/9a128/40306448_303.jpg","srcSet":"/static/e78075005d0a833ac5f6220693befcbc/40426/40306448_303.jpg 240w,\n/static/e78075005d0a833ac5f6220693befcbc/9104c/40306448_303.jpg 480w,\n/static/e78075005d0a833ac5f6220693befcbc/9a128/40306448_303.jpg 700w","sizes":"(max-width: 700px) 100vw, 700px"},"og":{"src":"/static/40306448_303-e78075005d0a833ac5f6220693befcbc.jpg","width":700,"height":394}}},"keywords_string":"ambiental preservação florestas mariana meio ambiente Brasil"}}},"pageContext":{"slug":"blog/o-ambiguo-saldo-ambiental-do-brasil-dw/"}},"staticQueryHashes":["1507539293","2242502613"]}