{"componentChunkName":"component---src-templates-single-md-js","path":"/blog/samia-bomfim-psol-sao-paulo-vereadora/","result":{"data":{"markdownRemark":{"html":"<p><em>(Texto escrito por Paula Kaufmann, S&acirc;mia Bomfim e Pedro Serrano, dirigentes do MES-SP. Originalmente publicado no <a href=\"https://movimentorevista.com.br/2016/10/samia-bomfim-psol-sao-paulo/\" target=\"_blank\">site da Revista Movimento</a> em 26 de Outubro de 2016)</em></p>\n<p>As elei&ccedil;&otilde;es municipais de 2016, no Brasil, aconteceram num momento de crise generalizada. Com a economia em retra&ccedil;&atilde;o, o desemprego e a infla&ccedil;&atilde;o em alta, um profundo desgaste da pol&iacute;tica institucional e da experi&ecirc;ncia recente do PT como governo, os resultados eleitorais acabaram premiando, majoritariamente, a direita. Foi o que ocorreu em S&atilde;o Paulo, cidade em que Jo&atilde;o D&oacute;ria (PSDB) foi eleito em primeiro turno com 53% dos votos v&aacute;lidos. Empres&aacute;rio, milion&aacute;rio, ex-apresentador de tev&ecirc;, afilhado pol&iacute;tico do governador Alckmin, o tucano apresenta suas credenciais na condi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;gestor&rdquo; do munic&iacute;pio: privatiza&ccedil;&atilde;o dos bens p&uacute;blicos, sucateamento dos servi&ccedil;os, ajuste fiscal, repress&atilde;o aos movimentos sociais e alinhamento pol&iacute;tico com Alckmin, Temer e seus asseclas, como Alexandre de Moraes, Ministro da Justi&ccedil;a.</p>\n<p>Entretanto, se as elei&ccedil;&otilde;es apontaram um cen&aacute;rio de dificuldades para o pr&oacute;ximo per&iacute;odo, tamb&eacute;m nela se materializaram polos de resist&ecirc;ncia e se produziram vit&oacute;rias dos setores progressistas. A polariza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que se abriu a partir de junho de 2013 e o protagonismo crescente de novos movimentos sociais, dos setores da juventude e das mulheres, levou a que figuras p&uacute;blicas renovadas surgissem em diferentes cidades do pa&iacute;s, como representantes das &ldquo;vozes das ruas&rdquo; e estabelecendo um contraponto radical &agrave; forma falida de se fazer pol&iacute;tica atualmente.</p>\n<p>Consideramos a vit&oacute;ria de S&acirc;mia Bomfim, primeira vereadora eleita pelo PSOL em S&atilde;o Paulo e a mais jovem mulher a ocupar o posto na C&acirc;mara Municipal da cidade, um exemplo nesse sentido. Ainda mais acompanhada da elei&ccedil;&atilde;o de outras vereadoras combativas do PSOL em estados como RS, RJ e MG, al&eacute;m do interior de S&atilde;o Paulo, mulheres que j&aacute; inauguram a constru&ccedil;&atilde;o de uma in&eacute;dita &ldquo;Bancada Feminista&rdquo;.</p>\n<p>S&acirc;mia Bomfim tem vinte e sete anos, &eacute; formada no curso de Letras na USP, onde iniciou sua milit&acirc;ncia no movimento estudantil, e h&aacute; cinco anos &eacute; servidora p&uacute;blica na mesma universidade, tendo participado ativamente de greves e do movimento sindical. Ela tornou-se uma das principais lideran&ccedil;as da &ldquo;Primavera Feminista&rdquo; que eclodiu no pa&iacute;s em 2015 a partir da luta contra Eduardo Cunha e que se expressou em campanhas nas redes e nas ruas antes e depois desse evento. Antes disso, havia sido parte ativa dos levantes em junho de 2013 e de todo tipo de enfrentamento de rua, na cidade e no estado, durante as gest&otilde;es de Alckmin e Haddad. Como militante do MES e parte de importantes experi&ecirc;ncias recentes da corrente, como a constru&ccedil;&atilde;o do Juntos! e do Juntas!, S&acirc;mia agora se coloca em condi&ccedil;&atilde;o de ser uma das principais porta-vozes de uma gera&ccedil;&atilde;o de lutadores e lutadoras na maior cidade do pa&iacute;s, al&eacute;m de renovar a presen&ccedil;a da esquerda socialista e revolucion&aacute;ria no parlamento.</p>\n<h3><strong>O pa&iacute;s em crise e um PSOL que resiste e cresce</strong></h3>\n<p>&Eacute; preciso entender o triunfo da elei&ccedil;&atilde;o de S&acirc;mia no marco da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nacional e do desempenho do PSOL. As elei&ccedil;&otilde;es municipais de 2016 foram as primeiras a ocorrer ap&oacute;s os levantes de junho de 2013. Houve um turbilh&atilde;o de lutas e de fatos pol&iacute;ticos, avan&ccedil;os e retrocessos, de l&aacute; at&eacute; agora. Num curto espa&ccedil;o de tempo, tivemos os embates contra a Copa do Mundo em 2014, protagonizados pelo MTST e com peso em S&atilde;o Paulo; levantes contra o aumento das tarifas dos transportes, em 2015 e 2016; o extraordin&aacute;rio ascenso secundarista em 2015; a j&aacute; referida Primavera das Mulheres, que tomou as ruas e as redes e que segue em curso; in&uacute;meras greves em setores do funcionalismo p&uacute;blico, como professores, metr&ocirc; e universidades; grandes Marchas da Maconha e paradas LGBT; entre diversos exemplos.</p>\n<p>Contudo, a din&acirc;mica p&oacute;s-junho n&atilde;o foi linear e tampouco desenvolvida apenas &agrave; esquerda. A direita logrou disputar o imagin&aacute;rio dos protestos e das mobiliza&ccedil;&otilde;es, dirigindo gigantescas marchas de car&aacute;ter reacion&aacute;rio e desenvolvendo seus pr&oacute;prios &ldquo;movimentos sociais&rdquo;, simulacros das ferramentas hist&oacute;ricas dos trabalhadores e da juventude, como o MBL e o Vem Pra Rua. No terreno da pol&iacute;tica, aproveitaram-se da aus&ecirc;ncia de uma alternativa de esquerda para impor, como resposta &agrave; fal&ecirc;ncia do PT, o golpe parlamentar do impeachment, que conduziu ao governo federal os setores mais atrasados e fisiol&oacute;gicos da pol&iacute;tica nacional, obstinados em implementar medidas brutais de ajustes e retrocessos em direitos, como a recente aprova&ccedil;&atilde;o da PEC 55 e o in&iacute;cio da tramita&ccedil;&atilde;o da Reforma da Previd&ecirc;ncia. Conforme avan&ccedil;a a Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato, esse mesmo governo tem seu envolvimento nos esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o exposto cotidianamente aos olhos de todo o pa&iacute;s, o que aumenta o absurdo da situa&ccedil;&atilde;o e indigna as brasileiras e os brasileiros, j&aacute; hoje amplamente contr&aacute;rios a Temer e favor&aacute;veis a novas elei&ccedil;&otilde;es gerais.</p>\n<p>Diante dessa crise econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica, o maior receio da classe dominante &eacute; que se produza uma alternativa de esquerda no pa&iacute;s. Um polo que possa expressar, na arena pol&iacute;tica, a efervesc&ecirc;ncia das lutas sociais que n&atilde;o param de se desenvolver. O PSOL, mesmo com suas limita&ccedil;&otilde;es, &eacute; hoje o partido mais credenciado para tal, e por essa raz&atilde;o foi organizada, antes das elei&ccedil;&otilde;es de 2016, uma reforma eleitoral que atingiu diretamente nosso partido: a maior parte de nossos candidatos e candidatas &agrave;s prefeituras n&atilde;o tiveram mais de 10 segundos de tempo na televis&atilde;o, muitos foram exclu&iacute;dos dos debates, e as candidaturas proporcionais contaram com pouqu&iacute;ssimos recursos e oportunidades para divulga&ccedil;&atilde;o de suas ideias. O regime trabalhou para que n&atilde;o surgissem novas experi&ecirc;ncias como a de Luciana Genro candidata &agrave; presid&ecirc;ncia em 2014, quando o PSOL ficou em 4&ordm; lugar, polarizou os debates na televis&atilde;o e referenciou um pequeno mas importante setor da sociedade em torno de propostas radicais.</p>\n<p>Mas o objetivo geral de apagamento do PSOL da cena pol&iacute;tica n&atilde;o foi atingido. Essa foi uma importante vit&oacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es de 2016. Embora a reforma eleitoral tenha limitado um crescimento exponencial, o PSOL preservou seu espa&ccedil;o e at&eacute; mesmo cresceu. A ida para os segundos turnos no Rio de Janeiro, Bel&eacute;m e Sorocaba, al&eacute;m dos bons desempenhos nos primeiros turnos de cidades como Porto Alegre, foram postos importantes de postula&ccedil;&atilde;o nacional. E da mesma forma o crescimento da representa&ccedil;&atilde;o legislativa, ainda mais renovando o perfil de nossos parlamentares, com mais lideran&ccedil;as jovens e mulheres. S&atilde;o Paulo, de que falaremos melhor adiante, inscreve-se nesse marco.</p>\n<p>A resist&ecirc;ncia e o crescimento do PSOL s&oacute; ocorreram por conta da combina&ccedil;&atilde;o de dois fatores: a refer&ecirc;ncia que o partido criou nos &uacute;ltimos anos de atua&ccedil;&atilde;o parlamentar &eacute;tica e combativa; e a sintonia real de nossa milit&acirc;ncia com os processos vivos de luta e enfrentamento. Em S&atilde;o Paulo, &eacute; imposs&iacute;vel entender a elei&ccedil;&atilde;o de S&acirc;mia Bomfim sen&atilde;o considerando sua campanha como express&atilde;o das m&uacute;ltiplas lutas citadas acima, de que S&acirc;mia e nosso grupo foram parte. Portanto, da s&iacute;ntese desses elementos queremos construir seu mandato: um mandato-ativista, de combate e den&uacute;ncia permanente do sistema, de liga&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima com os interesses dos trabalhadores e dos movimentos sociais, um basti&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o das mulheres; enfim, um mandato que ter&aacute; lado definido na luta de classes, como um megafone das lutas do povo.</p>\n<h3><strong>S&atilde;o Paulo precisa de uma esquerda que n&atilde;o tema dizer o seu nome</strong></h3>\n<p>O resultado das elei&ccedil;&otilde;es em S&atilde;o Paulo apresenta ao mesmo tempo li&ccedil;&otilde;es e desafios para os lutadores da cidade. A avassaladora vit&oacute;ria de D&oacute;ria se explicou, em parte, pelo &ldquo;voto &uacute;til&rdquo; que ele logrou receber de muitos que n&atilde;o queriam a reelei&ccedil;&atilde;o de Haddad e vetaram a ida deste ao segundo turno, votando no tucano. Assim como no marco nacional, o PT saiu derrotado. As regi&otilde;es perif&eacute;ricas, fi&eacute;is historicamente aos petistas, votaram no PSDB. E mesmo o &ldquo;voto &uacute;til&rdquo; de esquerda, que Haddad em parte atraiu para si na reta final da campanha, foi um tiro que saiu pela culatra, pois, ao impedir a &ldquo;dispers&atilde;o&rdquo; de votos no primeiro turno, acabou favorecendo a vit&oacute;ria de D&oacute;ria. O que explica esse cen&aacute;rio?</p>\n<p>A experi&ecirc;ncia de quatro anos de uma nova gest&atilde;o petista na cidade deixou conclus&otilde;es. Haddad foi eleito em 2012 na campanha mais cara a prefeito de todo o Brasil. No auge de seu prest&iacute;gio pol&iacute;tico, Lula escalou o marqueteiro Jo&atilde;o Santana (hoje preso por envolvimento em corrup&ccedil;&atilde;o) para vender a imagem de um &ldquo;Homem Novo&rdquo; para S&atilde;o Paulo. A &ldquo;novidade&rdquo; era constru&iacute;da com base no velho modus operandi petista para elei&ccedil;&otilde;es: rela&ccedil;&otilde;es prom&iacute;scuas de financiamento com os setores pesados do empresariado, rebaixamento program&aacute;tico e um plano de governo digno de um partido do sistema, sem nenhuma alian&ccedil;a ou compromisso com os setores populares e com a classe trabalhadora. Um s&iacute;mbolo acabou sendo o aperto de m&atilde;o entre Haddad e Maluf, intermediado por Lula, no belo jardim da mans&atilde;o do pol&iacute;tico do PP, um reconhecido corrupto e &ldquo;filhote da ditadura&rdquo; paulistano. Na ocasi&atilde;o, Luiza Erundina, que seria vice de Haddad, em protesto, abandonou a chapa petista.</p>\n<p>Nos primeiros anos de gest&atilde;o, Haddad se alinhou &agrave; gest&atilde;o estadual de Alckmin em m&uacute;ltiplas pol&iacute;ticas, como o aumento das tarifas do transporte. Em junho de 2013, o tucano e o petista estiveram juntos em cada passo da batalha dos governantes contra a juventude e o povo que protestava. Viajaram para Paris em meio ao auge dos protestos, construindo a candidatura de S&atilde;o Paulo para a Expo 2020, enquanto o povo na rua era massacrado pela Pol&iacute;cia Militar. Depois, com toda a justi&ccedil;a, foram derrotados.</p>\n<p>Apenas diante de uma exponencial queda de popularidade e prevendo dificuldade de reelei&ccedil;&atilde;o em 2016, Haddad afastou-se ligeiramente de Alckmin e, do meio para o fim da gest&atilde;o, apostou em medidas pontuais que lhe deram visibilidade, como as ciclovias, as ruas abertas, a valoriza&ccedil;&atilde;o do carnaval e das festas de rua e a redu&ccedil;&atilde;o das velocidades na marginal. Se pol&iacute;ticas desse perfil, por um lado, lhe renderam a imagem de um prefeito &ldquo;progressista&rdquo; em compara&ccedil;&atilde;o com seus antecessores, os terr&iacute;veis Serra e Kassab, por outro lado revelaram as pr&oacute;prias limita&ccedil;&otilde;es do projeto petista. De tal forma enredado nos interesses gra&uacute;dos dos empres&aacute;rios e mafiosos da cidade, em momento algum a gest&atilde;o Haddad chegou &agrave; raiz dos problemas, muito menos reverteu pol&iacute;ticas graves, como a privatiza&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, a desvaloriza&ccedil;&atilde;o do funcionalismo ou a revis&atilde;o dos contratos dos transportes. Hoje, &eacute; curioso notar que o secret&aacute;rio nomeado por D&oacute;ria para a pasta de &ldquo;Desestatiza&ccedil;&atilde;o e Parcerias&rdquo; (respons&aacute;vel pelas privatiza&ccedil;&otilde;es), Wilson Poit, trabalhou tamb&eacute;m na gest&atilde;o Haddad, por dois anos. Como &eacute; sabido, mesmo ap&oacute;s junho de 2013, o prefeito aumentou outras duas vezes as tarifas, deixando evidente o contato &iacute;ntimo entre sua gest&atilde;o e a m&aacute;fia dos transportes, intermediado pelo secret&aacute;rio Jilmar Tatto.</p>\n<p>Para que seus verdadeiros problemas sejam atacados e a vida do povo melhore, S&atilde;o Paulo precisa de uma esquerda que n&atilde;o tema dizer o seu nome, como diz o livro de Vladimir Safatle. A velha esquerda que se esgotou, que se tornou covarde no alcance da pol&iacute;tica e arrogante no trato com os movimentos de rua<sup>1</sup>, j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais alternativa, e n&atilde;o podemos permitir que apenas a direita tradicional se apresente como contraponto. Construir uma alternativa de massas dos trabalhadores e do povo de S&atilde;o Paulo &eacute; tarefa que deve ser levada adiante ao lado da luta incans&aacute;vel contra o novo prefeito eleito, cujas medidas atacar&atilde;o frontalmente o povo mais pobre. &Eacute; uma ofensa &agrave; popula&ccedil;&atilde;o paulistana &mdash; milh&otilde;es de cidad&atilde;s e cidad&atilde;os em sua ampla maioria trabalhadores &mdash; ser governada por um sujeito que possui, em patrim&ocirc;nio, mais de R$ 160 milh&otilde;es, que &eacute; conhecido como lobista, que prop&otilde;e uma agenda privatista e austera para acabar com o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico e destruir os direitos do povo. Se nas elei&ccedil;&otilde;es D&oacute;ria iludiu um setor expressivo da sociedade em torno da ideia de &ldquo;gestor&rdquo; e de &ldquo;trabalhador&rdquo;, muito rapidamente sua m&aacute;scara dever&aacute; cair, e o enfrentamento ser&aacute; acirrado contra suas pol&iacute;ticas e as de seus aliados em &acirc;mbito estadual e federal.</p>\n<p>O momento pede que o PSOL se apresente de forma convicta e ousada, como um partido movimento capaz de dialogar com o sentimento das massas, com os movimentos de rua mais avan&ccedil;ados, e de intervir na institucionalidade para lutar contra ela pr&oacute;pria, defendendo os interesses do povo. S&atilde;o Paulo seguir&aacute; sendo, tamb&eacute;m, um ponto de refer&ecirc;ncia para as lutas nacionais e espa&ccedil;o privilegiado para que a pol&iacute;tica de oposi&ccedil;&atilde;o ao governo Temer se desenvolva, por meio do combate combinado ao ajuste e &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e da den&uacute;ncia da casta pol&iacute;tica que, com pilares de sustenta&ccedil;&atilde;o no estado e na cidade mais ricas do pa&iacute;s, nos governa em n&iacute;vel nacional.</p>\n<p>S&acirc;mia Bomfim se credencia para ser uma das principais refer&ecirc;ncias nesse sentido. Como um tribuno do povo na C&acirc;mara, ela poder&aacute; representar a emerg&ecirc;ncia de uma nova esquerda, avessa aos privil&eacute;gios e &agrave; acomoda&ccedil;&atilde;o parlamentar, e fiel aos movimentos de rua. O potencial para cria&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia em torno de seu nome ficou patente j&aacute; na semana seguinte &agrave; elei&ccedil;&atilde;o, quando S&acirc;mia esteve na capa dos principais jornais do pa&iacute;s, como O Estado de S&atilde;o Paulo e Folha de S&atilde;o Paulo, al&eacute;m de revistas como Carta Capital, Isto&eacute; e at&eacute; mesmo na m&iacute;dia internacional. Da for&ccedil;a de sua figura, que representa um ac&uacute;mulo e uma luta coletiva, podemos contribuir para a constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa. E nessa empreitada, n&atilde;o partimos do zero, pois levamos em conta o importante legado deixado pela candidatura de Luiza Erundina pelo PSOL em 2016, e o pr&oacute;prio ac&uacute;mulo hist&oacute;rico de nosso partido em &acirc;mbito nacional e local nos &uacute;ltimos dez anos.</p>\n<h3><strong>Um mandato feminista e classista</strong></h3>\n<p>H&aacute; alguns anos, a pauta de mulheres era considerada uma pauta transversal. Ap&oacute;s a Primavera das Mulheres, ela n&atilde;o s&oacute; ganhou uma certa autonomia como t&ecirc;m de fato atravessado todos os setores mais din&acirc;micos no pa&iacute;s, das lutas secundaristas &agrave;s lutas populares. Podemos dizer que hoje, a vanguarda que est&aacute; se forjando nas ruas, al&eacute;m de expressar uma nova gera&ccedil;&atilde;o de jovens, ativistas, trabalhadores, etc., tamb&eacute;m &eacute; uma vanguarda feminista, tanto pela composi&ccedil;&atilde;o quanto por seus ideais. Por isso, &eacute; preciso que todos os militantes e ativistas da esquerda revolucion&aacute;ria reflitam o movimento feminista e a organiza&ccedil;&atilde;o de mulheres como uma prioridade.</p>\n<p>Com a atual conjuntura e a fal&ecirc;ncia do projeto de setores tradicionais do movimento de mulheres, como o PT e PCdoB, cresce a responsabilidade de construirmos na cidade de S&atilde;o Paulo um mandato feminista e classista, mas conectado com o que h&aacute; de mais renovado e din&acirc;mico na nova vanguarda feminista que vem despontando.</p>\n<p>As elei&ccedil;&otilde;es municipais de 2016 tamb&eacute;m demonstraram como as mulheres est&atilde;o cada vez ocupando mais a pol&iacute;tica institucional. O fen&ocirc;meno da primavera feminista teve sua express&atilde;o eleitoral em todo o pa&iacute;s. Diversas candidaturas inspiradas no assenso da luta das mulheres se destacaram, sendo o PSOL o principal partido a apresentar tais candidaturas. Foram 10 mulheres eleitas. Destacamos as companheiras Fernanda Melchionna, do MES, a mais votada de Porto Alegre; &Aacute;urea Carolina, do movimento Muitas, a mais votada de BH; Marielle Franco, quinta candidata mais votada do Rio de Janeiro; Mariana Conti, &uacute;nica mulher da C&acirc;mara de Campinas; al&eacute;m da S&acirc;mia em S&atilde;o Paulo.</p>\n<p>Diante deste fen&ocirc;meno, apostamos na Bancada Feminista do PSOL como forma de articular estes mandatos, propor projetos de lei e atua&ccedil;&atilde;o em conjunto, em contraponto &agrave;s C&acirc;maras e prefeituras alinhadas &agrave; direita e a uma pol&iacute;tica conservadora. Temos muitas possibilidades de impulsionar o PSOL como polo aglutinador do feminismo por meio desta articula&ccedil;&atilde;o, pois diante da recess&atilde;o econ&ocirc;mica e retirada de direitos sociais, as mulheres devem seguir como o principal setor a protagonizar as mobiliza&ccedil;&otilde;es de rua e as diversas formas de resist&ecirc;ncia.</p>\n<p>Em parceria com o Juntas, nosso mandato dever&aacute; ser a ponta de lan&ccedil;a das lutas feministas da cidade, mas tamb&eacute;m elaborar uma politica de enraizamento do feminismo nas periferias e tornar-se um polo de acolhimento de mulheres.</p>\n<p>A Primavera Feminista j&aacute; mostrou em muito o caminho. Agora, &eacute; preciso organiza&ccedil;&atilde;o e disposi&ccedil;&atilde;o. As mulheres est&atilde;o cada vez mais na linha de frente. Que sejamos cada vez mais feministas e socialistas!</p>\n<h3><strong>O j&aacute; feito e o que ser&aacute;</strong></h3>\n<p>A extraordin&aacute;ria vit&oacute;ria de S&acirc;mia Bomfim representa o coroamento de uma constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;ria empreendida pelo MES no Brasil e em S&atilde;o Paulo, constru&ccedil;&atilde;o que agora demonstra for&ccedil;a para a luta pol&iacute;tica. Al&eacute;m de fundadora do PSOL, nossa corrente no &uacute;ltimo per&iacute;odo sustentou leituras a respeito da crise econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica mundial e do contexto brasileiro que nos possibilitaram &ecirc;xitos pol&iacute;ticos. Especialmente, ter vislumbrado na juventude um setor priorit&aacute;rio de interven&ccedil;&atilde;o nos colocou em condi&ccedil;&atilde;o de intervir bem em junho de 2013 e nos processos que se seguiram, epis&oacute;dios que marcaram a gera&ccedil;&atilde;o de jovens da qual faz parte S&acirc;mia. Na disputa eleitoral, j&aacute; hav&iacute;amos apostado em uma candidatura de juventude em 2014, com Thiago Aguiar, e agora, em outro patamar de interven&ccedil;&atilde;o, triunfamos.</p>\n<p>Em S&atilde;o Paulo, de uma constru&ccedil;&atilde;o originalmente estudantil, estamos expandindo nossa interven&ccedil;&atilde;o para outras frentes. Ao passo em que mantemos uma presen&ccedil;a importante na Universidade de S&atilde;o Paulo, onde recentemente vencemos as elei&ccedil;&otilde;es para o Diret&oacute;rio Central dos Estudantes contra uma chapa do PT apoiada exc&ecirc;ntrica e melancolicamente pelo ex-presidente Lula, avan&ccedil;amos para setores da classe organizada. Em 2016, elegemos dois companheiros para o Sindicato dos Metrovi&aacute;rios e recentemente organizamos chapa de oposi&ccedil;&atilde;o para o Sindicato de Trabalhadores da USP, obtendo expressivo resultado de 30% dos votos contra uma dire&ccedil;&atilde;o encastelada na entidade h&aacute; d&eacute;cadas. Seguimos colhendo frutos de nossa interven&ccedil;&atilde;o decidida na luta secundarista e na primavera feminista, no ano passado. Nosso trabalho popular, consolidado na Zona Sul, est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de se ampliar para regi&otilde;es como Perus, cuja abertura de trabalho ocorreu por meio de secundaristas. A expans&atilde;o do Juntos! &eacute; uma realidade promissora com o Acampamento Internacional e o Congresso da UNE em 2017, bem como a pot&ecirc;ncia da Rede Emancipa, que completar&aacute; dez anos de exist&ecirc;ncia.</p>\n<p>Realizamos nossa Confer&ecirc;ncia Estadual do MES em 10 e 11 de dezembro para posicionar a corrente diante dos desafios. Sabemos que temos possibilidades e responsabilidades ampliadas. O peso sobressalente de S&atilde;o Paulo na conjuntura nacional faz com que as lutas sociais e pol&iacute;ticas daqui reverberem pelo pa&iacute;s. &Eacute; importante mencionar tamb&eacute;m a implanta&ccedil;&atilde;o da corrente em cidades do interior, como, entre outras, Sorocaba, Campinas, S&atilde;o Carlos, Rio Claro e Ribeir&atilde;o Preto, e da regi&atilde;o metropolitana, como Itapevi, em que obtivemos bons resultados eleitorais.</p>\n<p>E na capital sabemos que reside nosso maior desafio. Faremos do mandato de S&acirc;mia Bomfim uma refer&ecirc;ncia para as lutas da cidade, um instrumento para a luta de nossa classe, das mulheres e dos jovens, e tamb&eacute;m uma plataforma a partir da qual poder&aacute; de fortalecer a estrat&eacute;gia da nossa corrente, ampliando nossa coluna de militantes e quadros. Como diz a m&uacute;sica, se muito vale o j&aacute; feito, mais vale o que ser&aacute;.</p>","fields":{"slug":"blog/samia-bomfim-psol-sao-paulo-vereadora/"},"frontmatter":{"categories":["feminismo","MES","PSOL"],"publish_date":"2016-10-26T19:21:50.000Z","title":"Eleição de Sâmia Bomfim: uma nova liderança da esquerda em SP","description":"A vitória eleitoral em São Paulo como fruto do acúmulo de militância e construção de quase 10 anos do MES na cidade. Desafios e necessidades de um mandato feminista e classista.","featured_image":{"childImageSharp":{"fluid":{"base64":"data:image/jpeg;base64,/9j/2wBDABALDA4MChAODQ4SERATGCgaGBYWGDEjJR0oOjM9PDkzODdASFxOQERXRTc4UG1RV19iZ2hnPk1xeXBkeFxlZ2P/2wBDARESEhgVGC8aGi9jQjhCY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2P/wgARCAANABQDASIAAhEBAxEB/8QAFwABAQEBAAAAAAAAAAAAAAAABAADBf/EABQBAQAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAL/2gAMAwEAAhADEAAAAUj254bpUV//xAAbEAACAgMBAAAAAAAAAAAAAAACAwABEhMhIv/aAAgBAQABBQIpTPXY0sUoDYVoqf/EABQRAQAAAAAAAAAAAAAAAAAAABD/2gAIAQMBAT8BP//EABURAQEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR/9oACAECAQE/AVf/xAAbEAACAwADAAAAAAAAAAAAAAAAAQIRMQMhUf/aAAgBAQAGPwKynI0ku3frOO3tms//xAAZEAEBAQEBAQAAAAAAAAAAAAABEQAhUYH/2gAIAQEAAT8hiLXhr3LyGWuLBG9FJhrui/Mtx//aAAwDAQACAAMAAAAQ5+//xAAXEQEBAQEAAAAAAAAAAAAAAAABABEh/9oACAEDAQE/EFxuX//EABYRAQEBAAAAAAAAAAAAAAAAAAEQEf/aAAgBAgEBPxAdI//EABwQAQEAAgMBAQAAAAAAAAAAAAERACExQYFhkf/aAAgBAQABPxCIwIs7Ax1NWhRL8epP3KGm4Mozy1a1rOUxntgefZ5j1l7n/9k=","aspectRatio":1.5,"src":"/static/c8f711112c204b80dd80357dea3ffa99/0487f/1482163492460.jpg","srcSet":"/static/c8f711112c204b80dd80357dea3ffa99/40426/1482163492460.jpg 240w,\n/static/c8f711112c204b80dd80357dea3ffa99/9104c/1482163492460.jpg 480w,\n/static/c8f711112c204b80dd80357dea3ffa99/0487f/1482163492460.jpg 610w","sizes":"(max-width: 610px) 100vw, 610px"},"og":{"src":"/static/1482163492460-c8f711112c204b80dd80357dea3ffa99.jpg","width":610,"height":407}}},"keywords_string":"samia bomfim PSOL são paulo vereadora Câmara Municipal esquerda eleição"}}},"pageContext":{"slug":"blog/samia-bomfim-psol-sao-paulo-vereadora/"}},"staticQueryHashes":["1507539293","2242502613"]}