{"componentChunkName":"component---src-templates-single-md-js","path":"/blog/sao-paulo-nao-se-vende-contra-as-privatizacoes-doria/","result":{"data":{"markdownRemark":{"html":"<p><em>(Por S&acirc;mia Bomfim, vereadora em S&atilde;o Paulo pelo PSOL e dirigente do MES-SP, e Gustavo Rego, mestrando em Sociologia (USP) e militante do PSOL. <a href=\"https://movimentorevista.com.br/2017/07/sao-paulo-nao-se-vende-porque-somos-contra-privatizacoes/\" target=\"_blank\">Originalmente publicado no site da Revista Movimento em 24 de Julho de 2017</a>)</em></p>\n<p>O prefeito de S&atilde;o Paulo, Jo&atilde;o D&oacute;ria Jr., apresentou &agrave; c&acirc;mara de vereadores de S&atilde;o Paulo um projeto de privatiza&ccedil;&atilde;o de equipamentos p&uacute;blicos fundamentais para o patrim&ocirc;nio da cidade: parques (como o Ibirapuera), pra&ccedil;as, Pacaembu, Interlagos, Anhembi, Mercad&otilde;es, bilhete &uacute;nico e alguns terrenos. O projeto foi aprovado em primeira inst&acirc;ncia ao apagar das luzes: na exata v&eacute;spera do recesso parlamentar, &agrave;s 3:30 da manh&atilde;, ap&oacute;s horas de negocia&ccedil;&otilde;es entre prefeitura e vereadores. O rito perverso foi sacramentado com uma c&iacute;nica &ldquo;selfie&rdquo; em que sorridentes vereadores seguravam um cheque imenso, como daqueles programas de audit&oacute;rio. O projeto &eacute; vago e cont&eacute;m inconsist&ecirc;ncias que colocam sob suspeita a lisura do processo. Essa foi a raz&atilde;o pela qual a bancada do PT alegou votar contra o projeto, fato, ali&aacute;s, que at&eacute; mesmo alguns vereadores da bancada tucana reconheceram, apesar de terem votado a favor mesmo assim. N&oacute;s concordamos que a proposta de D&oacute;ria esteja tecnicamente mal acabada, mas temos motivos mais profundos para nos opor n&atilde;o apenas a este projeto espec&iacute;fico, mas, por princ&iacute;pio, a qualquer forma de privatiza&ccedil;&atilde;o. Neste texto, pretendemos expor esses motivos.</p>\n<p>Primeiramente, por que defendemos os servi&ccedil;os p&uacute;blicos? A esfera p&uacute;blica &eacute; uma prote&ccedil;&atilde;o contra a explora&ccedil;&atilde;o e a gan&acirc;ncia desenfreada do capitalismo. Pois, a despeito dos alegados princ&iacute;pios &ldquo;sustent&aacute;veis&rdquo; ou &ldquo;socialmente respons&aacute;veis&rdquo; que o marketing do capitalismo &ldquo;humanizado&rdquo; apregoa, o fim que realmente motiva qualquer empresa privada &eacute; o lucro, mesmo que isso signifique achatamento dos sal&aacute;rios, intensifica&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho, destrui&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, etc. Dessa forma, os equipamentos p&uacute;blicos geridos pelo Estado democr&aacute;tico s&atilde;o o meio de garantir um m&iacute;nimo patamar civilizat&oacute;rio, independentemente (ou, ao menos, n&atilde;o completamente dependente) dos interesses privados. Em outras palavras, sustentam o m&iacute;nimo de bem estar social &mdash; como o acesso a educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, cultura, lazer, etc. &mdash; a todos, inclusive para aqueles que n&atilde;o podem pagar, mesmo que isso n&atilde;o seja lucrativo. Mas, mais do que isso, os direitos sociais s&atilde;o uma forma pela qual a classe trabalhadora, por meio de sua luta, pode reapropriar-se de parte da mais-valia, isto &eacute;, daquela parcela de valores gerados por seu trabalho que &eacute; apropriada pelos capitalistas. Quando os trabalhadores lutam e conquistam, por exemplo, uma pra&ccedil;a p&uacute;blica, isso significa que uma parte do valor excedente gerado por seu trabalho, que a princ&iacute;pio seria apropriada por capitalistas, &eacute; expropriada pelo Estado, por meio dos impostos, e retorna aos pr&oacute;prios trabalhadores na forma de um servi&ccedil;o, neste caso, o lazer. Parte da riqueza gerada pelos produtores retorna a eles. Portanto, os equipamentos p&uacute;blicos e os direitos sociais s&atilde;o resultado leg&iacute;timo da luta dos trabalhadores.</p>\n<p>Dito isto, deve estar relativamente claro que as privatiza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o um ataque da classe dominante a essa ferramenta pela qual os trabalhadores fazem dirimir parte de sua explora&ccedil;&atilde;o &mdash; manobra decisiva no contexto de crise econ&ocirc;mica. Esse processo pode ser melhor entendido &agrave; luz do conceito de neoliberalismo. Esta corrente pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica j&aacute; existia teoricamente no p&oacute;s guerra nas obras de Friedman e Hayek, mas ganhou corpo a partir dos governos de Reagan e Thatcher e consolidou-se como corrente hegem&ocirc;nica internacionalmente entre os anos 1980 e 1990. A ret&oacute;rica neoliberal sustenta &mdash; tendo como base o desmonte dos estados sovi&eacute;ticos e a crise de estagfla&ccedil;&atilde;o supostamente gerada pela pol&iacute;tica socialdemocrata de sal&aacute;rio m&iacute;nimo elevado, pleno emprego e direitos sociais &mdash; que um Estado &ldquo;grande demais&rdquo; e a influ&ecirc;ncia &ldquo;nociva&rdquo; dos sindicatos seriam produtores de estagna&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e infla&ccedil;&atilde;o. Sendo assim, seria necess&aacute;rio manter um patamar &ldquo;saud&aacute;vel&rdquo; de desemprego e combater a eleva&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios. Al&eacute;m disso, os equipamentos p&uacute;blicos promoveriam uma elevada carga tribut&aacute;ria, o que diminui a margem de investimento e provoca infla&ccedil;&atilde;o, sendo necess&aacute;rio privatizar o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico. Finalmente, a globaliza&ccedil;&atilde;o e a especula&ccedil;&atilde;o financeira seriam necess&aacute;rias ao crescimento econ&ocirc;mico, cabendo ao Estado eximir-se de qualquer regulamenta&ccedil;&atilde;o. Tudo isso sedimentado na concep&ccedil;&atilde;o reificada<sup>1</sup>&nbsp;de que &ldquo;n&atilde;o h&aacute; alternativa&rdquo;<sup>2</sup>&nbsp;&agrave;s f&eacute;rreas leis da Toda-Poderosa &ldquo;economia&rdquo; (capitalista, leia-se). De acordo com esta concep&ccedil;&atilde;o, a busca pela felicidade e bem estar deve ser a&ccedil;&atilde;o exclusiva dos indiv&iacute;duos, da iniciativa privada, pois possui a efici&ecirc;ncia necess&aacute;ria de quem, diferente da esfera p&uacute;blica, n&atilde;o se &ldquo;distrai&rdquo; com objetivos &ldquo;pol&iacute;ticos&rdquo; escusos (como o &ldquo;populismo&rdquo;).</p>\n<p>Em s&iacute;ntese, os interesses declarados do neoliberalismo s&atilde;o diminui&ccedil;&atilde;o do Estado e efici&ecirc;ncia. No entanto, esses interesses s&atilde;o uma farsa. O neoliberalismo na realidade procura aumentar o controle direto do capital sobre o Estado e, por meio disso, a taxa de mais-valia absoluta, ou seja, aumentar a parcela do excedente de produ&ccedil;&atilde;o expropriada pelos capitalistas n&atilde;o pelo aumento da produtividade mas pela simples intensifica&ccedil;&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o do trabalho. N&atilde;o &eacute; por acaso que o neoliberalismo tenha ganhado corpo justamente quando o movimento de expans&atilde;o da economia iniciado no p&oacute;s guerra, os tais &ldquo;30 gloriosos&rdquo; ou &ldquo;anos dourados&rdquo;, dava seus sinais de esgotamento. Na verdade, qualquer capitalista consciente sabe que necessita do Estado n&atilde;o apenas para salvaguardar a propriedade privada, promover a expans&atilde;o de mercados por meio da guerra, garantir a hegemonia burguesa, etc. mas como garantir seu ritmo normal de acumula&ccedil;&atilde;o. Vejamos que, por exemplo, um dos &iacute;cones do neoliberalismo, Ronald Reagan, nunca &ldquo;diminuiu o Estado&rdquo;, mas, ao contr&aacute;rio, aumentou a demanda deste sobre o complexo b&eacute;lico-militar, inclusive com endividamento p&uacute;blico. Ou ainda, que as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho &ldquo;modernas&rdquo; que a burguesia brasileira atualmente tanto deseja necessita do bra&ccedil;o armado do Estado para impor, pela for&ccedil;a da lei, uma &ldquo;reforma trabalhista&rdquo; que garanta o arrocho salarial, o desemprego e a precariza&ccedil;&atilde;o. Nada torna isso mais evidente do que o lobby por meio do qual as empresas privadas controlam diretamente as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, seja em sua forma legalizada, como ocorre nos EUA, ou na forma mais descarada das propinas e investimentos de campanha tal qual revelados nas opera&ccedil;&otilde;es Lava-Jato e Carne Fraca. Portanto, o que os neoliberais de fato desejam n&atilde;o &eacute; menos Estado, mas menos interesse p&uacute;blico, menos controle e usufruto da classe trabalhadora.</p>\n<p>A privatiza&ccedil;&atilde;o, portanto, &eacute; a intensifica&ccedil;&atilde;o disso. Trata-se de ampliar o terreno de acumula&ccedil;&atilde;o do capital submetendo os direitos sociais &agrave; sua l&oacute;gica. &ldquo;Do gado se faz sebo e das pessoas dinheiro&rdquo;<sup>3</sup>&nbsp;&mdash; da sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, infraestrutura, numa palavra, o bem estar social, se faz lucro. Mais ainda, bloqueia-se o mecanismo supracitado por meio do qual a classe trabalhadora reapropria-se de parte da mais-valia. Desmonta-se, assim, mais um elemento da ret&oacute;rica neoliberal: a efici&ecirc;ncia. Os neoliberais argumentam que os equipamentos p&uacute;blicos oneram excessivamente o Estado e que sua burocracia torna os servi&ccedil;os necessariamente mais lentos e de pior qualidade. Mas por efici&ecirc;ncia compreende-se, tal como defendido em manuais de administra&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o t&atilde;o referenciados pelos propagandistas desta ideologia, aumento de bens e servi&ccedil;os gerados em rela&ccedil;&atilde;o a investimento em trabalho humano e recursos financeiros. Ora, uma simples dedu&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica nos leva a perceber que privatiza&ccedil;&atilde;o significa aumento dos custos j&aacute; que prev&ecirc; n&atilde;o apenas compensa&ccedil;&atilde;o do investimento mas tamb&eacute;m o lucro, ou seja, menos efici&ecirc;ncia do ponto de vista do Estado e do interesse p&uacute;blico. Mais ainda, se o que rege a empresa privada &eacute; a l&oacute;gica da efici&ecirc;ncia (para si pr&oacute;pria), isso significa que os servi&ccedil;os sociais por ela administrados n&atilde;o ter&atilde;o o m&aacute;ximo de qualidade pelo menor custo ao p&uacute;blico e ao Estado, mas, ao contr&aacute;rio, um patamar m&iacute;nimo de qualidade pelo pre&ccedil;o mais alto poss&iacute;vel.</p>\n<p>Vejamos alguns exemplos disso.</p>\n<p>O subs&iacute;dio que a prefeitura de S&atilde;o Paulo encaminha &agrave;s empresas respons&aacute;veis pelo transporte p&uacute;blico na capital &eacute; proporcional ao n&uacute;mero de passageiros transportados e n&atilde;o ao n&uacute;mero de quil&ocirc;metros rodados pelos &ocirc;nibus. Isso significa que, para estas empresas, &eacute; mais racional elevar o n&uacute;mero de passageiros por ve&iacute;culo, aumentar o pre&ccedil;o das passagens e concentrar suas atividades nas regi&otilde;es centrais. Para a popula&ccedil;&atilde;o, o resultado disso &eacute; bem conhecido: &ocirc;nibus lotado e muitas horas perdidas em deslocamento. Para as empresas, lucros astron&ocirc;micos. Infelizmente, a CPI que destinava-se a abrir a &ldquo;caixa preta&rdquo; dos transportes de S&atilde;o Paulo terminou em pizza em 2014. Mas estimativas do F&oacute;rum de Transpar&ecirc;ncia e Controle Social de S&atilde;o Paulo e do Movimento Passe-Livre indicam estes lucros podem estar muito acima dos limites legais. Apenas observando os dados constantes nas planilhas de custo das empresas de transporte dispon&iacute;veis nos arquivos da Secretaria de Transportes &eacute; poss&iacute;vel concluir que, entre 2011 e 2012 (justo antes dos multitudin&aacute;rios protestos que tiveram como estopim a luta contra o aumento da tarifa), as empresas de transporte obtiveram <a href=\"https://oglobo.globo.com/brasil/em-1-ano-lucro-liquido-de-empresas-de-onibus-de-sp-aumentou-em-ate-2056-9605514\">crescimento em seus lucros</a> na ordem de 141% a 2056%!</p>\n<p>J&aacute; o caso da &ldquo;privataria tucana&rdquo; (como bem denominou Amaury Ribeiro Jr. em seu livro hom&ocirc;nimo as privatiza&ccedil;&otilde;es realizadas pelos governo federal de FHC e governos estaduais de Jos&eacute; Serra e M&aacute;rio Covas, em S&atilde;o Paulo) comprova que as privatiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o desoneram o Estado, mas, ao contr&aacute;rio, fazem com que ele deixe de arrecadar recursos importantes. Em meados dos anos 1990, FHC e outros pol&iacute;ticos de direita diziam que a Vale do Rio Doce (para tomarmos apenas o exemplo mais conhecido e absurdo) s&oacute; dava preju&iacute;zo, era uma p&eacute;ssima aplica&ccedil;&atilde;o financeira, e que sua venda faria o Estado deixar de gastar dinheiro com ela para poder investir em sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o. Uma constata&ccedil;&atilde;o simples comprova a fal&aacute;cia do argumento: em toda a hist&oacute;ria da companhia, o governo investiu R$ 2,71 bilh&otilde;es e retirou R$ 3,8 bilh&otilde;es, ou seja, necessariamente houve lucro. Mas bastaria ainda uma quest&atilde;o l&oacute;gica bastante trivial: se d&aacute; preju&iacute;zo, por que algu&eacute;m seria maluco de comprar? Em 1997, a Vale do Rio Doce foi vendida por R$ 3,3 bilh&otilde;es, mas, ato cont&iacute;nuo, seu valor de mercado foi revelado como sendo de aproximadamente R$ 100 bilh&otilde;es. Al&eacute;m disso, a companhia foi vendida com R$ 700 milh&otilde;es em caixa. Hoje a Vale &eacute; uma das maiores companhias de minera&ccedil;&atilde;o do mundo. Ali&aacute;s, a mesma cuja &ldquo;efici&ecirc;ncia&rdquo; foi respons&aacute;vel recentemente pelo maior desastre ambiental de nossa hist&oacute;ria. Quantos bilh&otilde;es est&atilde;o deixando de ir para os cofres p&uacute;blicos para abastecer os bolsos de seus acionistas &agrave;s custas de destrui&ccedil;&atilde;o de nosso meio ambiente?</p>\n<p>A mesma l&oacute;gica aplica-se ao caso do Pacaembu, um dos principais focos da privatiza&ccedil;&atilde;o de D&oacute;ria. Alega-se que o est&aacute;dio &eacute; deficit&aacute;rio, no entanto, toma-se como refer&ecirc;ncia apenas os dados mais recentes e n&atilde;o toda a s&eacute;rie hist&oacute;rica &mdash; at&eacute; 2014, o Pacaembu tinha super&aacute;vit. Al&eacute;m disso, o seu rendimento poderia ser muito superior n&atilde;o fosse pela d&iacute;vida ativa dos clubes, muitos dos quais j&aacute; foram anistiados.</p>\n<p>Mas, um neoliberal poderia nos interpelar: e o caso daqueles servi&ccedil;os em que fica flagrante a in&eacute;pcia do Estado, como, por exemplo, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o? Nestes casos, n&atilde;o seria correto entregar esses servi&ccedil;os &agrave; iniciativa privada cujos servi&ccedil;os se provaram de melhor qualidade? Este pensamento n&atilde;o faz sentido pelo seguinte: se os servi&ccedil;os p&uacute;blicos est&atilde;o prec&aacute;rios, isso significa que os recursos do Estado est&atilde;o escassos, e, portanto, deve-se aumentar o investimento neles e n&atilde;o retira-los absolutamente. O argumento neoliberal equivale a, por analogia, se uma crian&ccedil;a apresenta notas baixas, tir&aacute;-la da escola j&aacute; que n&atilde;o estuda o suficiente ao inv&eacute;s de motiv&aacute;-la a estudar. &Eacute; o velho movimento perverso, por vezes consciente, de sucateamento e privatiza&ccedil;&atilde;o. Um determinado servi&ccedil;o p&uacute;blico passa anos com investimentos abaixo do necess&aacute;rio. Em cima disso constr&oacute;i-se a ideologia de deprecia&ccedil;&atilde;o da esfera p&uacute;blica. Finalmente, a concess&atilde;o ao mercado aparece como a solu&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica que resolver&aacute; o problema que o Estado &ldquo;n&atilde;o foi capaz&rdquo; de resolver. Novamente tomando de exemplo S&atilde;o Paulo, as farm&aacute;cias populares est&atilde;o com uma cr&iacute;tica falta de medicamentos. Ao inv&eacute;s de resolver o problema do subfinanciamento, D&oacute;ria prop&ocirc;s que a distribui&ccedil;&atilde;o fosse feito pelas grandes drogarias como Onofre, Drogasil e Drogaria S&atilde;o Paulo.</p>\n<p>Por essas raz&otilde;es somos contra o conjunto de privatiza&ccedil;&otilde;es de D&oacute;ria. Elas retiram dos cidad&atilde;os paulistanos equipamentos p&uacute;blicos que oferecem lazer, cultura, esporte, espa&ccedil;os de conviv&ecirc;ncia, direito &agrave; cidade e, importante frisar, receita p&uacute;blica. Mais ainda, elas s&atilde;o uma pequena parte do projeto de D&oacute;ria e seus colegas burgueses de sair da crise pela intensifica&ccedil;&atilde;o da barb&aacute;rie &mdash; retirada do m&iacute;nimo patamar civilizat&oacute;rio precariamente conquistado pela classe trabalhadora brasileira &mdash; e mercantiliza&ccedil;&atilde;o de todas as esferas da vida social. Seremos sempre defensores da amplia&ccedil;&atilde;o dos bens e servi&ccedil;os p&uacute;blicos e dos interesses dos trabalhadores.</p>\n<p>Para isso, o nosso mandato adotou duas iniciativas.</p>\n<p>Primeiramente, um PDL (Projeto de Decreto Legislativo) que submete todo o plano de desestatiza&ccedil;&atilde;o (aliena&ccedil;&atilde;o, concess&atilde;o, parceria p&uacute;blico-privada) a plebiscito popular. Por meio disso, pretendemos fazer com que o p&uacute;blico de S&atilde;o Paulo decida sobre os rumos de seus pr&oacute;prios equipamentos p&uacute;blicos. Esta &eacute; uma forma de retirar do clube de milion&aacute;rios e seus asseclas legisladores literalmente a posse sobre o patrim&ocirc;nio da cidade.</p>\n<p>Em segundo lugar, no dia 31/07, sexta-feira, a partir das 18h na C&acirc;mara de S&atilde;o Paulo, faremos uma audi&ecirc;ncia com a sociedade civil sobre este tema. Estar&atilde;o presentes movimentos sociais em defesa da cidade, especialistas em gest&atilde;o p&uacute;blica e quem mais estiver disposto a debater.</p>\n<p>S&atilde;o Paulo n&atilde;o se vende!</p>\n<p><small><strong>Notas dos autores</strong></small></p>\n<p><small><sup>1</sup>&nbsp;&ldquo;Reifica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (do latim, <em>res</em> = coisa, ou seja, &ldquo;coisifica&ccedil;&atilde;o&rdquo;) &eacute; um conceito cunhado pelo fil&oacute;sofo e revolucion&aacute;rio Georg Luk&aacute;cs e refere-se &agrave; pr&aacute;tica de se tomar rela&ccedil;&otilde;es sociais como coisas naturalmente dadas e imut&aacute;veis capazes de controlar os seres humanos. Tem como base a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;fetichismo&rdquo; apresentada por Karl Marx em O capital. </small></p>\n<p><small><sup>2</sup>&nbsp;<em>&ldquo;There is no alternative&rdquo;</em> &mdash; velha m&aacute;xima de Margareth Thatcher.</small></p>\n<p><small><sup>3</sup>&nbsp;Esta frase, de K&uuml;rnberger em Cansado da Am&eacute;rica, &eacute; citada por Max Weber em sua constru&ccedil;&atilde;o do conceito de &ldquo;esp&iacute;rito&rdquo; do capitalismo: WEBER, Max. (2010) A &eacute;tica protestante e o &ldquo;esp&iacute;rito&rdquo; do capitalismo. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, p. 45</small></p>","fields":{"slug":"blog/sao-paulo-nao-se-vende-contra-as-privatizacoes-doria/"},"frontmatter":{"categories":["joão doria","privatizações"],"publish_date":"2017-07-24T20:38:48.000Z","title":"São Paulo não se vende! Por que somos contra privatizações?","description":"Em meio à ofensiva privatista do prefeito de São Paulo, os autores desmistificam a privatização a partir de conceitos basilares da teoria marxista.","featured_image":{"childImageSharp":{"fluid":{"base64":"data:image/jpeg;base64,/9j/2wBDABALDA4MChAODQ4SERATGCgaGBYWGDEjJR0oOjM9PDkzODdASFxOQERXRTc4UG1RV19iZ2hnPk1xeXBkeFxlZ2P/2wBDARESEhgVGC8aGi9jQjhCY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2P/wgARCAANABQDASIAAhEBAxEB/8QAGAAAAgMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAUBAwT/xAAWAQEBAQAAAAAAAAAAAAAAAAAAAQL/2gAMAwEAAhADEAAAAdcKa81yKw//xAAYEAADAQEAAAAAAAAAAAAAAAAAAQISIf/aAAgBAQABBQKbbN0b6QyVz//EABQRAQAAAAAAAAAAAAAAAAAAABD/2gAIAQMBAT8BP//EABQRAQAAAAAAAAAAAAAAAAAAABD/2gAIAQIBAT8BP//EABcQAAMBAAAAAAAAAAAAAAAAAAABMSD/2gAIAQEABj8CKirH/8QAHBABAAIBBQAAAAAAAAAAAAAAAQAxESFRYYHR/9oACAEBAAE/IcrQbs8LEUIq4iuqtRTuBaf/2gAMAwEAAgADAAAAEHDf/8QAFBEBAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAEP/aAAgBAwEBPxA//8QAFREBAQAAAAAAAAAAAAAAAAAAARD/2gAIAQIBAT8QJ//EAB0QAQEAAgEFAAAAAAAAAAAAAAERACExQVFhobH/2gAIAQEAAT8QphAHBz0wUaPlCe8vkVGafcfvGA7bxFAGI3FRtFCa1n//2Q==","aspectRatio":1.6,"src":"/static/001bdb43011f84b66f1e443571f7b7c0/f422e/sp.jpg","srcSet":"/static/001bdb43011f84b66f1e443571f7b7c0/40426/sp.jpg 240w,\n/static/001bdb43011f84b66f1e443571f7b7c0/9104c/sp.jpg 480w,\n/static/001bdb43011f84b66f1e443571f7b7c0/f422e/sp.jpg 640w","sizes":"(max-width: 640px) 100vw, 640px"},"og":{"src":"/static/sp-001bdb43011f84b66f1e443571f7b7c0.jpg","width":640,"height":399}}},"keywords_string":"privatização doria prefeitura são paulo vender prefeito joão doria pacaembu"}}},"pageContext":{"slug":"blog/sao-paulo-nao-se-vende-contra-as-privatizacoes-doria/"}},"staticQueryHashes":["1507539293","2242502613"]}