{"componentChunkName":"component---src-templates-single-md-js","path":"/blog/sobre-as-manifestações-do-30-de-junho/","result":{"data":{"markdownRemark":{"html":"<blockquote>\n<p><strong>Secretariado Nacional do MES - Apesar da disposi&ccedil;&atilde;o de luta demonstrada por setores de vanguarda da classe trabalhadora, a sexta-feira esteve distante de uma efetiva greve geral.</strong></p>\n</blockquote>\n<section class=\"single-wrap\">\n<div class=\"entry\">\n<p>As manifesta&ccedil;&otilde;es dessa sexta-feira (30/06) contra o governo e as reformas foram desiguais no pa&iacute;s. Apesar da disposi&ccedil;&atilde;o de luta demonstrada por setores de vanguarda da classe trabalhadora, a data esteve distante de uma efetiva greve geral. O desmonte por parte de algumas centrais sindicais foi respons&aacute;vel por uma manifesta&ccedil;&atilde;o de qualidade inferior &agrave;s jornadas anteriores. V&iacute;nhamos de uma escalada crescente, iniciada com o 8 de mar&ccedil;o &mdash; Dia Internacional das Mulheres &ndash;, que teve um impulso em 15 de mar&ccedil;o, chegou ao &aacute;pice na maior greve da hist&oacute;ria recente do pa&iacute;s, em 28 de abril, e na ocupa&ccedil;&atilde;o de Bras&iacute;lia. A desidrata&ccedil;&atilde;o foi n&iacute;tida em compara&ccedil;&atilde;o com a potencialidade e, mais ainda, com a necessidade de uma greve superior que pudesse colocar a derrubada do governo e a paralisa&ccedil;&atilde;o do tr&acirc;mite das reformas no Parlamento.</p>\n<p>Isso se deve &agrave; falta de prepara&ccedil;&atilde;o por parte das dire&ccedil;&otilde;es majorit&aacute;rias do movimento sindical para a convocat&oacute;ria do dia 30. Depois de quase um m&ecirc;s de tr&eacute;gua, o &ldquo;esquenta&rdquo; que deveria ser um dia de lutas em 20/06 n&atilde;o ocorreu em nenhuma grande cidade. Tamb&eacute;m pesou a hesita&ccedil;&atilde;o, sem confirmar a data uma semana antes do 30, onde desfiguraram a greve como tal para passar para um dia indeterminado de lutas, deixando as categorias sob o risco de perderem dias de trabalho, confundindo setores da vanguarda e, na pr&aacute;tica, enterrando a hip&oacute;tese de uma greve pr&oacute;xima ao que tinha sido a anterior.</p>\n<p>A For&ccedil;a Sindical e a UGT desconvocaram diretamente a greve atrav&eacute;s de notas e comunicados, por conta de sua postura de negociar o imposto sindical com Nogueira e Temer. Contudo, a raz&atilde;o fundamental foi pol&iacute;tica, expressa na linha do PT e da CUT Nacional &ndash; ainda que existam setores da CUT que atuaram e n&atilde;o respondem diretamente a essa orienta&ccedil;&atilde;o.</p>\n<p>Existe um esfor&ccedil;o por uma negocia&ccedil;&atilde;o ampla em curso, com os interlocutores tratando de mostrar suas inten&ccedil;&otilde;es num acordo nacional para liquidar a Lava Jato, salvar o regime e os corruptos e negociar as reformas. Isso esteve evidente na defesa dos advogados do PT e do PMDB contra a cassa&ccedil;&atilde;o de Temer pelo TSE. A principal refer&ecirc;ncia pol&iacute;tica das dire&ccedil;&otilde;es sindicais majorit&aacute;rias do pa&iacute;s, Lula, teve como estrat&eacute;gia desmontar a greve, n&atilde;o chamando protestos de rua pelo fora Temer.</p>\n<p>Isso fica evidente pelas &uacute;ltimas decis&otilde;es de setores do Judici&aacute;rio, que querem caminhar para uma repactua&ccedil;&atilde;o com os principais partidos do pa&iacute;s (PMDB, PT, PSDB). N&atilde;o &eacute; coincid&ecirc;ncia que na mesma semana que tenham absolvido a Vaccari, Temer ataca Janot e nomeia uma procuradora-geral da Rep&uacute;blica afinada. Tamb&eacute;m nessa semana A&eacute;cio ganha o direito de ser reconduzido ao Senado e Rocha Loures acaba de ser liberado da pris&atilde;o.</p>\n<p>A declara&ccedil;&atilde;o de Lula defendendo Temer e atacando Janot em entrevista &agrave; Radio Jovem Pan coroa essa sinaliza&ccedil;&atilde;o: <em>&ldquo;Se o procurador-geral da Rep&uacute;blica tem uma den&uacute;ncia contra o presidente da Rep&uacute;blica, ele primeiro precisa provar. Tem que ter provas materiais&rdquo;</em>.</p>\n<p>Uma forte greve geral n&atilde;o ajudaria a estabilizar o pa&iacute;s num quadro onde se busca esse tipo de negocia&ccedil;&atilde;o. Felizmente ainda n&atilde;o h&aacute; unidade de toda a burguesia nem de todas as institui&ccedil;&otilde;es do regime para terminar a Lava Jato. E fundamentalmente, h&aacute; no Brasil uma luta em curso dos trabalhadores, dos setores populares e juvenis que n&atilde;o deu sua &uacute;ltima palavra</p>\n<p>Mesmo com o desmonte pr&eacute;vio, houve paralisa&ccedil;&atilde;o em algumas cidades importantes como Salvador, DF e Bel&eacute;m &mdash; onde o transporte cumpriu um papel determinante &ndash;, mas o geral foi um dia de lutas sem que o conjunto das fun&ccedil;&otilde;es n&atilde;o fosse interrompida no setor de servi&ccedil;os, ind&uacute;stria e circula&ccedil;&atilde;o.</p>\n<p>Tal condi&ccedil;&atilde;o foi chave para a interven&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as policiais, que desfizeram os piquetes na maior parte das rodovias e garagens do pa&iacute;s. Tivemos dezenas de detidos, presos e feridos. A justi&ccedil;a tamb&eacute;m apertou seu garrote, como no caso do Rio Grande do Sul, onde um interdito proibit&oacute;rio intimava PSOL e sindicatos para n&atilde;o atuarem nos piquetes, sob pena de multas e outras amea&ccedil;as.</p>\n<p>Apesar de falta de uma a&ccedil;&atilde;o nacional unificada, houve disposi&ccedil;&atilde;o de luta e a&ccedil;&otilde;es em muitos pontos. Cortes de avenidas e rodovias aconteceram em diversas regi&otilde;es do pa&iacute;s. Em S&atilde;o Paulo, o MTST organizou um forte ato no aeroporto de Congonhas, ocupando o terminal e expressando o rep&uacute;dio contra as reformas de Temer. Houve marchas, animadas em parte por servidores p&uacute;blicos e juventude nas capitais e cidades m&eacute;dias.</p>\n<p>Do ponto de vista pol&iacute;tico, apesar da simpatia popular &agrave; luta contra a reforma, a falta de um contorno mais categ&oacute;rico contra a corrup&ccedil;&atilde;o e em defesa da puni&ccedil;&atilde;o para os corruptos nas bandeiras dos atos tamb&eacute;m afasta um setor da massa de uma luta mais geral para tirar Temer.</p>\n<p>A disposi&ccedil;&atilde;o de luta segue consumindo a opini&atilde;o p&uacute;blica contra Temer, apesar do rev&eacute;s provocado pelas dire&ccedil;&otilde;es do movimento de massa. Os dados da crise social s&atilde;o alarmantes e a crise pol&iacute;tica est&aacute; longe de ser estancada.</p>\n<p>Devemos seguir um calend&aacute;rio de lutas e passeatas para derrubar Temer e suas reformas, dando centralidade para a pauta da corrup&ccedil;&atilde;o, construindo a unidade mas tamb&eacute;m se diferenciando dos setores vinculados com a casta.</p>\n<p>Precisamos tamb&eacute;m de outro modelo sindical, democr&aacute;tico que abandone a estrutura cupulista, ainda atrelada ao Estado, sustentada por um imposto indevido. &Eacute; preciso uma revolu&ccedil;&atilde;o sindical que coloque com for&ccedil;a o problema da auto-organiza&ccedil;&atilde;o, da constru&ccedil;&atilde;o cotidiana e n&atilde;o apenas em &ldquo;dias de festa&rdquo;. A esquerda combativa no movimento sindical, agrupada dentro e fora da CSP Conlutas, precisa dar &ecirc;nfase para o problema democr&aacute;tico e para a atua&ccedil;&atilde;o dentro dos locais de trabalho. A esquerda social precisa avan&ccedil;ar na sua capacidade de associa&ccedil;&atilde;o e enraizamento, ampliando seu alcance, ainda limitado diante das atuais necessidades.</p>\n<p>Devemos apoiar as lutas populares em curso, construindo a ponte entre a necessidade de vit&oacute;rias parciais e um projeto mais global.</p>\n<p>Imediatamente, denunciamos a repress&atilde;o policial e exigimos a imediata soltura de todos os que ainda est&atilde;o presos &mdash; alguns sob a absurda alega&ccedil;&atilde;o da lei antiterrorista.</p>\n</div>\n</section>","fields":{"slug":"blog/sobre-as-manifestações-do-30-de-junho/"},"frontmatter":{"categories":["MES","PSOL","reforma trabalhista"],"publish_date":"2017-06-30T14:50:31.000Z","title":"Sobre as manifestações do 30 de junho","description":"Apesar da disposição de luta demonstrada por setores de vanguarda da classe trabalhadora, a sexta-feira esteve distante de uma efetiva greve geral.","featured_image":{"childImageSharp":{"fluid":{"base64":"data:image/jpeg;base64,/9j/2wBDABALDA4MChAODQ4SERATGCgaGBYWGDEjJR0oOjM9PDkzODdASFxOQERXRTc4UG1RV19iZ2hnPk1xeXBkeFxlZ2P/2wBDARESEhgVGC8aGi9jQjhCY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2NjY2P/wgARCAANABQDASIAAhEBAxEB/8QAFgABAQEAAAAAAAAAAAAAAAAAAwQA/8QAFgEBAQEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAID/9oADAMBAAIQAxAAAAGUpkyptJj/xAAZEAEAAwEBAAAAAAAAAAAAAAACAAERAxL/2gAIAQEAAQUC5c/RYywCjVzdG3P/xAAVEQEBAAAAAAAAAAAAAAAAAAAQIf/aAAgBAwEBPwGH/8QAGBEAAwEBAAAAAAAAAAAAAAAAAAERElH/2gAIAQIBAT8Bjpl9P//EABoQAAICAwAAAAAAAAAAAAAAAAARARAhMTL/2gAIAQEABj8CckY2dqnX/8QAGhAAAwEBAQEAAAAAAAAAAAAAAAERMSFBUf/aAAgBAQABPyFE3jxobNxgTG6fINlXhbG2jtp//9oADAMBAAIAAwAAABBHL//EABcRAQEBAQAAAAAAAAAAAAAAAAEAEUH/2gAIAQMBAT8Q1Focv//EABkRAAIDAQAAAAAAAAAAAAAAAAABESGx0f/aAAgBAgEBPxCFnNDZaxw//8QAGhABAAMBAQEAAAAAAAAAAAAAAQARITGRQf/aAAgBAQABPxCxq9xGy6K5Et+sENsKt5B3ERfetza2J3KjWlb+Bk//2Q==","aspectRatio":1.5,"src":"/static/6585983d3c07629a208fa5ac63324f01/a6352/19642578_270031326737981_2769976865944755333_n.jpg","srcSet":"/static/6585983d3c07629a208fa5ac63324f01/40426/19642578_270031326737981_2769976865944755333_n.jpg 240w,\n/static/6585983d3c07629a208fa5ac63324f01/9104c/19642578_270031326737981_2769976865944755333_n.jpg 480w,\n/static/6585983d3c07629a208fa5ac63324f01/a6352/19642578_270031326737981_2769976865944755333_n.jpg 960w","sizes":"(max-width: 960px) 100vw, 960px"},"og":{"src":"/static/19642578_270031326737981_2769976865944755333_n-6585983d3c07629a208fa5ac63324f01.jpg","width":960,"height":640}}},"keywords_string":"MES movimento esquerda socialista PSOL fora temer direitos conjuntura crise greve luta"}}},"pageContext":{"slug":"blog/sobre-as-manifestações-do-30-de-junho/"}},"staticQueryHashes":["1507539293","2242502613"]}