{"componentChunkName":"component---src-templates-single-md-js","path":"/blog/vitoria-dos-99-vai-ter-pobre-negro-e-indigena-na-usp/","result":{"data":{"markdownRemark":{"html":"<p><strong>Texto por Diogo Dias e Luana Alves</strong>, diretores do DCE-Livre da USP e, respectivamente, representantes discentes no Conselho de Gradua&ccedil;&atilde;o e no Conselho Universit&aacute;rio da USP.</p>\n<p>____</p>\n<p>A proposta foi aprovada no Conselho Universit&aacute;rio, maior &oacute;rg&atilde;o de delibera&ccedil;&atilde;o da universidade, e prev&ecirc; 50% de reserva de vagas para estudantes oriundos de escola p&uacute;blica e dessas, uma parcela destinada a pretos, pardos e ind&iacute;genas, de acordo com a sua propor&ccedil;&atilde;o no Estado de S&atilde;o Paulo. Al&eacute;m disso, a universidade dever&aacute; aumentar anualmente a propor&ccedil;&atilde;o reservada para esses grupos at&eacute; 2021, quando a USP dever&aacute; contar com, no m&iacute;nimo, 18,5% de estudantes negros e ind&iacute;genas.</p>\n<p>A Universidade de S&atilde;o Paulo historicamente foi pensada para ser a escola de forma&ccedil;&atilde;o dos ricos e poderosos, respons&aacute;veis por decidir os rumos do pa&iacute;s. Dessa maneira, a universidade deveria ser o espa&ccedil;o de uma elite que comandaria as principais decis&otilde;es do estado e da na&ccedil;&atilde;o de acordo com seus pr&oacute;prios interesses. N&atilde;o &agrave; toa, sa&iacute;ram daqui as principais figuras que representam a atual casta pol&iacute;tica brasileira, como: Fernando Henrique Cardoso, Delfim Netto, Michel Temer e tantos outros.</p>\n<p>Nesse sentido, a USP sempre foi um espa&ccedil;o de representa&ccedil;&atilde;o do poder social, branco e econ&ocirc;mico das classes dominantes paulistas. Setores da direita, representados no PMDB, DEM, e principalmente no PSDB, recorrentemente usam a USP como vitrine de sua linha pol&iacute;tica antipopular e neoliberal. Por isso, em seus governos, a universidade tornou-se um mecanismo de transfer&ecirc;ncia de dinheiro dos pobres para os ricos (via ICMS), distorcendo a fun&ccedil;&atilde;o social da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica superior. Assim como fazem nos direitos &agrave; sa&uacute;de, ao transporte, &agrave; moradia; usando uma institui&ccedil;&atilde;o bancada com dinheiro p&uacute;blico para manter privil&eacute;gios a alguns poucos endinheirados, enquanto sucateiam os servi&ccedil;os p&uacute;blicos usados pela maioria.</p>\n<p>A vit&oacute;ria das cotas &eacute; uma vit&oacute;ria tamb&eacute;m sobre essa l&oacute;gica injusta, que est&aacute; cada vez mais sendo posta em xeque.</p>\n<p>A luta por cotas sociais e raciais na USP n&atilde;o &eacute; de hoje. S&atilde;o d&eacute;cadas de mobiliza&ccedil;&atilde;o, envolvendo diversos atores pol&iacute;ticos e movimentos sociais internos e externos &agrave; universidade. Sem d&uacute;vidas, o N&uacute;cleo de Consci&ecirc;ncia Negra da USP, com seus ativistas hist&oacute;ricos, ao longo de seus 30 anos de exist&ecirc;ncia e resist&ecirc;ncia, foi o grande foco dessas lutas em contraponto ao racismo uspiano. A magnitude hist&oacute;rica da conquista das cotas na USP talvez seja compar&aacute;vel apenas ao decreto da autonomia universit&aacute;ria , de 1989, em termos de mudan&ccedil;a estrutural. Ainda assim, representa um avan&ccedil;o mais profundo, pois ataca a raiz excludente da universidade.</p>\n<p>&Eacute; fundamental entender o que representa essa vit&oacute;ria no contexto do avan&ccedil;o da privatiza&ccedil;&atilde;o da universidade. H&aacute; anos, a reitoria e o governo estadual buscam sucatear e privatizar a USP, sempre com o pretexto da falta de dinheiro gerada pela crise econ&ocirc;mica. &Eacute; o mesmo argumento usado pelo governo corrupto de Temer para tirar o direitos trabalhistas e aposentadoria do povo. No fundo, ambos representam a mesma coisa: uma desculpa dos setores mais ricos para tentar manter seus privil&eacute;gios econ&ocirc;micos, cortando direitos p&uacute;blicos. Na USP, argumentam que a privatiza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma resposta justa ao perfil elitizado dos estudantes. A vit&oacute;ria das cotas vai na contram&atilde;o disso! Que o direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior p&uacute;blica, gratuita e de qualidade seja democratizado!</p>\n<p>Finalmente, a vit&oacute;ria das cotas sociais e raciais tamb&eacute;m mostra o quanto a luta de gente comum pode, de fato, mudar a realidade. &Eacute; uma li&ccedil;&atilde;o que a juventude negra e pobre tira: somos protagonistas da hist&oacute;ria e, na luta coletiva, temos o poder para mudar o mundo.</p>\n<p>Nossa luta, para al&eacute;m do acesso, agora vai na defesa da perman&ecirc;ncia do nosso povo: vamos ocupar e resistir em todos os espa&ccedil;os da universidade!</p>\n<p><strong>Faremos Palmares de novo!</strong></p>","fields":{"slug":"blog/vitoria-dos-99-vai-ter-pobre-negro-e-indigena-na-usp/"},"frontmatter":{"categories":[],"publish_date":"2017-07-05T15:13:01.000Z","title":"Vitória dos 99%! 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