Principal desafio de 2026 é derrotar a extrema direita para além das eleições, diz Sâmia Bomfim
No canal da Revista Fórum, deputada comenta cenário político para as próximas eleições e os principais embates no Congresso Nacional
23 jan 2026, 12:27 Tempo de leitura: 3 minutos, 20 segundos
A deputada federal Sâmia Bomfim esteve no Fórum Onze e Meia desta quinta-feira (22) e analisou os principais desafios políticos do Brasil nas próximas eleições. Para a parlamentar, a reeleição de Lula (PT) e a derrota da extrema direita em “boas condições” no Congresso Nacional devem guiar a mobilização do campo progressista.
“Por que eu digo em boas condições? Porque a gente derrotou o Bolsonaro na última eleição, mas numa condição muito difícil, 1,5 milhão de diferença de votos somente, e a força política e social que eles têm ainda é imensa. Então, é tentar virar o jogo de verdade. Não é fácil, mas eu acho que o desafio é esse: fazer uma derrota para além de eleitoral à extrema direita”
– afirma a deputada
Em relação ao Congresso Nacional, Sâmia ressalta que o foco deve ser na derrota da ala dominante composta por “grandes chantagistas que só querem saber de ganhar dinheiro às custas do direito do povo”. A deputada também destaca os temas centrais ao povo brasileiro que devem ser pauta de mobilização. Primeiro, o projeto pelo fim da escala 6×1, que sequer foi despachado pelo presidente Hugo Motta. “A gente precisa de uma comissão especial, a sociedade precisa debater esse tema”, diz Sâmia.
Em segundo lugar, a deputada defende que é importante seguir fazendo com que a força e a mobilização popular se imponham e imponham derrotas ao Congresso Nacional. “A gente conseguiu fazer isso no ano passado em alguns momentos, como no tema da PEC da Blindagem, a gente conseguiu fazer no ano retrasado com o movimento feminista contra o PL do estupro, a gente conseguiu inclusive com a própria pauta da anistia, que por anos a gente foi minoria nas ruas. Claro, aprovaram aquela anistia branda, a dosimetria, mas não sem desgaste das relações institucionais o que, em última instância, é ruim para eles também”, afirma a deputada.
Briga entre bolsonaristas
Sâmia também comentou sobre os embates entre os filho de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), para disputar o espólio político do ex-presidente.
“Tem uma disputa profunda sobre o espólio do bolsonarismo, sobre quem vai ser o novo nome da extrema direita, quem tem mais condição de organizar esse campo, o que passa por apoios políticos institucionais de nomes da direita tradicional, do empresariado, do agro, mas passa também por construção de figuras. E eles estão num momento de guerra porque o tempo corre contra eles também”
– comenta Sâmia
Por outro lado, a deputada destaca que é importante que, enquanto eles brigam, a esquerda e o governo Lula precisam “botar o carro na rua” e avançar com as pautas populares. A parlamentar destaca, por exemplo, duas medidas aprovadas pelo presidente nesta semana, com a recomposição em quase R$ 1 bilhão do orçamento das instituições federais e o aumento do piso do magistério. “Temos que seguir apostando em pautas populares, fazendo entregas importantes para o povo brasileiro enquanto eles brigam, porque o tempo corre a nosso favor nesse sentido.”
“Mas em breve eles vão precisar ter uma definição, porque as convenções são em março e essa confusão entre eles tem um limite e, por mais ridículo que seja – eu acho completamente ridículo aquilo que o Nikolas vem fazendo, aquela caminhada que junta aquela tropa de desoucupados – eu acho que também tem um sentido dele dizer ‘ó, a gente está se movimentando’, tentando ali disputar a narrativa, que é um termo tão importante hoje em dia, sobretudo nas redes”
– conclui Sâmia
Confira a entrevista completa da deputada Sâmia Bomfim: