Após ação de parlamentares do PSOL, gestão Nunes passa a ser investigada por esquema na área de turismo
Ministério Público abriu inquérito para apurar suspeitas envolvendo contratos milionários da SPTuris com empresa 'laranja' ligada a ex-secretário-adjunto
4 mar 2026, 13:40 Tempo de leitura: 2 minutos, 27 segundos
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo após representação protocolada pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), pela deputada estadual Mônica Seixas (PSOL-SP) e pela vereadora Luana Alves (PSOL-SP). O inquérito apura suspeitas de irregularidades em contratos da Prefeitura com empresas de turismo ligados à São Paulo Turismo (SPTuris).
Segundo o G1, o Ministério Público instaurou investigação para apurar possível esquema que levou à demissão do então secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, e do ex-presidente da SPTuris, Gustavo Pires. A Prefeitura tem prazo de 20 dias para apresentar todos os contratos firmados com as empresas investigadas, além de prestar contas detalhadas sobre os serviços executados.
A apuração envolve contratos que somam R$ 229 milhões firmados entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa MM Quarter, ligada à empresária Nathália Carolina de Souza Silva, ex-sócia de Marinho. Documentos analisados pela Controladoria-Geral do Município (CGM) apontam indícios de possível “sociedade oculta” entre a empresária e o então gestor público.
Entenda o caso
A crise teve início após reportagens revelarem que a empresa ligada à ex-sócia do secretário-adjunto mantinha 24 contratos milionários com a SPTuris. Diante da repercussão, o prefeito exonerou Marinho e o presidente da estatal.
A CGM identificou uma procuração que indicaria possível vínculo societário oculto entre a empresária e o ex-integrante da gestão municipal, levantando suspeitas de conflito de interesses e eventual favorecimento em contratos públicos. Após a divulgação dos indícios, as parlamentares do PSOL protocolaram representação no Ministério Público solicitando investigação sobre os contratos e o possível uso de “empresa laranja”.
“Estamos falando de milhões em contratos públicos sob suspeita. Se há uso de empresa laranja, possível favorecimento e falhas graves de fiscalização, isso não é detalhe burocrático, é um indício de desvio da finalidade da máquina pública”, afirmou a vereadora Luana Alves.
Prazo para explicações
Com a abertura do inquérito, o Ministério Público determinou que a Prefeitura apresente, no prazo de 20 dias, a íntegra dos contratos firmados com as empresas investigadas, além da prestação de contas detalhada dos serviços realizados.
A investigação ocorre em meio a questionamentos sobre a destinação de recursos públicos da área de cultura e turismo da capital paulista. As parlamentares afirmam que acompanharão o andamento do caso.
“Após ação conjunta do nosso mandato com a vereadora Luana Alves e a deputada estadual Mônica Seixas, o prefeito passa a ser investigado. Vai ter que explicar para onde está indo o dinheiro da cultura de São Paulo”, declarou Sâmia.
Foto: Divulgação/Prefeitura de São Paulo