1ª Conferência Antifascista: Sâmia destaca papel do feminismo e da soberania digital no combate à extrema direita

Deputada integrou debates sobre avanço global do fascismo, regulação das plataformas e protagonismo das mulheres em encontro que reuniu lideranças de diversos países

2 abr 2026, 11:30 Tempo de leitura: 4 minutos, 20 segundos
1ª Conferência Antifascista: Sâmia destaca papel do feminismo e da soberania digital no combate à extrema direita

Entre os dias 26 e 29 de março, foi realizada, em Porto Alegre (RS), a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. O encontro reuniu lideranças políticas, movimentos sociais, pesquisadores e organizações de diversos países com o objetivo de articular estratégias de enfrentamento à extrema direita em escala global. A presença da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) esteve entre os destaques da programação.

Ao longo da conferência, a parlamentar integrou mesas centrais, participou de debates com interlocutores internacionais e reforçou a necessidade de respostas coordenadas diante do avanço de forças autoritárias, do poder das plataformas digitais e dos ataques a direitos sociais e democráticos. “A nossa luta é internacional e combater a extrema direita é a tarefa da nossa geração”, afirmou.

Ofensiva global da extrema direita

A participação de Sâmia teve início na sexta (27), na mesa “A ofensiva da extrema direita no mundo: causas, consequências e desafios”, que reuniu representantes do Brasil, Bélgica, Argentina, França e Uruguai. Durante o debate, foram analisados os fatores que explicam o crescimento do reacionarismo em diferentes países, incluindo crises econômicas, desigualdades sociais e o uso estratégico das redes digitais para disseminação de desinformação e discurso de ódio.

A deputada também destacou os impactos das mudanças climáticas como expressão concreta desse cenário. Para ela, o avanço do fascismo está ligado à crise de hegemonia global, especialmente dos Estados Unidos, e às disputas por recursos energéticos:

“Aqui, na América Latina, a gente volta a resgatar conceitos e definições que talvez as últimas gerações não tenham debatido tanto, que é a noção de soberania, da unidade latino-americana e da compreensão do nosso território como um território a ser dominado e cada vez mais explorado pelos Estados Unidos. E é isso que infelizmente está em curso.”

Sâmia também defendeu a construção de uma alternativa ecossocialista e a ampliação da mobilização popular como caminhos para enfrentar as desigualdades sociais e de gênero. “A misoginia também é uma das faces do fascismo. O ódio e a violência contra as mulheres nos intimidam e reduzem nossa capacidade de agir, mas estamos na linha de frente contra os fascistas”, completou.

Big techs e soberania digital

Ainda na sexta, a deputada participou da mesa “Enfrentar as big techs e derrotar o fascismo: um encontro pela soberania digital”, que abordou o papel das grandes empresas de tecnologia na amplificação de conteúdos extremistas e na estruturação de redes de desinformação. Ao lado de parlamentares e pesquisadores, Sâmia ressaltou a relação direta entre o modelo de negócios dessas plataformas, baseado em engajamento e monetização, e a disseminação de conteúdos misóginos, violentos e antidemocráticos.

“É evidente a relação entre as empresas de tecnologia e a extrema-direita, bem como o papel dessas plataformas na amplificação desse tipo de conteúdo”, destacou.

Na mesma noite, Sâmia participou do lançamento da revista Retomada, publicação teórico-política vinculada ao Movimento Esquerda Socialista (MES), da qual é colaboradora. O evento reuniu intelectuais e ativistas, incluindo o filósofo Vladimir Safatle, e apresentou um dossiê dedicado à análise do fascismo contemporâneo.

Feminismo e unidade internacional nos eixos da luta

No sábado (28), Sâmia participou da mesa “Feminismo e a luta antifascista”, um dos momentos mais expressivos da conferência, que reuniu mais de mil mulheres. O debate destacou o papel central do feminismo no enfrentamento ao fascismo, tanto na resistência a políticas autoritárias quanto na construção de alternativas democráticas e igualitárias.

“Quando as mulheres avançam, o fascismo recua”, afirmou a deputada. Ressaltou ainda que o crescimento da extrema direita está diretamente associado a reações conservadoras contra os avanços dos direitos das mulheres e que, por isso, o feminismo ocupa posição estratégica na disputa política contemporânea.

Ao fim da conferência, foi aprovado um documento político que reafirma a necessidade de unidade internacional para enfrentar o fascismo, o imperialismo e as desigualdades globais. A chamada “Carta de Porto Alegre” aponta que a defesa de um futuro sustentável passa pelo enfrentamento ao ecocídio promovido por setores econômicos e governos alinhados à extrema direita, que tratam a natureza como mercadoria e desmontam políticas de proteção ambiental.

“Além de resistir ao fascismo e ao imperialismo, almejamos também construir as bases para avançar, em nossas convergências em aspectos centrais e unitários. Para combater o autoritarismo, é preciso resgatar, ampliar e aprofundar os direitos democráticos com base na participação popular”, diz um trecho do documento.

Para Sâmia, a conferência representou um passo importante na construção dessa articulação: “Diante de um mundo marcado por guerras, ataques a direitos e ameaças às liberdades democráticas, é fundamental que a gente organize uma resposta internacional à altura dos desafios que estão colocados.”

*Com informações do Brasil de Fato, Quarta Internacional, Revista Movimento e Portal Vermelho

Fotos: Rebeca Meyer/ASCOM-Sâmia Bomfim