Sâmia cobra USP por irregularidades em restaurantes universitários privatizados

Ofício enviado em conjunto com Monica Seixas aponta denúncias de alimentos impróprios, filas exaustivas e atrasos; deputadas pedem providências e revisão da terceirização

3 abr 2026, 15:20 Tempo de leitura: 2 minutos, 54 segundos
Sâmia cobra USP por irregularidades em restaurantes universitários privatizados

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) enviou um ofício à Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento da Universidade de São Paulo (USP) cobrando providências diante de denúncias sobre a qualidade dos serviços prestados nos restaurantes universitários privatizados. O documento, encaminhado na quinta (2), é assinado em conjunto com a deputada estadual Monica Seixas (PSOL) e aponta uma série de problemas relatados por estudantes, como alimentos impróprios para consumo, atrasos no atendimento e insuficiência na oferta de refeições.

No ofício, as parlamentares afirmam que receberam denúncias sobre “constantes atrasos na abertura do restaurante, filas exaustivas, baixa qualidade da alimentação oferecida, fornecimento de quantidade insuficiente para o número de alunos, entre outras graves denúncias, como a presença de larvas na alimentação e frango estragado”. As deputadas também destacam a gravidade da situação para estudantes em vulnerabilidade socioeconômica.

“Preocupa-nos a ausência de segurança alimentar desses estudantes, especialmente daqueles em vulnerabilidade socioeconômica, que dependem exclusivamente desses serviços para alimentação diária e acompanhamento das aulas”

– diz trecho do documento

O ofício solicita a abertura de diálogo com estudantes e direções das unidades, além da adoção de medidas urgentes para corrigir os problemas e revisar o modelo de terceirização. “Esta situação, agravada recentemente, exige que os dirigentes da Universidade sejam responsáveis pela supervisão do cumprimento contratual e pela tomada urgente das medidas cabíveis para mitigação dos danos imediatos, bem como a revisão do modelo de terceirização”, afirmam.

A iniciativa das parlamentares ocorre em meio a mobilizações de estudantes da USP, que denunciam a precarização dos serviços após a privatização dos restaurantes universitários. A situação levou à realização de uma Assembleia Geral Extraordinária na Faculdade de Direito, que resultou na elaboração de uma carta de reivindicações.

“Recebemos denúncias relacionadas a alimentos inapropriados para o consumo, filas exaustivas e atrasos nas refeições nos restaurantes universitários privatizados na USP. Como ex-aluna e trabalhadora licenciada da universidade, sei do impacto das privatizações nos serviços oferecidos pela USP”

– destacou Sâmia

A deputada também criticou o modelo adotado pela universidade: “As privatizações significam, no final das contas, precarização do trabalho e também dos serviços oferecidos aos estudantes. O que pedimos à universidade são explicações e providências sobre a alimentação fornecida. Todo apoio às mobilizações de trabalhadores e estudantes em curso na universidade.”

Terra, pedras, fragmentos e vermes

As reclamações sobre os restaurantes universitários da USP vêm sendo sistematizadas por estudantes e centros acadêmicos. Um abaixo-assinado organizado pelo Centro Acadêmico de Ciências Sociais aponta problemas recorrentes, como falhas no abastecimento, qualidade inadequada das refeições e dificuldades de acesso, com longas filas e atrasos frequentes.

Os relatos incluem ainda episódios considerados graves, como a presença de corpos estranhos nos alimentos e a distribuição de comida em condições inadequadas para consumo. A situação tem sido associada ao processo de terceirização dos serviços de alimentação, alvo de críticas por parte da comunidade acadêmica. Entre os problemas apontados estão a queda na qualidade das refeições e dificuldades operacionais nos bandejões, especialmente nas unidades com gestão privatizada.

Foto: Foto Marcos Santos/USP Imagens