Greve na USP: Sâmia participa de ato e reforça apoio à mobilização de trabalhadores e estudantes

Deputada, que é ex-aluna e servidora licenciada da universidade, acompanha paralisação desde o início e cobra negociação da reitoria por isonomia salarial e melhorias nas condições de estudo

16 abr 2026, 20:39 Tempo de leitura: 3 minutos, 19 segundos
Greve na USP: Sâmia participa de ato e reforça apoio à mobilização de trabalhadores e estudantes

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) participou, hoje (16), de um ato na Universidade de São Paulo (USP), onde trabalhadores técnico-administrativos e estudantes estão há dois dias mobilizados. A paralisação ocorre contra a distinção feita pela reitoria ao conceder bônus salarial exclusivamente aos docentes, excluindo os demais servidores, e reúne reivindicações como melhorias nas condições de trabalho, fim da precarização dos restaurantes universitários e ampliação das políticas de permanência estudantil.

Ao lado da deputada estadual Monica Seixas e da vereadora de Campinas Mariana Conti, ambas do PSOL, Sâmia destacou o caráter histórico da mobilização e criticou a política adotada pela reitoria. “Propor um abono somente para os docentes, ignorando o conjunto dos trabalhadores da universidade, é um gesto de humilhação. É ignorar quem constrói essa universidade todos os dias”, afirmou.

Ex-aluna e servidora licenciada da USP, a deputada ressaltou sua trajetória na universidade e a relação com a mobilização.

“Todas as vezes que me perguntam de onde vem tanta coragem, combatividade e resiliência para lidar com a corja do Congresso Nacional, respondo com muito orgulho que eu tenho escola, tenho história e tenho trajetória na comunidade universitária. Foi essa experiência que me formou para lutar em defesa de uma universidade pública, gratuita e de qualidade”

– Sâmia

Isonomia já!

A greve dos trabalhadores técnico-administrativos (TAEs) foi aprovada em assembleia no dia 9 de abril, após a decisão da reitoria de conceder uma gratificação exclusiva aos docentes. A medida foi considerada uma quebra de isonomia pela categoria, que reivindica a divisão do montante entre todos os trabalhadores, estimada em um acréscimo mensal de R$ 1.600 sobre os salários.

Os servidores reivindicam, ainda, recomposição de perdas acumuladas, fim da reposição de horas em períodos de recesso e melhores condições de trabalho. Também integram a pauta medidas voltadas aos funcionários terceirizados, como o fim da escala 6×1 e o acesso ao transporte interno da universidade, o BUSP.

Estudantes reforçam a pressão

A mobilização ganhou força com a adesão dos estudantes, que aprovaram greve por tempo indeterminado em assembleia realizada ontem (15), unificando as pautas e ampliando a pressão sobre a reitoria. Eles reivindicam aumento dos auxílios de permanência e mudanças nos restaurantes universitários, que têm sido alvo de denúncias de precarização, incluindo casos de larvas e pedras na comida. Também questionam medidas que afetam a autonomia dos espaços estudantis.

Mais tarde, Sâmia fez um discurso no plenário da Câmara registrando apoio à greve e destacando a importância dessa articulação conjunta. “Os estudantes também estão mobilizados porque as bolsas não são reajustadas há anos, enquanto o custo de vida só aumenta. É fundamental ampliar as políticas de permanência para garantir que esses jovens consigam estudar e se formar com dignidade”, endossou.

Já nesta quinta (16), uma audiência pública que seria realizada pelas parlamentares na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi convertida no ato em frente à reitoria, reunindo centenas de trabalhadores e estudantes. “Estamos diante de uma luta legítima, que envolve toda a comunidade universitária. É preciso que a reitoria se disponha a negociar e apresente respostas às reivindicações”, apontou a deputada.

“São problemas que impactam diretamente a vida de quem estuda e trabalha na USP e que precisam ser enfrentados com seriedade […] Todo apoio à greve dos trabalhadores da USP e à mobilização dos estudantes. Estamos juntos nessa luta.”

A mobilização segue em curso, com atos, assembleias e negociações em andamento em todos os campi da universidade espalhados pelo estado de São Paulo, reunindo cerca de 97 mil alunos em mais de 100 cursos, além de aproximadamente 12.600 servidores técnico-administrativos.

Fotos: Léo Utida e Rebeca Meyer/ASCOM-Sâmia Bomfim