Sâmia encampa debate na CCJ pelo fim da escala 6×1: “dia histórico para os trabalhadores”
Deputada foi contundente na votação pela admissibilidade da PEC e desafiou parlamentares de direita a mostrarem suas carteiras de trabalho: “não fazem a menor ideia do que é”
23 abr 2026, 11:33 Tempo de leitura: 3 minutos, 5 segundos
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) teve participação de destaque no debate que resultou na aprovação da PEC 221/2019, que propõe o fim da escala 6×1, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na última quarta (22). Em uma sessão marcada por embates e forte mobilização social, Sâmia defendeu a medida como uma conquista histórica dos trabalhadores e criticou duramente a resistência de setores da direita ao avanço da pauta.
Logo no início da discussão, a parlamentar ressaltou o peso da pressão popular para que a proposta avançasse no Congresso. “Esse é um grande exemplo de que a sociedade pode dobrar o Congresso Nacional”, afirmou. Segundo ela, mesmo diante da resistência inicial de lideranças partidárias, o amplo apoio social – que ultrapassa 70% da população, segundo diferentes pesquisas – foi determinante para a tramitação da matéria.
Sâmia também comparou o debate atual às disputas travadas na época da criação da CLT e da Constituição de 1988. “A gente vê a mesma ladainha se repetindo. Dizem que vai quebrar a economia, que vai gerar desemprego. Mas é justamente o contrário”, argumentou. Para a deputada, a redução da jornada pode estimular a geração de empregos, ampliar a renda e melhorar as condições de vida da população.
A parlamentar destacou ainda o impacto desigual da jornada sobre as mulheres trabalhadoras. “Estamos falando de uma conquista, sobretudo, para as mulheres, que, na prática, cumprem uma escala 7 por 0”, disse. Ela defendeu que a economia precisa ser pensada a partir das pessoas que produzem riqueza, e não apenas sob a lógica do mercado.
Tem coragem?
Em um dos momentos mais tensos da sessão, Sâmia desafiou parlamentares contrários à proposta. A deputada acusou setores da extrema direita de atacarem o fim da escala 6×1 nas redes sociais, mas evitarem o debate direto na comissão. “Vociferam nas redes sociais, mas, na hora de explicar para a sociedade, somem. São muito covardes”, afirmou.
Em crítica direta ao deputado Kim Kataguiri (MISSÃO-SP), Sâmia mostrou a própria carteira de trabalho e o questionou:
“Quero ver ter coragem para apresentar a carteira de trabalho assinada com a escala 6 por 1. Ele não faz a menor ideia do que é isso, do que é um jovem trabalhador que precisa acordar cedo, pegar transporte público, bater cartão, não voltar para casa, mas ir para a faculdade, dormir de madrugada e acordar na outra madrugada”
A parlamentar ampliou as críticas ao apontar que muitos dos opositores desconhecem a realidade da classe trabalhadora. “É muito fácil defender essa escala desumana sem nunca ter vivido o que é acordar cedo, pegar transporte lotado, trabalhar o dia inteiro e ainda estudar à noite”, disse.
Hora de avançar
Apesar dos embates, Sâmia destacou que a aprovação representa uma virada após anos de retirada de direitos. “Estamos rompendo um ciclo em que o Congresso só retirava direitos dos trabalhadores. Agora é hora de avançar”, afirmou.
Ao celebrar a aprovação da admissibilidade, a deputada reforçou que a mobilização social seguirá sendo essencial nas próximas etapas. “Esse é só o começo de um processo. Precisamos garantir que não haja redução de salários nem manobras que descaracterizem a proposta”, disse.
Com a aprovação na CCJ, a PEC segue agora para análise em uma comissão especial, onde será debatido o mérito da proposta. Caso avance, ainda precisará ser votada em dois turnos no plenário da Câmara antes de seguir para o Senado.
Foto: Reprodução/TV Câmara