Sâmia Bomfim pede fim do contrato de concessão da Enel por apagão em SP

Deputada destaca, ao Ministério Público, histórico de má prestação de serviço da empresa na capital paulista

13 dez 2025, 17:31 Tempo de leitura: 3 minutos, 53 segundos
Sâmia Bomfim pede fim do contrato de concessão da Enel por apagão em SP

Publicado pela Revista Fórum

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) entrou com uma representação no Ministério Público de São Paulo pedindo uma investigação contra a Enel Energia pelo apagão que ocorre na cidade desde quarta-feira (10).

Após tempestades com fortes rajadas de vento na capital paulista, que chegaram a aproximadamente 100 km/h, diversos bairros ficaram sem energia elétrica. O apagão atingiu, pelo menos, 1,5 milhão de residências na quarta-feira. Hoje, ainda são 648,9 mil clientes desligados.

Na representação, a deputada afirma que o episódio “expõe, mais uma vez, fragilidades estruturais na prestação do serviço por parte da concessionária ENEL Energia, cuja atuação reiteradamente tem se mostrado insuficiente para garantir a continuidade, a eficiência e a segurança do serviço público essencial que lhe foi delegado”.

Sâmia ainda destaca que a empresa tem um histórico de “má prestação de serviço, marcado por interrupções recorrentes, falhas graves de manutenção preventiva, demora injustificável no restabelecimento do fornecimento e desrespeito a princípios constitucionais da administração pública, especialmente o princípio da eficiência”.

A parlamentar acrescenta que o problema é resultado da privatização “sem a devida garantia de mecanismos robustos de controle social, participação popular, fiscalização contínua e responsabilização efetiva”.

Com base nisso, Sâmia pede a instauração imediata de uma atuação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com o objetivo de:

  • Criação de um Grupo Interinstitucional de Acompanhamento da Crise para acompanhar as ações de restabelecimento do serviço: supervisionar a execução do plano de contingência da concessionária; e promover comunicação transparente e tempestiva à sociedade;
  • Expedição de ofício conjunto à concessionária, requisitando, em caráter de urgência, um plano completo e detalhado de restabelecimento do serviço; mapeamento das áreas afetadas e prioridades técnicas; relatórios de manutenção preventiva e podas; e registros de execução do plano de contingência;
  • Instauração coordenada de mecanismos de apuração, sobretudo um Inquérito Civil, pelo Ministério Público, para investigar os impactos coletivos e a eventual violação aos princípios administrativos; e um Processo Administrativo de Fiscalização, pela ANEEL, para apurar possível descumprimento de obrigações regulatórias, contratuais e de qualidade.
  • Avaliação da possibilidade de celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) tripartite, entre Ministério Público, ANEEL e concessionária, para corrigir falhas, aprimorar o serviço e estabelecer compromissos claros de prevenção e resposta a novas ocorrências.

A deputada ainda pede a avaliação de medidas jurídicas cabíveis para a revisão do contrato de concessão e, se necessário, intervenção ou extinção da concessão da Eneel em São Paulo.

“Entendemos que o atendimento ao quanto aqui solicitado é medida urgente e necessária, dada a crescente gravidade da situação, que tem se mostrado insustentável para a população e para o funcionamento de serviços essenciais, sem prejuízo de outras iniciativas jurídicas e administrativas”, finalizou Sâmia.

Resultado da privatização é catastrófico

À Fórum, a deputada destacou que essa não é a primeira vez que São Paulo fica no escuro após um temporal, e que isso “não é obra do acaso”. “Falta ação dos negacionistas Tarcísio e Nunes frente à realidade do colapso climático”, afirma Sâmia.

A parlamentar também denuncia a política de privatização tanto do governo municipal quanto estadual, e diz que o resultado desse processo é “catastrófico”.

“A Enel também é diretamente responsável: o resultado da privatização é catastrófico, faltam equipes de trabalho e investimento para prevenir que a rede colapse durante as chuvas, tudo para ampliar a margem de lucro. Quem paga a conta, como sempre, são as famílias sem luz, os comércios parados, os hospitais e equipamentos públicos operando no limite.”

A deputada acrescenta que, diante disso, é “urgente investigar, fiscalizar e, sobretudo, restabelecer os serviços com prioridade absoluta”.

“A cidade não pode ficar refém de uma empresa que se mostrou incapaz de responder a emergências e de garantir o básico. Já passou da hora de romper o contrato de concessão e devolver ao controle público um setor essencial para a vida e para a segurança de milhões de pessoas.”

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil