Sâmia aciona MP contra o Discord após caso Orelha e denuncia lucro com violência digital
"Há tempos essas plataformas seguem lucrando com atos criminosos", diz deputada federal
1 fev 2026, 17:12 Tempo de leitura: 1 minuto, 56 segundos
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) acionou, nesta sexta (30), o Ministério Público contra a plataforma Discord, acusando a empresa de permitir e lucrar com a circulação de “desafios” e “jogos criminosos” associados a episódios de violência extrema, como o caso que resultou na morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), e que vem mobilizando o país no debate sobre direitos dos animais e violência juvenil em ambientes digitais.
Sâmia afirmou em suas redes que o caso de Orelha, um cachorro de cerca de 10 anos querido pela comunidade, é “triste e horrorizante” e que esses episódios têm se multiplicado a partir de práticas organizadas em plataformas como o Discord, que “há tempos são usadas para atos criminosos, inclusive para aliciamento de crianças e adolescentes, e seguem lucrando com esse uso”.
Entenda o caso
O caso ocorreu em 4 de janeiro, quando Orelha foi encontrado gravemente ferido na Praia Brava, no norte de Florianópolis, após ter sido brutalmente espancado por quatro adolescentes. O animal foi levado a uma clínica veterinária, mas devido à gravidade dos ferimentos foi submetido à eutanásia.
Dois dos quatro adolescentes envolvidos foram enviados pelos próprios pais aos Estados Unidos após a repercussão do caso e a comoção nacional. Eles já retornaram ao Brasil e foram recebidos pela Polícia Civil de Santa Catarina no aeroporto, que instaurou inquérito por maus-tratos.
Segundo a polícia, os pais de dois dos adolescentes e um tio atuaram para coagir testemunhas e obstruir as investigações. Os três adultos já foram indiciados. Após a mobilização por justiça, a primeira juíza designada também declarou suspeição para atuar no processo, por possuir vínculos com a família dos envolvidos.
Em entrevista à BBC News Brasil, a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, alertou que a brutalidade contra Orelha não é um incidente isolado. Para ela, o caso “expõe um fenômeno de crescimento de atos violência extrema cometidos por jovens, muitos deles de classes médias e altas, alimentados pela violência digital e pela falta de supervisão familiar”.
Foto: Polícia Civil de Santa Catarina