Com articulação de Sâmia, Câmara aprova jornada de 30 horas para psicólogos
Projeto aprovado na CCJ em caráter conclusivo garante redução da carga horária sem corte salarial
14 maio 2026, 20:01 Tempo de leitura: 2 minutos, 38 segundos
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara aprovou, nesta terça (12), o Projeto de Lei 1214/2019, que fixa em até 30 horas semanais a jornada de trabalho de psicólogos e psicólogas, sem redução salarial. A proposta é uma reivindicação histórica da categoria e contou com forte atuação da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) para que o texto fosse mantido na pauta da comissão.
O projeto, de autoria da deputada Erika Kokay (PT-DF), altera a Lei 4.119/1962, que regulamenta a profissão de psicólogo. A votação foi acompanhada por intensa mobilização da categoria, que lotou o plenário da CCJ e pressionou parlamentares em defesa da proposta.
Antes da apreciação da matéria, Sâmia fez um apelo para que o projeto não fosse retirado da pauta em meio às disputas sobre outros temas da sessão. “Eles se mobilizaram, vieram de todos os estados, e eu faço um apelo para que a gente possa avançar nessa pauta histórica pela valorização de mais de meio milhão de psicólogos do Brasil”, afirmou.
Durante a votação, a deputada destacou o papel central da categoria no cuidado da população e defendeu que a redução da jornada também é uma medida de proteção aos próprios profissionais. “Ela é a principal profissão de suporte e enfrentamento na saúde mental, mas ainda é a única que não tem uma jornada de trabalho estabelecida em 30 horas. Eles lidam diária e diretamente com o sofrimento humano, por isso jornadas extensas prejudicam muito a qualidade do atendimento e impactam também a própria saúde mental dos psicólogos”, disse Sâmia.
A parlamentar também afirmou que o projeto ajuda a enfrentar a precarização das relações de trabalho. “Muitas vezes, esses profissionais têm múltiplas jornadas para complementar renda. Num contexto de epidemia de depressão e adoecimento mental, fortalecer a saúde mental da população passa necessariamente pela valorização dos psicólogos e psicólogas”, declarou.
Reconhecimento
O parecer aprovado na CCJ foi apresentado pelo deputado Helder Salomão (PT-ES), que argumentou que a redução da jornada possui respaldo constitucional e segue entendimento já consolidado pelo Supremo Tribunal Federal para outras categorias da área da saúde e assistência social.
A proposta também garante a adequação da jornada para contratos já existentes, vedando redução salarial. No caso de profissionais contratados pela administração pública sob regime da CLT, a implementação dependerá de previsão orçamentária e autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
A presidenta do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Ivani Oliveira, classificou a aprovação como uma conquista histórica da categoria. “Este momento representa o reconhecimento da complexidade e da importância inerentes ao exercício da Psicologia”, afirmou.
Como tramitava em caráter conclusivo, o projeto poderá seguir diretamente para o Senado Federal, caso não haja recurso para votação no plenário da Câmara.
Foto: Kamila Fontes/ASCOM-Sâmia Bomfim