Greve na USP: Sâmia Bomfim aciona Corregedoria e MP por ação truculenta de PMs contra estudantes
Ocupação da reitoria começou no dia 7 de maio com protestos por assistência, moradia e alimentação estudantil
12 maio 2026, 12:20 Tempo de leitura: 3 minutos, 30 segundos
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) anunciou que adotará medidas legais contra a operação da Polícia Militar na Universidade de São Paulo (USP). A parlamentar informou pelas redes sociais que acionará a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público diante da operação e relatou que a tropa de choque empregou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes, deixando os estudantes feridos.
“Estou acionando a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público para apurar a conduta ilegal e truculenta na última madrugada”, escreveu Sâmia. A ocupação da reitoria daa USP começou na última quinta-feira, por meio da defesa de pautas relativas à moradia e alimentação estudantil. Segundo o Diretório Central dos Estudantes, a intervenção policial ocorreu por volta das 4h15, sem reintegração de posse autorizada pela Justiça, e após o corte de serviços básicos pela universidade.
Estou acionando a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público para apurar a conduta ilegal e truculenta na última madrugada, quando a tropa de choque agiu com violência ao entrar na USP e agredir estudantes. Todo apoio à luta dos estudantes por permanência e democracia…
— Sâmia Bomfim (@samiabomfim) May 10, 2026
Ocupação da reitoria
Nesta quinta-feira (7), estudantes em greve da USP ocuparam o prédio da reitoria com um cordão humano para cobrar novas negociações. A paralisação, que já dura três semanas, cobra melhoria das condições de permanência e infraestrutura da universidade e ampliação da assistência socioeconômica.
De acordo com os estudantes, a reitoria não tem atendido de forma efetiva as reivindicações, que foram reunidas em um documento elaborado em assembleia geral por estudantes da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Os estudantes afirmam que das pautas apresentadas, poucas foram acatadas e que, mesmo as que foram negociadas, as mudanças não foram suficientes, como o aumento de somente R$5,00 e R$27,00 nas categorias integral e parcial com moradia, respectivamente, do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil.
Atualmente, os auxílios variam entre cerca de R$ 330 para estudantes com moradia e R$ 885 mensais para auxílio integral, além da gratuidade nos restaurantes universitários. Os estudantes reivindicam que o aumento do valor da bolsa seja para um salário-mínimo estadual, que hoje é de R$ 1.804,00.
Além disso, os estudantes cobram uma nova data para uma mesa de negociação e afirmam que a reitoria não cumpriu com o combinado de realizar uma reunião nesta quinta-feira (7), marcada em encontro do dia 30 de abril, o que resultou na manifestação desta manhã.
“Em todos os campi da USP surgiu um tensionamento muito grande após o comunicado da reitoria sobre o fim das negociações, por isso vários alunos estão se dispondo a dormir nas ocupações dos prédios como forma de apoio à revolta da comunidade estudantil com o pouco que foi negociado”
– relata Marina Oliveira, representante do Diretório Central dos Estudantes da USP
Ela afirma que desde manhã alunos estão reunidos no local e que uma nova manifestação estava prevista para às 14h para um aval da reitoria para uma nova negociação. “Com esse ato de hoje, a gente espera que pelo menos haja a disposição da reitoria de marcar uma nova data de negociação conosco, porque não aguentamos mais viver de migalhas enquanto estudamos e produzimos pesquisas para o país em geral”, acrescenta a estudante.
Reivindicações dos estudantes
Entre as principais reivindicações dos estudantes, está a melhoria da qualidade do Restaurante Universitário, após denúncias de comida estragada e com larvas; reformas na infraestrutura da universidade, com a construção de prédios previstos no projeto de espaço físico do campus, ampliação das políticas de permanência de mães nas universidades; sala destinada a todos os Centros e Diretórios Acadêmicos da EACH; implementação de vestibular indígena, cotas trans e cotas PCDs; além de questões de segurança.
Foto: Reprodução/Web