Universidade pública, feminismo e antifascismo marcam debate com Sâmia na Unifesp Guarulhos

Atividade reuniu centenas de estudantes, artistas e lideranças políticas em discussão sobre extrema direita, saúde mental, violência de gênero e transformação social

12 maio 2026, 19:22 Tempo de leitura: 3 minutos, 10 segundos
Universidade pública, feminismo e antifascismo marcam debate com Sâmia na Unifesp Guarulhos

Na última quinta (7), o campus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) recebeu a aula magna “Por uma universidade popular, feminista e antifascista”. A atividade reuniu cerca de 300 estudantes, além de professores, artistas e representantes de entidades estudantis, em um debate sobre os desafios da universidade pública diante do avanço da extrema direita, dos ataques à educação e da crise social vivida no país.

Além da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), participaram da mesa a historiadora Carolline Sardá e a co-deputada estadual pelo Movimento Pretas, Letícia Chagas. Organizada em conjunto com entidades da universidade, a atividade contou ainda com apresentações artísticas e intervenções culturais de estudantes.

Durante o debate, Sâmia destacou a importância da universidade pública como espaço de pensamento crítico, organização coletiva e transformação social. “Se a correlação de forças não é boa, lutemos para mudá-la. Se a situação não é boa, ela pode ficar melhor a partir da nossa atuação”, afirmou.

A deputada também criticou o avanço do fascismo e a forma como setores da extrema direita têm canalizado a indignação social para ataques contra mulheres, população LGBTQIAPN+ e movimentos sociais. “Os misóginos e redpills são fruto de uma revolta legítima, porque também são oprimidos por um sistema brutal, mas direcionam isso para as pessoas erradas. É uma revolta canalizada contra as mulheres, contra as LGBT, contra negros e negras, contra a esquerda e contra as feministas”, disse.

Sâmia ainda ressaltou que o enfrentamento à extrema direita exige mobilização permanente para além das disputas eleitorais:

“Nós vamos derrotar o fascismo nas eleições, mas também depois delas. Para impedir novos ataques à democracia e às nossas vidas, vamos precisar de ainda mais luta, mobilização e disputa ideológica”

– declarou a deputada

Universidade sob ataque

Ao longo da atividade, estudantes e participantes também discutiram problemas enfrentados pela comunidade universitária, como cortes de verba, dificuldades de permanência estudantil, transporte precário e episódios recentes de assédio e violência política dentro do campus.

O debate foi atravessado por preocupações com o subfinanciamento da universidade pública, os ataques às políticas de cotas e a insuficiência de políticas de permanência, como moradia e assistência estudantil. Também foram relatados casos recentes de assédio contra estudantes mulheres e episódios de invasões bolsonaristas no campus, incluindo situações de agressão.

Carolline Sardá afirmou que as universidades têm sido alvo de ataques justamente por representarem espaços de produção de conhecimento e organização social. “A universidade está sob ataque porque é um espaço onde se produz pensamento crítico, transformação e organização coletiva. Eles atacam as universidades porque sabem da força que a juventude organizada tem para transformar a sociedade”, declarou.

Já Letícia Chagas destacou o papel político da juventude universitária diante das crises atuais. “A tarefa de vocês na universidade é serem parte da transformação do mundo, é se organizarem para os enfrentamentos que nós vamos ter que fazer”, afirmou.

A co-deputada também chamou atenção para o crescimento da indignação social e para a necessidade de disputar politicamente esse sentimento. “As pessoas estão indignadas. O desafio é transformar essa indignação em organização e luta coletiva”, disse.

Após o encontro, Sâmia reafirmou o compromisso com a defesa da universidade pública: “A Unifesp Guarulhos é território antifascista. Muito feliz em ter participado de um debate tão potente com centenas de estudantes dispostos a lutar coletivamente e com coragem por outro futuro”.

Fotos: Rebeca Meyer/ASCOM-Sâmia Bomfim