“O que destrói as famílias brasileiras é a escala 6×1”, diz Sâmia durante Parada LGBT+ de São Paulo
Deputada também criticou projetos que tentam restringir o acesso à manifestação e cobrou posicionamento de empresas que abandonaram o patrocínio após pressão de conservadores
8 jun 2026, 19:12 Tempo de leitura: 2 minutos, 27 segundos
Com informações do Poder306 e Metrópoles
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticou, durante a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, iniciativas que buscam restringir a participação de crianças e adolescentes na manifestação e afirmou que os verdadeiros fatores que afetam as famílias brasileiras estão ligados à violência, à desigualdade e à precarização das condições de vida e trabalho. A fala ocorreu em meio ao avanço de propostas apresentadas por parlamentares conservadores para limitar a presença de menores de idade na Parada e até retirar o evento da Avenida Paulista.
Para Sâmia, essas iniciativas representam ataques à diversidade, à liberdade de manifestação e aos direitos da população LGBTQIA+:
“O que destrói as famílias brasileiras é a violência doméstica, é o abandono paterno, é o genitor que não paga a pensão e é a escala 6×1, que não dá direito ao descanso, ao convívio familiar e à alegria”
A deputada também voltou a defender a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, tema que ganhou destaque nacional nos últimos meses. Segundo ela, garantir mais tempo livre para trabalhadores e trabalhadoras significa fortalecer os vínculos familiares e melhorar a qualidade de vida da população. “Nós vamos derrotar essa escala exploratória justamente para que todas as famílias brasileiras possam ter tempo e possibilidade de descanso”, afirmou.
Outro tema abordado por Sâmia foi a redução dos patrocínios destinados à Parada LGBT+ deste ano. A parlamentar criticou empresas que, após anos associando suas marcas ao discurso da diversidade, deixaram de apoiar o evento diante da pressão de grupos conservadores e fundamentalistas.
“Aos ex-patrocinadores da Parada, que por anos lucraram com o discurso de suposto respeito e de suposta diversidade, mas que na primeira pressão e lobby dos fundamentalistas e conservadores abandonaram a comunidade: se querem lucrar com corpos diversos, vão ter que respeitar e garantir direitos para esses corpos”
– declarou
A queda dos investimentos privados ocorreu em um contexto mais amplo de recuo de políticas corporativas voltadas à diversidade, fenômeno observado em diversos países e frequentemente associado ao avanço de movimentos conservadores contrários às pautas de direitos humanos e inclusão.
Para Sâmia, a resposta a esse cenário passa pela mobilização social e política. A deputada defendeu que a comunidade LGBTQIA+ continue ocupando os espaços públicos, pressionando empresas e fortalecendo a participação eleitoral como forma de enfrentar retrocessos e ampliar a garantia de direitos.
Realizada neste domingo (7), a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo celebrou seus 30 anos sob o tema “A rua convoca, a urna confirma”, destacando a importância da organização popular e da participação política diante dos desafios enfrentados pela população LGBTQIA+ no Brasil.
Foto: Rebeca Meyer/ASCOM-Sâmia Bomfim