Carta Denúncia: O muro de vidro da Raia Olímpica da USP será uma armadilha para as aves

Reproduzimos abaixo a carta-denúncia do Centro de Estudos Ornitológicos sobre a reforma do muro da USP e as consequências ambientais de tal.

Vidros em muros, fachadas e janelas de edifícios constituem uma ameaça a aves silvestres em áreas urbanas, pelo risco de colisão, acarretando sua morte. Nos Estados Unidos, a organização American Bird Conservancy estima que um bilhão de indivíduos de aves são mortas por ano, devido à colisão com vidros, sendo esta considerada a segunda maior causa antrópica de morte de aves no mundo, atrás apenas da destruição do habitat.

A colisão das aves se dá pelo fato dos vidros refletirem o ambiente externo, dando às aves a impressão de continuidade deste e, no caso de muros de vidro, simplesmente por não o enxergarem.

A Cidade Universitária da Universidade de São Paulo tem uma rica avifauna, estimada em torno de 168 espécies. As margens do rio Tietê têm sido recuperadas pelo Projeto Pomar, criando espaços favoráveis às aves. E do lado oposto do rio encontra-se o Parque Villa Lobos, uma importante área verde. Desta forma, é muito provável que ocorra um trânsito intenso de aves entres essas áreas, entre as quais se interporá o muro de vidro.

Diante disto, o Centro de Estudos Ornitológicos considera, obedecendo ao Princípio da Precaução, inoportuna a instalação do referido muro de vidro e responsabilizará os empreendedores dessa obra pelo provável dano ambiental que ela causará.

São Paulo, 8 de fevereiro de 2018.

CENTRO DE ESTUDOS ORNITOLÓGICOS

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