Por que sou candidata a deputada federal?

Nos últimos dias, muitas pessoas têm me questionado por que sou candidata a deputada federal se me tornei vereadora a tão pouco tempo. Estou abandonando o meu cargo? Estou fazendo o mesmo que o Doria? E como ficam os servidores municipais?

Primeiramente, é preciso lembrar que, ao contrário do que acontece no poder executivo, um parlamentar não precisa renunciar a um cargo para se candidatar a outro cargo do poder legislativo. Ou seja, nosso mandato continua atuante mesmo durante as eleições e deixarei a Câmara Municipal apenas se eu for eleita. Caso isso aconteça, fique tranquilo – você pode confiar em quem entrar no meu lugar porque será alguém do próprio PSOL, isto é, alguém que possui o mesmo programa em defesa dos trabalhadores. A propósito, minha primeira suplente é Isa Penna, que é jovem e feminista como eu. Portanto, isso não tem nada a ver com o que fez João Doria, que, contrariando sua própria promessa, utilizou a prefeitura como mero trampolim político em ações de puro marketing falidas.

Mas por que, afinal, topei o desafio de me candidatar a deputada federal? Porque os nossos anseios por justiça social e igualdade não cabem na Câmara Municipal. Na verdade, tampouco em Brasília. Mas o âmbito federal torna mais próximo a realização de alguns deles. Veja, por exemplo, uma das prioridades de nosso mandato: a defesa dos servidores. A luta contra o SAMPAPREV foi fundamental para defender o direito a aposentadoria do funcionalismo público municipal. No entanto, sabemos que a reforma da previdência não é um projeto exclusivamente paulistano. Ao contrário, ele está sendo articulado em âmbito nacional.

O mesmo vale para a defesa dos direitos sociais, como saúde, educação, moradia, segurança, etc. Nós temos diferentes propostas referentes a cada uma dessas áreas, mas o problema central de todas elas é a falta de investimento. É possível lutar por isso no âmbito dos estados e municípios, mas é a União que controla a maior parte dos recursos do Estado brasileiro. O sucateamento das áreas sociais é parte de uma política econômica nacional voltada para a remuneração dos credores da dívida pública, isto é, para destinar quase a metade do orçamento do país para alguns poucos milionários na forma de juros, encargos e amortizações em detrimento de investir nos direitos da população. Pense, por exemplo, na Emenda Constitucional do “teto”, que congela por 20 anos os investimentos nas áreas sociais. Como é possível lutar por saúde e educação de qualidade sem derrotar, em Brasília, essa atrocidade?

Além disso, muitas diretrizes importantes para a gestão de políticas públicas são definidas em âmbito nacional. É o caso da segurança pública. Um dos maiores problemas dessa área é o fato de que as polícias são militarizadas. O modelo militar de gestão leva a uma polícia mais violenta, ineficaz e corrupta. A desmilitarização deve necessariamente ser um debate nacional. Podemos dar como exemplo também a educação. A proposta de reforma do ensino médio ameaça dramaticamente o direito a educação dos jovens brasileiros. Se perdermos essa batalha em Brasília, será difícil defender o ensino público de qualidade nos estados e municípios.

Mas, principalmente, achamos importante reforçar nossa luta contra o conservadorismo e o retrocesso que tem tomado conta de nosso país. Você se lembra do circo dos horrores que foi o processo de votação do golpe, quando fomos obrigados a conhecer cada um dos 513 deputados federais? Agora pense que quase 80% deles está tentando se reeleger. Muitos estão há mais de 20, 30 ou até 40 anos em seus cargos! Esses são os (em sua maioria) homens que aprovaram o golpe, a reforma trabalhista, a Emenda Constitucional do teto, entre outras barbaridades e ainda por cima estão envolvidos em casos de corrupção - um em cada três, para ser mais exata. Diante disso, você concorda que a câmara federal precisa de renovação? Quero ir para lá para, junto com o restante da bancada do PSOL, fazer o mesmo que fizemos aqui em São Paulo: brigar por nossos direitos, apontar o dedo na cara dos conservadores, enfrentar os poderosos e denunciar os esquemas sórdidos. Aliás, a “contrarreforma” política de Eduardo Cunha impôs que os partidos políticos devem eleger uma cota mínima de parlamentares para gozar de seus direitos políticos plenos. Quero ajudar o PSOL a superar essa cláusula de barreira.

Portanto, não estou abandonando São Paulo, muito menos os servidores. Mas estamos tentando dar passos mais largos na defesa dos trabalhadores, das mulheres, negros e negras, LGBTs e todos os oprimidos e explorados. Esse percurso foi vitorioso até aqui porque nós lutamos juntos.

Espero contar com sua força para mais essa etapa. O futuro pede coragem!

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