Sâmia Bomfim

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Privatização do Pacaembu, com Juca Kfouri

Confira a conversa entre Sâmia e Juca Kfouri sobre a concessão do Pacaembu!

No início do mês de Agosto, Sâmia encontrou com o jornalista Juca Kfouri. Abaixo você pode conferir como foi essa conversa sobre o projeto de lei enviado pelo prefeito João Doria que propõe a concessão do estádio e centro esportivo do Pacaembu.


JUCA: [Doria é] Um playboy que nunca fabricou um parafuso na vida que se diz um gestor. Mas, nunca passou de um lobista, porque foi o que ele fez a vida inteira com a tal dessa Lide.

Ele é o prefeito. E, ele faz propostas que são em regra mentirosas e indecorosas. A proposta que eu acompanho mais de perto é a da concessão do Pacaembu.

Primeiro, até onde eu saiba, é praticamente uma proposta com carta marcada. Já se sabe a empresa que deverá ganhar a concessão. Ele fala em prazo mínimo de concessão e não fala em prazo máximo. Quer dizer, então é um cheque em branco. Como quando se acreditou em um dos ídolos dele, são tantas as fotos que ele compartilha com o ex-governador e hoje presidiário, Sérgio Cabral, ou com o ex-empresário e também em prisão domiciliar, Eike Batista, em torno do que foi a Olimpíada no Rio de Janeiro. A Copa do Mundo no Rio de Janeiro. Lembre-se do que foi o processo de privatização do Maracanã.

É a tal história, Sâmia, eu aceito discutir se é função do Estado gerir um complexo esportivo, que, em última análise, é explorado pela iniciativa privada, porque os clubes de futebol são da iniciativa privada. Eu topo fazer essa discussão. Eu até tendo a achar que não seja função do Estado. Mas quando eu vejo que aconteceu no Maracanã, eu fico com os dois pés atrás.

Conseguiram fazer do Maracanã um elefante branco. Nosso maior símbolo do futebol nacional. O Maracanã receberia o último jogo da Seleção Brasileira nas eliminatórias da Copa do Mundo. E a CBF, semana passada, anunciou que o jogo será no campo do Palmeiras, porque não confia que se possa fazer no Maracanã. Nem pra Seleção Brasileira.

Eu tenho medo que se faça a mesma coisa com o Pacaembu, que é tombado pelo patrimônio histórico e tem toda a história da cidade de São Paulo.

SAMIA: Juca, é isso mesmo. É um discurso falacioso que ele [Doria] vem usando. O projeto de lei que chegou na Câmara é muito vago e abstrato. Ele coloca [o Pacaembu] no que chamamos de “Pacotão da Privatização”, e não diz exatamente o que vai ser feito. Da boca pra fora, ele diz: "bem, vou manter da forma como está, não vai ser pra prática religiosa, não vai ser pra show”. Porém, isso não está escrito no projeto.

Qual a confiança que você tem nesse sujeito, que mantém relações históricas com outros sujeitos que estão todos encarcerados? Ou, então, que chegou na política com discurso absolutamente mentiroso, enganando a população e que quer fazer negócio com absolutamente tudo?

Por que não fazer algum tipo de contrapartida? Quer passar para a iniciativa privada? Não quer mais gastar com isso? [Essa decisão] Não atinge o conjunto da população? Então, por que em troca do Pacaembu, ele não constrói 50, 100, proporcionalmente, centros esportivos nas regiões periféricas da cidade? Mas com isso ele não se compromete.

JUCA: Esta é para mim a chave das questões. Nós temos em São Paulo, um mini-Trump até no enfrentamento com a grande imprensa. Esse rapaz tem sido de uma profunda covardia com uma repórter da rádio CBN e com o repórter da Folha de São Paulo. Ele vai para o enfrentamento, coloca a equipe jurídica dele para perseguir e intimidar esses profissionais.

Doria não tem política esportiva para a cidade. A tal ponto, Sâmia, que não sei se você sabe, mas até o ano passado tínhamos em São Paulo os “Jogos da Cidade”. Era aberto para quem quisesse participar. Você falou que nunca fez esporte, [então, pensa] “agora eu to disposta, estou querendo jogar vôlei, vou montar um time”. [Antes] você se inscrevia e tinha jogo. Este ano é só para os campeões do ano passado. Ele já fez a seleção, porque na cabeça dele tudo precisa selecionar. A meritocracia do sr. João Doria, na verdade, é sinônimo de higienização.

SAMIA: O próprio eleitorado do Doria está começando a perceber o tamanho do equívoco. Ele ainda segue muito bem aprovado. Caiu um pouco a audiência dele nas redes sociais e a aprovação, mas ele ainda está muito bem. Eu sinto que Doria se constrói e se apresenta como um Outsider. Como você disse, um Trump brasileiro. Uma tentativa de repaginação da direita. Até porque, esses escândalos [de corrupção] o grosso da população, o senso comum, identifica no PT, corretamente, já também se envolveu.

Doria tenta aparecer como uma alternativa, um Outsider, uma oportunidade de repaginação, e alguém de confiança para a burguesia brasileira, porque gere como ninguém, tem experiência com o empresariado, além do mais está passando os bens públicos para esse empresariado. E, pra população como alguém limpo, ético, correto, “temos aí um bom representante para tentar ser uma alternativa para a população”, e que já está em campanha.

Mesmo agora o tema desses PLs da privatização, que já foram votados em primeira instância. [No início] Estava toda uma polêmica se iríamos votar ou não, então, a sessão ficou suspensa por 4 horas. Voltamos e votamos durante madrugada, a sessão terminou às 3 e meia da manhã. Eu me perguntei o que havia acontecido, porque no início do dia estavam todos eles falando que "o projeto é ruim, inconsistente, não tem nada em contrapartida.", mas no final votaram todos a favor. No entanto, se você olhar o Diário Oficial dos dias seguintes, encontra a nomeação de cargos e mais cargos para subprefeituras e secretarias que têm ligação com os nobre colegas vereadores.

JUCA: Mas o João Doria não tinha prometido que só faria nomeação técnicas? Eu quero te dizer publicamente que eu me sinto muito representado por você e fico feliz por ter votado em você.

SÂMIA: Muito obrigada, Juca. Me anima muito!

Conheça a deputada
Sâmia Bomfim

Sâmia Bomfim tem 30 anos, foi vereadora de São Paulo e, atualmente, é deputada federal pelo PSOL. Elegeu-se com 250 mil votos, sendo a mais votada do partido e a oitava mais votada de todo o estado de São Paulo. Seu mandato jovem, feminista e antifascista levanta bandeiras que a maioria dos políticos não tem coragem de levantar. Ela é linha de frente no enfrentamento do conservadorismo e na oposição aos desmandos do governo Bolsonaro, defendendo sempre a maioria do povo.

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