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Professores aprovados sofrem com racismo da prefeitura
É intolerável que o racismo que persiste no cotidiano seja reproduzido por instituições públicas.
Os professores aprovados no concurso da rede municipal de São Paulo travaram uma batalha muito vitoriosa. Graças a uma importante articulação responsável por organizar manifestações e iniciativas políticas para garantir a convocação dos aprovados, surgiu o movimento Convoca Já. Nosso mandato é entusiasta dessa luta que serve de inspiração para diversas categorias de profissionais aprovados em concursos para o serviço público municipal.
No entanto, a alegria pela convocação foi contaminada por um sentimento de raiva e indignação. Prestes a assumirem suas vagas, centenas de professores aprovados por meio de cotas étnico-raciais foram submetidos a avaliação de suas auto-declarações, algo que não constava no edital do concurso. Não bastasse essa mudança de regra durante o processo, a secretaria de direitos humanos realizou um exame vexatório que é motivo de vergonha para cidade. Enfileirados e segurando plaquinhas com seus sobrenomes, candidatos foram indeferidos a partir de critérios como espessura dos lábios, tamanho do nariz e tipo de cabelo. Pessoas negras que, assim como seus antepassados, tiveram seus corpos avaliados e sua dignidade desrespeitada.
Ao lado do movimento Convoca Já, nos reunimos com esses professores e ouvimos suas histórias, prestando todo nosso apoio. Organizamos um encontro em conjunto com o mandato do deputado estadual Carlos Giannazi onde novamente foram relatados casos de extremo constrangimento. Estivemos junto a eles em manifestação e posterior reunião na secretaria municipal de educação. Lá, os indeferidos receberam um pedido de desculpas da chefe de gabinete da secretaria e a promessa de que seria articulada junto à secretaria de direitos humanos uma maneira de corrigir essa injustiça sem prejudicar o andamento do concurso.
Contudo, a secretaria de direitos humanos, que foi a organizadora da banca vexatória, não demonstrou a mesma disposição em dialogar com os professores indeferidos. Alguns deles realizaram manifestação no prédio da secretaria e sequer foram recebidos para expor sua indignação. Uma situação inaceitável que deveria envergonhar a prefeitura de São Paulo.
O que aconteceu com esses indeferidos é a realidade das pessoas negras cotidianamente em todo o Brasil. É intolerável que o racismo que persiste no cotidiano seja reproduzido por instituições públicas. O caso torna-se ainda mais indignante por se tratar de uma secretaria de direitos humanos.
Seguimos em contato com essas pessoas em luta por seus direitos prestando todo o apoio político ao nosso alcance. A conduta racista da secretaria de direitos humanos além de humilhar centenas de cidadãos ainda pode prejudicar milhares de estudantes da rede municipal de ensino, que carece de professores pois, dessa forma, o concurso pode ser suspenso. É isso o que a prefeitura de São Paulo quer?
Dentro da Câmara, tomaremos a iniciativa de empenhar esforços para regulamentar o decreto que institui as bancas avaliadoras de auto-declaração para cotistas em concursos da prefeitura. Nas ruas, seguiremos ao lado de todos aqueles que tenham seus direitos desrespeitados.
Os principais jornais da cidade devem repercutir o assunto nesse final de semana. Quem sabe a exposição dessa situação lamentável convença o poder público municipal a corrigir a injustiça que cometeu. Com a palavra, a prefeitura de São Paulo.